Publicado em: 2 de janeiro de 2026

Frota foi reduzida em 5,7% no período. Dado foi apresentado em reunião do Conselho de Mobilidade e Transporte, nesta sexta-feira (02). Diário do Transporte antecipou estudos. Índice de passageiros pagantes é o menor desde 2019
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
A média diária de passageiros transportados nos ônibus municipais caiu desde 2019, na comparação com 2025, um total de 27%
Em 2019, eram transportados por dia, 9,65 milhões de passageiros diariamente. O ano de 2025, os ônibus municipais tiveram média de 7,05 milhões de pessoas por dia.
Isso gera a necessidade de tarifas e subsídios maiores, segundo técnicos da prefeitura de São Paulo.
Os dados foram apresentados nesta sexta-feira, 02 de janeiro de 2026, ao CMTT – Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, na qual a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista explicou os custos de operação e manutenção e as justificativas para o aumento da tarifa, que passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026.
O DIÁRIO DO TRANSPORTE ANTECIPOU ESTUDOS NA ÚLTIMA SEMANA.
Relembre:
Não bastasse essa queda do total de passageiros, desde 2019, nunca foi tão baixo o número de passageiros pagantes, que em 2025 foi de 50%. Ou seja, 50% das passagens pelas catracas contam com gratuidade total ou alguma forma de desconto, de acordo com a SPTrans.
A maior parte desta fatia que precisa ser subsidiada é para as transferências sem cobrança ao passageiro nas integrações pelo Bilhete Único: 45%
A segunda maior fatia das gratuidades é para o Domingão Tarifa Zero, que soma 12% e concede passagem livre para todos usuários aos domingos, Natal, Ano Novo e Aniversário da cidade.
Se a demanda de passageiros caiu 27% desde 2019, a frota foi reduzida também, mas em proporções menores. Os dados da SPTrans mostram que naquele ano, o total dos ônibus em operação era de 12.813 coletivos e hoje está em 12.094.
As apresentações consideram os efeitos da pandemia de covid-19, mas abrangem períodos maiores para verificar as tendências não somente com a influência da crise sanitária que teve naturalmente resultados atípicos.
A ampliação da rede metroferroviária está entre os fatores que justificam a perda de demanda de passageiros pelos ônibus, mas relativamente em proporções pequenas. A migração para modais de transporte individual, como aplicativos, carro próprio e, futuramente, mototáxi é o que mais preocupa.
– O DOCUMENTO COMPLETO VOCÊ VÊ AO FIM DA REPORTAGEM:
Entre alguns dados, se destacam:
TARIFA DE R$ 13,55 (sem subsídios)
Atualizando os números, a gestão do prefeito Ricardo Nunes diz que, sem subsídios, o custo por passageiro, que seria a tarifa cheia, chegaria a R$ 13,55.
O valor alto se explica pelas gratuidades que são embutidas nos custos, as integrações pelo Bilhete Único e ao tamanho em si do sistema paulistano, que conta 12 mil 090 ônibus operacionais, com ocupação de 569 passageiros por veículo por dia.
SUBSÍDIOS SÓ CRESCEM:
Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%.
Segundo o estudo, “desde 2020, as verbas orçamentárias denominadas Compensações Tarifárias, que respondem por grande parte dos subsídios municipais ao sistema de transporte, evoluíram de R$ 3,3 bilhões naquele ano para estimados R$ 7,3 bilhões em 2025”.
Estes valores não consideram o custeio da implantação de ônibus elétricos, que possuem outras fontes e são subsidiados pela prefeitura também, mas não nesta conta. O poder público paga a diferença entre o preço de um ônibus a diesel, que é cerca de três vezes mais barato, e o ônibus elétrico – três vezes mais caro. É como se fosse a proporção 1:2 – de um elétrico de R$ 3 milhões, a empresa paga R$ 1 milhão (que seria o preço do modelo a diesel) e a prefeitura banca os outros R$ 2 milhões – valores aproximados para exemplificar.
QUEM PAGA QUANTO:
Segundo o estudo que vai ser apresentado ao qual o Diário do Transporte teve acesso, destes R$ 13,55 de custo por passageiro; R$ 12,55 são para operação e manutenção direta dos ônibus, o que inclui salários dos trabalhadores e lucro dos empresários, e, R$ 1 para infraestrutura do Sistema de Transporte, o que inclui Terminais, Comercialização Créditos e Gestão.
Sobre a cobertura deste valor, segundo os dados, os passageiros pagantes (ou seja, o que é arrecadado de fato pelos créditos do Bilhete Único Comum e em dinheiro) custeiam R$ 4,21, ou 31,6% dos R$ 13,55.
Os empregadores, pelo Vale-Transporte, que na capital têm uma tarifa maior que a comum, cobrem R$ 1,42, ou apenas 10,5%.
Mudanças no Vale-Transporte, com a obrigatoriedade de que os empregadores com mais de nove funcionários obedeçam a uma arrecadação obrigatória e destinem uma verba a um fundo, são apontadas como caminho para uma tarifa-zero nacional. Mas a fórmula ainda sofre contestações e gera dúvidas.
As chamadas receitas acessórias, como com publicidade ou explorações comerciais, contribuem muito pouco com o sistema: R$ 0,21 ou 1,6% dos R$ 13,55 de custo de transporte por passageiro.
Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%
QUEM LUCRA COM OS TRANSPORTES POR ÔNIBUS EM SÃO PAULO:
Operar ônibus em São Paulo dá um “lucro” mensal de R$ 60,7 milhões, mas cobrar impostos (em todos os níveis de governo) sobre as atividades relacionadas com os transportes públicos na capital paulista “dá mais dinheiro”: R$ 161,3 milhões.
É o que revela o estudo da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de transportes da capital paulista, ao qual o Diário do Transporte teve acesso
Na seção QUEM GANHA COM A OPERAÇÃO DE TRANSPORTE, os dados mostrados pela SPTrans revelam que a carga tributária de R$ 161,3 milhões sobre todos os bens adquiridos e produtos relacionados ao sistema de ônibus tem peso de aproximadamente 14% sobre o custo médio mensal dos serviços que é de R$ 1,11 bilhão todos os meses.
O lucro de R$ 60,7 milhões das empresas corresponde a aproximadamente 5% de todo o custo mensal.
A maior fatia vai para pagamento de salários, de acordo com a planilha: R$ 468, 19 milhões, ou 41% do custo mensal.
Os fornecedores de insumos, como veículos, diesel, pneus, peças, além de serviços administrativos, representam o segundo maior peso: R$ 366.46 milhões, ou 32%.
Com a operação de infraestrutura, como de terminais, por exemplo, ainda de acordo com o levantamento, o custo mensal é de R$ 84 milhões, ou 7,3%.
QUEDA DE PASSAGEIROS AUMENTA TARIFA E SUBSÍDIOS:
segundo os dados aos quais o Diário do Transporte teve acesso, o número de passageiros caiu na projeção de 2025, em média, 19,5%, comparando com que foi transportado em 2019. Foram 2,6 bilhões (2 bilhões 638 milhões 190 mil 764) registros de passagens em 2019. Em 2025, a projeção é de 2,1 bilhões (2.122.261.193), sendo que o pior cenário, por causa dos reflexos da pandemia, foi em 2020, com 1,5 bilhão; e 202, com 1,6 bilhão de registros de passagens.
Além dos custos operacionais aumentarem e haver a necessidade de repensar a malha de linhas para deixa a rede mais eficiente, o número de passageiros também influencia.
Quanto mais cai o total de usuários, mais sobe o custo unitário por usuário.
É como um bolo, quanto menos gente, maiores os pedaços.
REAJUSTE
A tarifa básica dos ônibus do sistema SPTrans passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026
Para a Integração entre ônibus e trilhos, o valor passa para R$ 9,38. O Vale-Transporte dos trabalhadores vai de R$ 5,49 para R$ 5,82 no caso de uso somente nos ônibus do sistema da SPTrans. Já o Vale-Transporte Integrado entre Trilhos e Ônibus passa a ser de R$ 11,32.
Relembre:
Confira o documento completo a seguir:




















































Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaboraram Arthur Ferrari, Vinícius de Oliveira, Yuri Sena


