Publicado em: 15 de janeiro de 2026

Dado foi atualizado pela SPTrans ao Diário do Transporte que flagrou, no último sábado, 10 de janeiro de 2026, ônibus com ano/modelo 2012 (14 anos) e fabricação 2011 (15 anos)
*ADAMO BAZANI*
O sistema de ônibus municipais da capital paulista, passados três anos do pior da pandemia de covid-19 e quase quatro anos da proibição da compra de veículos a diesel, ainda tem 16,4% da frota gerenciada pela SPTrans (São Paulo Transporte) com idades de fabricação entre 11 anos e 13 anos. Além disso, os micrões (mídis) ganharam em 2026 mais um ano de tolerância, o que foi verificado nas ruas pelo *Diário do Transporte*.
A confirmação foi feita nesta semana pela própria empresa da gestão Ricardo Nunes em resposta aos questionamentos do *Diário do Transporte*.
Segundo a SPTrans, são 2.214 veículos com idade entre 11 e 13 anos. No site oficial da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), consta que a frota contratada das empresas soma 13.496 coletivos, entre escalados nas linhas e reservas. O dado mais recente consolidado é de dezembro de 2025. Apenas 1.149 ônibus, ou 8,5% desta frota, são elétricos. Muito abaixo dos 20% anunciados pela prefeitura em 2021 para até dezembro de 2024 no Plano de Metas, que não foi cumprido. Deste total de elétricos, 189 são trólebus (conectados a fiação elétrica aérea e mais antigos, sem ar-condicionado) e 960, a bateria. O *Diário do Transporte* mostrou que eram 201 trólebus: 12 foram retirados no sistema em novembro do ano de 2025, o que pode parecer um contrassenso, já que a eletrificação não avança, sendo necessária a troca dos modelos a diesel.
A tolerância, assim, poderia ter sido dada aos trólebus, tipo de veículo que não poliu e, pelas características estruturais, pode rodar mais tempo e dura mais.
Relembre:
Não bastassem poluir mais, ônibus destas idades na cidade de São Paulo, entre 11 e 13 anos (ou mais), não possuem itens de conforto como ar-condicionado e tomadas do tipo USB, para recarga de celulares. Estes itens são obrigatórios para os ônibus que entraram no sistema a partir de 2015.
Idade de ônibus não pode ser justificativa para quebras, mas devido ao uso intenso diário e às condições viárias, é natural que os coletivos mais antigos tendem a apresentar mais defeitos, parar, interromper viagens e acarretar em mais espera nos pontos, maior lotação e atrasos.
*MICRÕES MAIS VELHOS*
Os veículos do tipo midi (micrões), de acordo com a resposta da SPTrans ao *Diário do Transporte*, ganharam mais um ano de tolerância para não faltar ônibus para a população.
*A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que estão em contato constante com as concessionárias do transporte público para adequar a idade máxima da frota, levando em consideração as possibilidades do mercado de ônibus elétrico, uma vez que não é mais permitida a inclusão de veículos a diesel no sistema da capital. Para não prejudicar a operação de passageiros, os veículos modelo MIDI foram autorizados a permanecer na frota até o fim deste ano*.
Pelo não avanço da infraestrutura destinada a ônibus elétricos (o diesel está proibido desde 17 de outubro de 2022) e diante da crise econômica e perda de passageiros gerada pela pandemia de covid, a SPTrans autorizou em 2023 a ampliação do limite de idade da frota de 10 anos para até 13 anos. Mas a questão não é somente a infraestrutura. Ainda não há uma oferta ampla de todos os modelos de ônibus elétricos e há fabricantes que aguardam há meses a autorização da SPTrans para começarem a vender para as viações.
É o caso justamente dos micrões, muito usados em linhas do subsistema local de distribuição, operado pelas ex-cooperativas, ligando ao bairros a terminais e estações de trem e metrô. Estes veículos de porte menor são indicados para vias mais estreitas e com condições mais severas de operação que sequer admitem, por exemplo, a configuração de piso baixo.
No último sábado, 10 de janeiro de 2026, constatou em operação, entrando no Terminal São Mateus, na zona Leste, um veículo com a inscrição ano/modelo 2012 (14 anos).
O ônibus, que fazia a linha 3054-10 (Jardim Palanque/Hospital Sapopemba), placas ELW 3050, prefixo 4 7239, é da empresa Pêssego Transportes, do subsistema local de distribuição.
De acordo com o Sinesp Cidadão, o aplicativo do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, do Governo Federal, o modelo deste ônibus é 2012, mas a fabricação foi em 2011 (15 anos).
Mas, por esta tolerância a mais (a tolerância da tolerância), apesar de antigo, o veículo da Pêssego não está irregular.
O modelo é carroceria Caio Apache Vip II, Mercedes-Benz OF-1418. Por que esta especificação técnica na reportagem? Porque este modelo é de tecnologia de redução de emissões de poluentes com base nas normas internacionais Euro 3. Desde de 2023, todos os ônibus a diesel que saem de fábrica precisam seguir as normas Euro 6, que poluem 75% menos, em média, que a geração anterior Euro 5, que foi fabricada . Ou seja, o Euro 3 polui muito mais ainda, o que vai na contramão dos discursos de sustentabilidade. Os modelos Euro 3 foram fabricados até 2012. No Brasil, não houve a fase Euro 4. Os Euro 5 foram produzidos entre 2012 e 2022. Ou seja, parte da frota de ônibus da cidade de São Paulo está com uma geração retrasada e mais poluente em circulação.
O chassi deste porte, desta montadora, Euro 6 é denominado OPF-1619. No Euro 5, foi o OF-1519. Esse, flagrado pela reportagem, é OF-1418.
A SPTrans informou ao Diário do Transporte que “_os veículos com mais de 10 anos são vistoriados com maior frequência e são utilizados preferencialmente na reserva técnica. Além disso, diariamente são convocados pelo menos 80 veículos para vistoria amostral, garantindo que a frota seja inspecionada frequentemente”_.
*A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que estão em contato constante com as concessionárias do transporte público para adequar a idade máxima da frota, levando em consideração as possibilidades do mercado de ônibus elétrico, uma vez que não é mais permitida a inclusão de veículos a diesel no sistema da capital. Para não prejudicar a operação de passageiros, os veículos modelo MIDI foram autorizados a permanecer na frota até o fim deste ano*
*Por determinação da SPTrans, os veículos com mais de 10 anos são vistoriados com maior frequência e são utilizados preferencialmente na reserva técnica. Além disso, diariamente são convocados pelo menos 80 veículos para vistoria amostral, garantindo que a frota seja inspecionada frequentemente. Atualmente, a frota de ônibus da cidade de São Paulo conta com 2.214 veículos com idade entre 11 e 13 anos.*
*A gestão municipal segue investindo na modernização do transporte público, com a inclusão de ônibus elétricos que já compõem a maior frota deste modelo no país, com 1.149 veículos. Atualmente, a frota operacional da cidade conta com mais de 95% de ônibus equipados com ar-condicionado, que atendem todas as regiões*.







*Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes*


