Publicado em: 19 de janeiro de 2026

Financiamento do Fundo Clima viabiliza compra de novas locomotivas e vagões e reforça a ferrovia como alternativa de menor emissão ao transporte rodoviário
ALEXANDRE PELEGI
A Rumo, maior operadora privada de ferrovias de carga do país, vai dar um novo passo na modernização de sua frota e na ampliação da logística de biocombustíveis no Brasil. A empresa recebeu aprovação de R$ 350 milhões em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de seis locomotivas híbridas e pelo menos 160 vagões-tanque, com foco no escoamento de etanol de milho produzido no Centro-Oeste.
Os recursos são do Fundo Clima, instrumento da Política Nacional sobre Mudança do Clima, administrado pelo BNDES, voltado a projetos que contribuam para a redução de emissões e para a transição da matriz de transportes. Com o investimento, a capacidade anual de transporte ferroviário de biocombustíveis deverá crescer 928 mil metros cúbicos, um avanço de 32% em relação ao volume movimentado em 2024.
As novas locomotivas utilizam tecnologia híbrida, que combina motor a combustão e sistema elétrico. Esse arranjo permite operar com maior eficiência energética, reduzir picos de consumo e aproveitar a energia gerada na frenagem regenerativa. Segundo o BNDES, trata-se de uma solução considerada hoje a mais viável para a descarbonização da ferrovia no curto e médio prazo, por exigir menos obras e menor custo de implantação do que alternativas totalmente elétricas.
Além do ganho operacional, o banco estima que o projeto possibilite a redução de cerca de 62,3 mil toneladas de CO₂ por ano, especialmente pela substituição de parte do transporte rodoviário. Na comparação entre modais, o transporte sobre trilhos emite significativamente menos: o rodoviário pode ser até oito vezes mais emissor por tonelada-quilômetro útil.
A iniciativa também dialoga com a própria escala da Rumo no sistema logístico nacional. A companhia opera uma malha que ultrapassa 13 mil quilômetros de ferrovias, com uma base de ativos formada por cerca de 1.200 locomotivas e 33 mil vagões, conectando regiões produtoras a terminais de transbordo e portos. É nesse contexto que a ampliação da frota voltada a biocombustíveis ganha relevância estratégica, ao reforçar a ferrovia como eixo estruturante do escoamento do agronegócio.
Criado em 2009 e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Fundo Clima tem natureza contábil e financia projetos, equipamentos e inovações tecnológicas voltadas à mitigação das mudanças climáticas. No caso da Rumo, os recursos ajudam a antecipar uma transição tecnológica no setor ferroviário, ainda fortemente dependente de locomotivas a diesel.
A aposta em tração híbrida e no aumento do transporte ferroviário de biocombustíveis reforça uma tendência que vem ganhando espaço no setor: usar a ferrovia não apenas como alternativa logística, mas como ferramenta concreta de redução de emissões em cadeias produtivas de grande escala.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


