Publicado em: 30 de janeiro de 2026

Veículos são de piso de alto para embarque e desembarque nas estações, não emitem poluentes na operação e fazem parte da proposta de “metronização” do sistema de transportes sobre pneus
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliviera
Deve ser entregue no primeiro semestre de 2026, uma nova frota de ônibus superarticulados 100% elétricos que vai ampliar o total de veículos não poluentes do sistema de transportes coletivos da Região Metropolitana de Goiânia.
Os ônibus já estão em fase de montagem na fábrica da BYD em Campinas (SP). O Diário do Transporte esteve na unidade industrial e constatou que o ritmo de produção é intenso.
O modelo é o BYD D11A 41.820 Articulado 23 metros – três portas por lado.
Ao repórter Adamo Bazani, o diretor de vendas de veículos comerciais da marca, Bruno Paiva, explicou que este lote é composto por 23 unidades, que se somam às seis do mesmo tipo que a marca entregou e já estão em operação no chamado “Eixão” ou Eixo Anhanguera, principal BRT (Bus Rapid Transit) – corredor de ônibus de capacidade e velocidade maiores que os corredores de ônibus comuns.

O Diário do Transporte mostrou que a primeira unidade de padrão semelhante foi apresentada em fevereiro de 2024.
Relembre:
Após a finalização da montagem dos chassis, baterias, motores, eixos, suspensões e outros equipamentos em Campinas, as unidades seguem para a encarroçadora Marcopolo, em Caxias do Sul (RS) para só aí serem entregues ao sistema de transportes.
Em anúncio da reformulação da Rede Integrada de Transportes, o Governo de Goiás, ainda em 2023, destacou a compra de 150 ônibus elétricos, além de 1020 unidades a diesel, boa parte já entregue.
Cada ônibus superarticulado possui capacidade para cerca de 200 pessoas, têm acessibilidade pelas plataformas de embarque e desembarque, contam com ar-condicionado, wi-fi e sistema de informações aos passageiros.
As baterias têm autonomia de cerca de 250 km com uma única carga.
De acordo com Bruno Paiva, já há conversas com os operadores, incluindo o Estado, para mais aquisições.
O diretor de vendas da BYD enfatizou que a frota elétrica faz parte do projeto de “metronização” do sistema sobre pneus do Governo do Estado, que consiste em trazer os conceitos de sustentabilidade ambiental, eficiência, informação e imagem dos principais metrôs do mundo.
Paiva afirmou que tem se surpreendido positivamente com os investimentos e obras para a requalificação do sistema de BRT da Região Metropolitana de Goiânia, que por anos ficou abandonado.
“Eu venho visitando Goiânia há algum tempo, estive recentemente na inauguração do Terminal na Praça da Bíblia, fiquei muito impressionado com o que eu vi, é um transporte que está na vanguarda, investindo em ônibus elétricos, montando um eixo que vai ser quase 100% eletrificado e com terminais de primeira linha. É um trabalho fantástico que Goiás está fazendo” – disse
NÃO SOMENTE ELÉTRICO, MAS DIVERSIDADE DE ALTERNATIVAS:
Apesar de o transporte por ônibus elétricos ser um dos focos principais, como mostrou o Diário do Transporte, o Governo do Estado optou por buscar uma diversificação de alternativas de tecnologias para a redução de emissões.
O governador Ronaldo Caiado, ao anunciar a continuação das reformas civis de infraestrutura do corredor, como as 19 estações do BRT Leste-Oeste com a entrega das últimas três plataformas — Capuava, Cascavel e Rua 8., e o prosseguimento das obras de quatro terminais do BRT Leste-Oeste, confirmou que a meta é a diversificação das tecnologias.
“A previsão é que o sistema chegue a 130 veículos movidos a energia limpa e renovável, sendo 50 elétricos, 32 movidos a biometano (gás obtido na decomposição de resíduos) e 48 com a tecnologia Euro VI, que obedece às normas regulatórias europeias para emissão de poluentes.” – diz nota do Governo estadual.
Relembre:
A capital paulista, por exemplo, adotou uma estratégia diferente e tem encontrado dificuldades para renovar a frota. Desde 17 de outubro de 2022, as viações são proibidas de comprar modelos a diesel. Como ainda não há uma infraestrutura para um avanço maior da eletrificação, além do não cumprimento da meta de frota menos poluente, a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora local, teve de ampliar a idade máxima permitida de 10 anos para 13 anos dos ônibus em circulação, inclusive com veículos que são seguros, têm qualidade, mas não possuem os mesmos itens de conforto, monitoramento e segurança que os mais modernos, tanto elétricos como a diesel. A cidade não voltou atrás na proibição do diesel, mas considera outras alternativas, como o biometano.
MODELO CONSIDERADO INOVADOR PARA OS TRANSPORTES POR ÔNIBUS E COM A LEGALIDADE CONFIRMADA PELO STF:
Após uma crise de perda de qualidade, tanto dos veículos quanto do corredor, estações e estruturas, os contratos entre Metrobus e as empresas tiveram um novo redesenho, semelhante à relicitação realizada no contrato com a Metra, de São Bernardo do Campo (SP), que possibilitou a implantação de um BRT (corredor de ônibus de trânsito rápido) entre a região do ABC e a capital paulista. Isso tem possibilitado melhorias.
O modelo de contrato no ABC chegou a ser contestado judicialmente pelo partido político SD (Solidariedade), mas o STF (Supremo Tribunal Federal) viu que a contratação é legal, o que deu base para outros sistemas semelhantes.
Relembre:
Trata-se, em resumo, da prorrogação antecipada de um contrato, desde que sejam incluídos investimentos extras, dentro do mesmo objeto, porém, de prestação de serviços, tanto para melhorias como para a expansão do atendimento à população.
Tanto no ABC Paulista, com a renovação de frota e obras, como na Região Metropolitana de Goiânia, o modelo contratual tem mostrado caraterísticas positivas permitindo a antecipação e maior agilidade e investimentos que poderiam demorar vários anos caso fossem seguidos os trâmites das formas mais tradicionais de licitação.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


