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Financiamento pela operação, um caminho pé no chão para ônibus não poluentes


Presidente do Grupo HP, Edmundo Pinheiro, fala ao repórter e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, como a Região Metropolitana de Goiânia encontrou uma forma mais segura do ponto de vista econômico e de modelagem contratual para transição energética. Ouça também o Governador de Goiás, Ronaldo Caiado; André Marques (Volvo) e Juscelino Monteiro e Ciro Lima (NANSEN)

ADAMO BAZANI com ARTHUR FERRARI, VINICIUS DE OLIVEIRA e YURI SENA

O vídeo você acessa ao fim do texto, mas interessante ler antes (por limitações técnicas, alguns áudios saíram baixo, mas possível de entender)

Não somente a eletrificação de sistemas de transportes por ônibus, mas investimentos em outras tecnologias menos poluentes que o diesel, esbarram ainda no Brasil em diversos problemas, entre eles, como garantir a sustentabilidade econômica da implantação e da operação e quais formas de financiamento mais condizentes com a realidade local.

Na região metropolitana de Goiânia, um caminho foi encontrado pelos empresários de ônibus, Governo do Estado, prefeituras, agentes bancários, fabricantes de ônibus e fornecedores de tecnologias, equipamentos e infraestrutura. É um modelo pelo qual os próprios contratos do sistema são garantidores do financiamento da transição energética, sem onerar os cofres públicos e nem comprometer os recursos dos operadores de transportes.

Quem explicou para o repórter e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, foi o presidente do Grupo HP, Edmundo de Carvalho Pinheiro.

O Grupo HP é um dos operadores do sistema metropolitano de Goiânia e entregou na última sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, 16 ônibus elétricos articulados e cinco biarticulados da Volvo com carrocerias da Marcopolo. A frota será carregada no hoje maior eletroposto da América Latina que conta com equipamentos da Nansen.

De acordo com Edmundo Pinheiro, explica que pelo modelo, o projeto se torna autofinanciado.

O Grupo HP constituiu um veículo de investimento específico, chamado GreenMob, e é o GreenMob que foi responsável por toda a modelagem e estruturação. É um aspecto importante que nós estamos aqui nessa operação, plantando um project finance non-recursive. O que significa isso? É um projeto que ele é autofinanciado e que a própria operação, os próprios contratos garantem os financiadores. Então, isso também traz para a operação de transporte público algo que era comum em infraestrutura, mas não aplicada a operação de transporte. – explicou Edmundo Pinheiro a Adamo Bazani.

Nessa modalidade, as garantias para o financiamento são somente os direitos emergentes da concessão. Project Finance é uma modalidade de estruturação financeira para a realização de projetos de grande porte, onde a principal fonte de receita para o pagamento do serviço da dívida de seu financiamento e do produto ou serviço resultante vem do fluxo de caixa gerado pela sua própria operação. Quando 100% dos recursos para o pagamento da dívida vem do fluxo do projeto, é chamado project finance non recourse, ou project finance puro. Esta característica de autofinanciamento permite a realização de projetos cujo porte seja superior ao de seu patrocinador.

Segundo o empresário, diferentemente de outros municípios, o poder público, ou seja, dinheiro público, não é submetido a nenhum risco no financiamento.

Quando nós iniciamos a discussão com o Poder Público, liderada pelo governador do estado, Ronaldo Caiado, o governador nos disse que ele gostaria que todos os investimentos na transformação do transporte público de Goiânia fossem feitos pelo privado, e ele não gostaria que o Poder Público participasse e tomasse risco nos investimentos da operação entendendo que isso caberia aos operadores. Mas ele nos perguntou, na época, o que o privado necessitava para que fizesse o investimento. E nós respondemos, basicamente, que a nossa necessidade era de ter contratos bem desenhados, que oferecessem segurança jurídica e que, nesse sentido, pudessem melhorar a financiabilidade do projeto. E foi isso que o Poder Público está assegurando. Ele participa assegurando contratos que minimizam os riscos associados à operação dos serviços e isso possibilitou que o privado tivesse que tomar os investimentos, atendendo o interesse público no sentido de promover a melhoria e a transformação dos serviços aqui em Goiânia. – continuou o presidente do Grupo HP, Edmundo Pinheiro, ao editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani.

O repórter e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou também com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que disse que o desenho permitiu trazer um investimento privado em todo o processo, abrindo oportunidades para a transição energética que até então não foram aproveitadas, mesmo a lei permitindo. Parte da modelagem foi desenvolvida em parceria entre fornecedores, fabricantes e operadores diretamente com o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima.

Olha, foi exatamente aquilo que foi desenhado pelo meu secretário-geral de governo, Adriano da Rocha Lima e realmente determinei a ele que sentasse para que nós pudéssemos ter um outro momento, uma outra frota e, ao mesmo tempo, um ponto a mais. Ou seja, é a única frota verde sustentável nas capitais do país. Então, você vê esse fato de trazer investimento, renovação de frota e todos eles aqui com, ou Euro 6, ou elétrico, e agora, o nosso combustível aqui que vai ser gerado em Goiás, o biometano.

Mas esta modelagem de financiamento com os próprios contratos sendo garantias, só foi possível porque os contratos foram prorrogados também de uma forma inovadora nos transportes sobre pneus, mas que já é usada em sistemas de trilhos: a relicitação ou prorrogação antecipada e patrocinada.

Trata-se de pegar uma atual contratação e prorrogá-la em troca de investimentos, ampliações e modernizações dentro do mesmo objeto contratual.

No Brasil, por enquanto, somente dois sistemas de ônibus adotaram o novo modelo: o BRT-ABC, com a SPE (Sociedade de Propósito Específico) NEXT Mobilidade,  do ABC Paulista (o primeiro) e Goiânia (posteriormente).

A constitucionalidade chegou a ser questionada do modelo, mas o STF (Supremo Tribunal Federal), em agosto de 2024, confirmou a legalidade, como mostrou o Diário do Transporte.

Relembre:

A decisão traz entendimentos que devem servir para outros contratos públicos que podem ser prorrogados sem licitação não somente no estado de São Paulo, mas em todo o país.

Entre estes entendimentos estão:

  1. Só podem ter a prorrogação antecipada em troca de investimentos os contratos que já tenham sido licitados originalmente e que estejam ainda em vigor;
  2. As prorrogações antecipadas não podem se confundir com prorrogação emergencial para que um serviço continue sendo prestado ou com prorrogação para manter o equilíbrio econômico-financeiro de um contrato. Ou seja, tem de trazer investimentos novos;
  3. Os contratos originais devem ter a previsão de prorrogação;
  4. O poder público deve justificar a prorrogação; e
  5. A prorrogação deve trazer vantagens para a população e o poder público.

As definições dos ônibus e infraestrutura no sistema da Região Metropolitana de Goiânia nasceram concomitantes à modelagem de contratos e financiamentos.

Não se trata de marcas em si, mas de modelos operacionais.

O presidente da área de ônibus da Volvo na América Latina, André Marques, disse ao editor chefe e repórter do Diário do Transporte, que os veículos entregues, do modelo BZRT foram desenvolvidos depois de anos de estudos e experiências, sendo indicados para operações como justamente as da Região Metropolitana de Goiânia.

Nosso foco, realmente, para o sistema BRT é aproveitar tudo que o sistema pode oferecer, ou seja, embarque em nível, então a plataforma de piso alto é a nossa principal para os sistemas BRT. um veículo de piso alto que incorpora toda a nossa experiência de mais de 30 anos desenvolvendo biarticulados, 50 anos de Brasil entendendo as realidades do nosso mercado. Então, nós aproveitamos tudo que nós já conhecemos, sistemas de suspensão, direção, o próprio chassi e articulações. Agora, eletrificado com o que nós temos de mais avançado no grupo Volvo. Esse veículo conta com dois motores elétricos acoplados a uma transmissão de duas velocidades que permite atender e entrega até 540 cavalos de potência.

Já o diretor de operações da Nansen, Juscelino Monteiro, explicou a Adamo Bazani, que tudo ocorreu em tempo recorde

A estruturação de todo esse empreendimento foi bastante complexa, mas a Nansen, com sua estrutura e tecnologia de implantação e fornecimento de produtos, conseguiu, com a parceria com o BRT, transformar o sonho em realidade. Hoje, nós temos 23 carregadores elétricos de 245 kW, atendendo toda a demanda do eletroposto. É um projeto que foi implementado em tempo recorde, juntamente com todo esse desafio do sistema elétrico. Nós estamos falando não somente do eletroposto, mas também do sistema elétrico de subestação, tanto de média quanto de baixa tensão, que permite que esse sistema perdure por muito tempo, trazendo uma conquista para o estado de Goiás, não só para Goiânia, no que se refere à mobilidade eletrônica.

O diretor comercial da Nansen, Ciro Lima, disse que foi necessário desenvolvimento em parceria com os operadores do BRT.

A estrutura que a gente trouxe para Goiânia visa robustez, qualidade, e essa parceria com o BRT e com o governo do estado, ele procurou, realmente, a maior especialista em eletro terminais do país, e a Nansen hoje se coloca nessa posição. A gente começou um trabalho em 2021, trazendo toda a nossa robustez global, nacionalizando todos os equipamentos, uma empresa quase centenária, somos uma empresa de 95 anos, e a estrutura daqui, para vocês terem uma noção, a potência instalada, a gente consegue carregar 46 ônibus simultaneamente, mesmo esse aqui antes, olha o tamanho desse ônibus, é uma inovação, e mais do que isso, a gente tem uma potência instalada de 6 megawatts. Então, para o leitor ter uma noção do que isso representa, a gente está falando de 6 mil chuveiros elétricos ligados simultaneamente, ou 1 milhão de lâmpadas. Então, para vocês terem noção da grandiosidade desse projeto. Isso se deu e conseguimos chegar a esse sucesso, atualmente, com o esforço do governo do Estado, do BRT, da Nansen, e juntamente com a concessionária.

Como mostrou o Diário do Transporte, além de eletrificação, o Estado de Goiás aposta em outras tecnologias para redução da poluição pelo transporte coletivo.

Uma delas é o biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos) e GNV (Gás Natural Veicular).

O governo fez um ajuste contratual com as empresas de ônibus para a compra de 501 unidades de diferentes tamanhos.

No evento, também em resposta ao Diário do Transporte, o secretário-geral do Governo de Goiás, Adriana da Rocha Lima, revelou que em dois meses deve chegar o primeiro ônibus biometano/GNV para o sistema

Relembre

Diário do Transporte mostrou em primeira-mão a publicação oficial e os termos do aditivo de contrato com as empresas.

Relembre:

Serão modelos de diversos portes, todos com ar-condicionado, desde padrons (dois eixos entre 12,1 m e 13,2 m e três eixos de 15 m) até articulados de 19,2 metros.

Configurações:

  • 79 ônibus articulados, de 19,2 metros, com piso alto e ar-condicionado, destinados ao BRT (4º lote);
  • 22 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (4º lote);
  • 110 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (5º lote);
  • 168 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (6º lote);
  • 122 ônibus padron, com motor traseiro, piso baixo e ar-condicionado (7º lote).

Cronograma de entregas

  • 8 ônibus articulados até 31 de março de 2026;
  • 71 ônibus articulados até 30 de setembro de 2026;
  • 22 ônibus padron do 4º lote até 30 de setembro de 2026;
  • 110 ônibus padron do 5º lote até 30 de junho de 2027;
  • 168 ônibus padron do 6º lote até 31 de dezembro de 2027;
  • 122 ônibus padron do 7º lote até 31 de dezembro de 2027.

ACESSE O VÍDEO:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Esta matéria só foi possível graças ao trabalho e afinco da equipe de jornalistas do Diário do Transporte que colaborou em toda a parte técnica, de apoio de apuração e de transcrição de entrevistas: Arthur Ferrari, Vinicius de Oliveira e Yuri Sena



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