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TIC Trens celebra 159 anos de história da São Paulo Railway escrevendo novo capítulo de modernização e tecnologia


* Pedro Moro

No próximo dia 16 de fevereiro, a São Paulo Railway (SPR) completa 159 anos. Trata-se de uma das ferrovias mais antigas do Brasil e a primeira implantada em território paulista. Com 139 quilômetros de extensão, a estrada de ferro conectava o interior do Estado ao Porto de Santos, partindo de Jundiaí e passando pela capital, com o objetivo de escoar a produção cafeeira proveniente da região de Campinas.

À época, a iniciativa representou um marco de inovação em infraestrutura e logística, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento econômico de São Paulo. A ferrovia impulsionou a expansão de novos trechos ferroviários, fortaleceu o processo de industrialização, estimulou o crescimento urbano e o povoamento das áreas situadas ao longo de seu traçado.

Com o aumento da demanda por deslocamento da população, a malha ferroviária, originalmente construída para o transporte de cargas, passou a exercer papel estratégico também no transporte de passageiros. Esse movimento ocorreu tanto no atendimento urbano e nas ligações com a Baixada Santista, pelas vias da São Paulo Railway, quanto nas conexões entre a capital e o interior do Estado, integrando-se a outras companhias, como a Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF).

Assim, “A Ingleza”, como a SPR era mais conhecida, fez seus primeiros investimentos direcionados ao transporte metropolitano no começo da década de 1930. Entretanto, o trecho entre Rio Grande da Serra e Jundiaí só viria a ganhar características de uma ferrovia urbana entre as décadas de 1950 e 1960, quando a ferrovia já estava sob administração do Governo Federal, com o nome Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), adotado em 1946. Aquele período foi marcado pela substituição dos trens a vapor por trens elétricos e pela ampliação da estrutura de estações existentes e a construção de novos edifícios para esse fim.

O rápido crescimento de cidades como Caieiras, Francisco Morato e Franco da Rocha, assim como bairros ao Noroeste da cidade de São Paulo, como Pirituba, Jaraguá e Perus, levou ao surgimento de autarquias como a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), em 1984, empresa estatal vinculada à Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), com a missão de modernizar e ampliar os serviços prestados. Com a previsão de estatização deste serviço, segundo a Constituição Federal de 1988, foi criada pelo governo do estado a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) que, em 1994, assumiu a malha da CBTU. Concomitantemente, o transporte de média e longa distância foi sendo deixado de lado em detrimento da operação de cargas, até ser extinto em 2001.

Agora, o próximo passo é pioneiro no Brasil: a construção do primeiro trem de média velocidade estruturado, contínuo e integrado aos padrões atuais de mobilidade. No projeto TIC Eixo Norte, a TIC Trens é a concessionária responsável pela implantação, operação e manutenção do Trem Intercidades (TIC), ligando São Paulo a Campinas em pouco mais de uma hora, e do Trem Intermetropolitano (TIM), conectando Jundiaí a Campinas.

Em paralelo, a TIC Trens também é responsável pela operação, manutenção e modernização da Linha 7-Rubi, que transporta 400 mil pessoas diariamente por meio de suas 17 estações e quase 60 km de distância entre a Estação Palmeiras-Barra Funda e Jundiaí. E este é o maior desafio, pois trata-se de uma linha que remonta aos primórdios da São Paulo Railway, com estações construídas ainda no século XIX, sendo algumas delas tombadas pelos órgãos patrimoniais de preservação.

Na linha, as estações Jaraguá, Perus, Caieiras, Várzea Paulista e Jundiaí são patrimônio cultural tombado, com construções datadas do século XIX. Durante os próximos cinco anos, as edificações passarão por um processo de adequação de acessibilidade, mobiliário e identidade visual. A minuciosidade do trabalho se revela, pois a modernização será realizada sem alterações nas características originais dos prédios e sem interrupções na operação ferroviária, que conta com trens passando a cada cinco minutos e meio nos horários de maior movimento de passageiros.

Para nós, esse desafio representa um grande passo para a história da ferrovia nacional de passageiros, pois o patrimônio cultural com o qual estamos trabalhando dia após dia representa a memória coletiva da sociedade, materializada em edificações, monumentos, documentos, objetos e práticas. A São Paulo Railway foi o ponto de partida para trajetórias que moldaram a identidade dos conglomerados urbanos de todo o estado e, até mesmo, do país.

Ao longo dos últimos 159 anos, às margens da ferrovia, cidades foram construídas, famílias foram formadas, indústrias se instalaram e toda a sociedade se desenvolveu. Hoje, a preservação desse patrimônio histórico constitui fundamento essencial para a compreensão de processos históricos, econômicos, tecnológicos e sociais, sustentados por um legado que honramos e cujo compromisso assumimos de perpetuar: o protagonismo da ferrovia de passageiros no desenvolvimento do país.

* Pedro Moro é diretor-presidente da TIC Trens



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