O mercado internacional de fertilizantes apresentou, ao longo da última semana, um comportamento essencialmente lateral na Bolsa de Chicago (CBOT), sinalizando acomodação após a forte volatilidade observada desde o início do ano. Em 20 de fevereiro, a ureia no Golfo dos Estados Unidos, com vencimento para fevereiro, foi negociada a US$ 458,00 por tonelada FOB, registrando variação semanal discreta de 0,1%. No Oriente Médio, o mesmo insumo, com vencimento também para fevereiro, permaneceu estável no comparativo semanal, cotado a US$ 485 por tonelada FOB. O Fosfato Diamônico (DAP), negociado em Nova Orleans, manteve-se inalterado frente à semana anterior, com o contrato de fevereiro fixado em US$ 628 por tonelada FOB.
No mercado brasileiro de importação, a ureia entregue no país, com vencimento em fevereiro, foi negociada a US$ 474,00 por tonelada CFR, avanço de 0,4% em relação à semana precedente. O Fosfato Monoamônico (MAP), por sua vez, apresentou estabilidade, com o contrato para junho negociado a US$ 720,00 por tonelada CFR.
Os preços ficaram mais estáveis em comparação ao observado desde o início do ano, após um movimento expressivo de alta devido a restrições de oferta pelos principais países produtores dos insumos agrícolas, seja por fatores de custo ou por políticas de abastecimento interno que restringem a exportação, além da demanda estar mais aquecida neste início de ano.
A dinâmica mais contida dos preços contrasta com o movimento altista predominante desde o início do ano, em um cenário restrições de oferta disponível impostas por importantes países produtores, seja por elevação de custos energéticos, seja por políticas voltadas à priorização do abastecimento doméstico que limitam as exportações. Esse ambiente, combinado a uma demanda sazonalmente mais aquecida nos primeiros meses do ano, sustentou a escalada das cotações no período anterior.
Como principal notícia no exterior que impacta o mercado dos fertilizantes, destaca-se a proposta da Comissão Europeia de suspender, até meados de 2027, as tarifas incidentes sobre a importação de fertilizantes nitrogenados e misturas à base de nitrogênio, além de insumos estratégicos para sua produção, como amônia e ureia. A iniciativa busca reduzir os custos para agricultores e para a indústria, ao mesmo tempo em que reforça a segurança alimentar do bloco.
A medida prevê a eliminação, por um ano, das tarifas padrão aplicadas pela União Europeia a esses produtos, mediante um sistema de cotas isentas de direitos para todos os países, com exceção de Rússia e Bielorrússia. Volumes que excederem os limites estabelecidos continuarão sujeitos às alíquotas usuais.
Além de mitigar custos, a proposta visa reduzir a dependência do bloco em relação aos dois países e fomentar a diversificação de fornecedores, considerada estratégica para a soberania alimentar europeia.
No Brasil, o governo anunciou a formalização de uma parceria com a Índia voltada ao fortalecimento dos bioinsumos. Com cerca de 1,8 milhão de agricultores familiares atuando sob sistemas agroecológicos, a Índia é tomada como referência para políticas públicas que o Executivo brasileiro pretende ampliar. A adoção de bioinsumos tende a reduzir custos de produção, especialmente entre pequenos produtores, além de elevar a resiliência climática das lavouras, em consonância com a Estratégia Nacional de Bioinsumos.
No campo das importações, levantamento da Williams Brasil indica o agendamento de 4,852 milhões de toneladas de fertilizantes entre 1 e 23 de fevereiro. O relatório contempla embarcações já atracadas, navios fundeados à espera de berço e cargas com previsão de chegada até 10 de maio, sinalizando fluxo logístico robusto no curto prazo.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que, até a terceira semana de fevereiro (13 dias úteis), o Brasil importou 1,79 milhão de toneladas de adubos ou fertilizantes químicos, volume equivalente a 78,3% do total internalizado em fevereiro de 2025 (2,28 milhões de toneladas). O preço médio alcançou US$ 339,9 por tonelada, avanço de 7,4% na comparação anual. A média diária importada foi de 137,93 mil toneladas, expansão de 20,5% frente a igual período do ano anterior.
As aquisições externas de fertilizantes brutos somaram 63,1 mil toneladas, retração de 49,1% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado (128,5 mil toneladas). O valor médio negociado atingiu US$ 119,1 por tonelada, alta anual de 10,6%, enquanto o ritmo diário recuou 24,5%, para 4,8 mil toneladas.

No câmbio, o dólar recuou 0,54% frente à semana anterior, encerrando a sexta-feira cotado a R$ 5,20. A leve valorização do real contribuiu para atenuar, ainda que parcialmente, a pressão advinda da elevação dos custos internacionais dos insumos, oferecendo algum alívio às importações no curto prazo.
Na tabela abaixo estão os preços médios dos principais fertilizantes nas regiões monitoradas:



