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Licitação de ônibus de Campinas recebe propostas de cinco grupos, entre as quais, da Sancetur e de operadores locais, como Belarmino, Itajaí e Campibus


Comissão da prefeitura agora vai analisar ofertas de valores e documentação e abertura dos envelopes ao público ocorre no dia 05 de março de 2026.

ADAMO BAZANI

A licitação para a nova concessão dos transportes coletivos por ônibus em Campinas, maior cidade do interior paulista, teve a participação de cinco grupos empresariais: Consórcio Andorinha, Consórcio Grande Campinas, Consórcio Mov Campinas, Consórcio VCP Mobilidade e Sancetur.

Os contratos são de 15 anos, avaliados em cerca de R$ 11 bilhões.  O sistema vai ser dividido em dois lotes operacionais: Norte e Sul. Cada um deles recebeu três propostas. Cada grupo empresarial apresentou proposta para um lote, mas a Sancetur apresentou envelopes para os dois.

A entrega de propostas ocorreu nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, na B3, Bolsa de Valores de São Paulo, no centro da capital paulista. A abertura dos envelopes ao público ocorre no dia 05 de março de 2026.

Segundo a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), da prefeitura, tTrês propostas foram apresentadas para cada lote de operação do transporte público coletivo, o Norte e o Sul. Duas vias de cada volume

O prefeito Dário Saadi destacou, em nota, a importância do momento.

“Hoje demos um passo decisivo para mudar a realidade do transporte público de Campinas. A entrega das propostas marca o avanço de um processo que foi construído com muito trabalho técnico, responsabilidade e transparência. Essa concessão vai permitir a renovação da frota, com ônibus novos, mais conforto, mais tecnologia e mais eficiência. Nosso compromisso é claro: melhorar o serviço para quem depende do transporte todos os dias”.

A Sancetur é controlada pela família Chedid, considerada poderosa nos transportes. Atua em mais de 20 cidades, em especial no interior e no litoral de São Paulo, mas também está em sistemas de outros estados, como na cidade do Rio de Janeiro. Com a marca SOU (Sistema de Ônibus Urbanos) ao lado do nome da cidade correspondente, tem ganhado cada vez mais espaço em licitações ou contratos emergenciais.

Recentemente, ia dar um dos passos mais ousados do Grupo Chedid, ao assumir a gigante operação da Transwolff, na capital paulista, com 1206 ônibus, 111 linhas e 555 mil passageiros por mês, na zona Sul. A Transwolff foi descredenciada do sistema de transportes da cidade de São Paulo após ter sido alvo de uma Operação do Ministério Público de São Paulo que investiga possível ligação da empresa, que surgiu da cooperativa Cooperpam, com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Mas após instabilidades na transição dos contratos, desistiu do negócio, que chegou a ser anunciado em fevereiro de 2026 pelo prefeito Ricardo Nunes. A onda de ataques a 1,5 mil ônibus em São Paulo que ocorreu entre junho e agosto de 2025 foi atribuída pela Polícia Civil a esta mudança contratual.

O Consórcio MOV Campinas é liderado pelo Grupo Belarmino, dono da VB Transportes, que já atua em Campinas.

O Consórcio VCP Mobilidade é composto também por empresas que atuam na cidade: Expresso Campibus Ltda (do Grupo NIFF, família Felício Yasbek e Viação Arujá) e Itajaí Transportes Coletivos (Camila Portela Redighieri Daher e Joubert Beluomini)

O Grupo Belarmino, que já atua nos transportes municipais de Campinas, tem como fundador o empresário português Belarmino de Ascenção Marta, é um dos maiores conglomerados do setor, em especial no Estado de São Paulo. Nascido em Vilar de Rei, na região de Trás-os-Montes, em Portugal; em 15 de agosto de 1937, Belarmino começou no ramo de transportes, na capital paulista, em 1961, juntamente com cunhado Antonio José Fonseca e amigos, fundando a Auto Viação Brasil Luxo.

A família de Belarmino possui controle total único, sociedade ou participação em empresas como: Sambaíba Transportes Urbanos (a segunda maior frota da cidade de São Paulo, com 1,3 mil ônibus), ConSor – Consórcio Sorocaba, Comercial Sambaíba de Viaturas, Empresa Bragantina de Varrição e Coleta de Lixo – Embralixo, Empresa São José, MoV Vinhedo – Rápido Sumaré, MoV Paulínia – Rápido Sumaré, MoV São João da Boa Vista – Rápido Sumaré, MoV Nova Odessa – Rápido Sumaré, MoV Louveira – West Side,  MoV Itu – West Side, MoV Avaré – West Side,  MoV Boituva – West Side,  MoV Sumaré – Viação Ouro Verde, MoV Monte Mor – Rápido Campinas, MoV Franca (no lugar da São José), Nossa Senhora de Fátima Auto Ônibus, Rápido Luxo Campinas, Rápido Sumaré, Transportes Capellini, ValleSul Transportes e Turismo, VB Transportes e Turismo, VBex Encomendas, VB Cargas, Viaje Mais, Viação Atual, Viação Avante, Viação Campo dos Ouros (Guarulhos-SP), Viação Itu, Viação Lira (LiraBus),  Viação Ouro Verde, Viação Transguarulhense, Vila Real Transportes e Serviços, West Side Viagens e Turismo, Monte Alegre Agência de Turismo, entre outras.

A licitação prevê contratos de 15 anos e valor total estimado em R$ 11 bilhões. Desse montante, R$ 1,7 bilhão deverá ser destinado à renovação da frota, com R$ 900 milhões aplicados nos cinco primeiros anos. Outros R$ 1,9 bilhão serão destinados a tecnologias embarcadas e melhorias em terminais e estações. Nos primeiros anos, devem ser incorporados ao menos 60 ônibus elétricos, além de veículos Euro 6, compatíveis com normas ambientais mais restritivas. Outras alternativas de combustível, como biometano, GNV e hidrogênio, também poderão ser adotadas. Toda a frota deverá ser acessível.

O sistema será dividido em dois lotes operacionais — Norte e Sul.

O edital inclui ainda a operação do sistema BRT, reformulado para funcionar como rede tronco-alimentada, ampliando a integração entre bairros, terminais e regiões da cidade. O PAI-Serviço também passa a integrar a concessão e deve ser modernizado com ampliação da capacidade e renovação dos veículos.

A bilhetagem eletrônica terá governança compartilhada entre Emdec e operadoras, por meio de uma SPE – Sociedade de Propósito Específico.

Há quase cinco anos, a prefeitura tenta uma nova concessão, mas o processo foi marcado por impugnações do TCE (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), ações judiciais e falta de interesse de concorrentes, como tem acompanhado o Diário do Transporte.

Numa das tentativas, por exemplo, ninguém apresentou proposta em 20 de setembro de 2023. Na ocasião, os contratos de 15 anos foram avaliados em R$ 8,2 bilhões.

Pelo aviso de consulta pública, assinado pelo Secretário de Transportes, Fernando de Caires Barbosa, assim como das outras tentativas, as linhas de ônibus serão divididas em dois lotes operacionais.

A bilhetagem eletrônica, o transporte para pessoas com deficiência com restrição severa de acessibilidade (PAI Serviço) e a conservação das estações de BRT (Bus Rapid Transit), passam a ser incluídas na concessão das viações.

Concessão comum da prestação e exploração do Serviço de Transporte Público Coletivo de Passageiros na cidade de Campinas/SP, dividida em 2 (dois) Lotes, envolvendo: serviço de transporte coletivo público na Modalidade Convencional; serviço de transporte para pessoas com deficiência e/ou restrição severa de acessibilidade (PAI Serviço); serviços nos terminais e nas estações do Bus Rapid Transit (BRT); e lote único para os serviços complementares de bilhetagem e de monitoramento.

A gestão previa, 200 ônibus elétricos entre os mais de 800 de frota total e a Bilhetagem seria de responsabilidade da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas).

Mas sobre a bilhetagem, o novo edital deve mudar, incluindo o serviço na concessão das viações, como já é hoje.

A bilhetagem eletrônica e da arrecadação do sistema atualmente está sob a responsabilidade das próprias empresas de ônibus.

Em uma das representações no TCE (Tribunal de Contas do Estado), as empresas de ônibus, pelo SetCamp, apontaram que queriam também operar as linhas que compõem a modalidade de serviço alternativo, executado por trabalhadores autônomos ou cooperados, que somam 256 permissionários. Estas linhas não estavam na licitação e o sindicato empresarial queria a inclusão na concorrência.

Relembre:

Ninguém apresenta proposta na licitação dos ônibus de Campinas (SP)

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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