Publicado em: 26 de fevereiro de 2026

Agenda apresentada no P3C em São Paulo detalha leilões, repactuações rodoviárias e metas ambientais para infraestrutura
ARTHUR FERRARI
O Ministério dos Transportes apresentou, durante o P3C 2026 – PPPs e Concessões: Investimentos em Infraestrutura no Brasil, um novo modelo de outorgas para o setor ferroviário, com previsão de oito leilões ao longo de 2026 e estimativa de R$ 140 bilhões em investimentos. O evento foi realizado nos dias 23 e 24, em São Paulo (SP), reunindo representantes do poder público, investidores e especialistas.
A proposta está estruturada na Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, lançada em dezembro de 2025. O instrumento define diretrizes de planejamento, governança e sustentabilidade, além de instituir um modelo de financiamento que combina recursos públicos e privados.
Durante o encontro, o secretário Nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro, declarou: “O novo modelo de concessões de ferrovias vai transformar o modal ferroviário do Brasil porque vai unir poder público e setor privado. Com a inovação, o país vai poder se inserir no mercado internacional com eficiência e produtividade”, afirmou Leonardo Ribeiro.
RODOVIAS
No segmento rodoviário, a pasta projeta 13 leilões em 2026. Até o término da atual gestão, a previsão é de que sejam realizadas 35 concessões, totalizando R$ 396 bilhões em investimentos na malha viária federal.
O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, afirmou durante o evento: “Temos uma agenda construída de concessões de rodovias federais para 2026, mas já contamos com parceiros e projetos em desenvolvimento para os anos seguintes. É uma carteira contínua, que garante a realização de uma sequência de leilões também nas próximas gestões. Esse planejamento mostra que as concessões não são uma política de governo, mas sim uma política de Estado”, destacou George Santoro.
Outra iniciativa destacada foi o Programa de Otimização de Contratos, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU). A medida busca reequilibrar contratos considerados “estressados”, com dificuldades financeiras e técnicas que impactam a execução de obras e serviços.
Segundo a secretária Nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, “Em 2023, cerca de 70% das obras mais relevantes estavam paralisadas. Tivemos a oportunidade de firmar nove acordos e destravar a sua execução. A renegociação permite a reativação imediata dos trabalhos, sem a necessidade de outro leilão ou de um processo de devolução amigável, que pode levar até três anos entre elaboração de projetos e licenciamento ambiental. O diálogo rompe essas barreiras e viabiliza a retomada dos investimentos”, pontuou Viviane Esse.
SUSTENTABILIDADE
O debate também incluiu mecanismos para incorporar critérios ambientais às concessões e parcerias público-privadas. O subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, Cloves Benevides, abordou a importância do setor no processo de descarbonização, destacando a relação entre os contratos de infraestrutura e as metas assumidas pelo Brasil nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e no Plano Clima.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte


