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Baixada Santista entra no radar das decisões que vão redesenhar os transportes até 2050


Plano estadual projeta novos eixos ferroviários, integração entre modais e estratégias para destravar gargalos logísticos na região que concentra R$ 79 bilhões do PIB paulista

ARTHUR FERRARI

Responsável por R$ 79 bilhões do Produto Interno Bruto (PIB) paulista, a Região Metropolitana da Baixada Santista passou a integrar oficialmente o conjunto de áreas analisadas pelo Plano Logístico Integrado do Estado de São Paulo para 2050. A apresentação dos estudos ocorreu em Santos (SP) e marcou a inclusão do território nas definições de longo prazo para a infraestrutura de mobilidade e escoamento de cargas.

O plano, denominado PLI-SP 2050, estabelece diretrizes para organizar investimentos públicos e privados com foco na articulação entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Na Baixada Santista, os levantamentos consideram alternativas para fortalecer a ligação entre o planalto e o litoral, ampliando a eficiência no acesso ao Porto de Santos e reduzindo a dependência do transporte rodoviário.

Entre as possibilidades em avaliação estão novos segmentos ferroviários com potencial logístico, capazes de ampliar a capacidade de movimentação de mercadorias e incentivar um modelo operacional com menor impacto ambiental. Os estudos permanecem na etapa de diagnóstico e devem subsidiar futuras decisões de investimento.

A Região Metropolitana da Baixada Santista é formada por Bertioga (SP), Cubatão (SP), Guarujá (SP), Itanhaém (SP), Mongaguá (SP), Peruíbe (SP), Praia Grande (SP), Santos (SP) e São Vicente (SP). O território reúne aproximadamente 1,8 milhão de habitantes e concentra atividades estratégicas para a economia estadual, especialmente nos setores portuário, logístico, comercial e turístico.

De acordo com o diagnóstico apresentado, o setor de serviços responde por 57,7% dos empregos formais da região, índice superior à média estadual. Santos (SP) lidera a geração de postos de trabalho, com 222 mil empregos formais e a maior relação entre vagas e população da Baixada. Ao mesmo tempo, foram apontados entraves como congestionamentos, restrições de mobilidade e pressão sobre a infraestrutura urbana.

O subsecretário de Logística e Transportes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Denis Gerage Amorim, afirmou: “Estamos mudando a forma de planejar infraestrutura em São Paulo. O PLI-SP 2050 combina escuta regional, base técnica e visão de futuro para transformar demandas locais em decisões responsáveis de investimento. Não é um plano de gabinete: nasce do diálogo com quem produz, transporta e vive a logística todos os dias”.

Para o diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Santos, Eduardo Barbosa, o alinhamento entre planejamento e realidade econômica é fundamental. “Quando o planejamento logístico dialoga com a realidade produtiva da região, ele gera eficiência, reduz conflitos e amplia a competitividade. A Baixada precisa de integração modal e previsibilidade para continuar crescendo de forma sustentável”, declarou.

O secretário de Governo de Santos (SP), Fábio Ferraz, também destacou a articulação entre diferentes níveis de gestão: “O Fórum é uma oportunidade para que os planos municipais e estaduais sejam alinhados com respeito ao interesse público, a sustentabilidade e as necessidades da população”.

A metodologia do plano organiza as etapas desde a caracterização socioeconômica até a projeção de demanda e definição da oferta futura de infraestrutura, com o objetivo de estruturar projetos de médio e longo prazo.

No âmbito das intervenções já executadas, o programa SP Pra Toda Obra concluiu, entre 2023 e 2025, R$ 65 milhões em serviços de conservação especial em 161,28 quilômetros de rodovias, incluindo as SP-055, SP-061 e SP-148, além de obras de contenção de encostas e recuperação estrutural. Há previsão adicional de R$ 3,6 milhões em novas intervenções. Também foram realizadas obras municipais que somam R$ 9,5 milhões.

Segundo Bruna Donegá, do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), “Os investimentos seguem critérios técnicos claros, priorizando segurança viária, prevenção de riscos e impacto socioeconômico. O SP Pra Toda Obra executa as intervenções necessárias no presente, enquanto o PLI-SP 2050 assegura que essas decisões estejam alinhadas a uma estratégia de Estado para o futuro ”.

As contribuições apresentadas no Fórum Regional da Baixada Santista passam a integrar as análises técnicas do plano, que já realizou encontros em Registro (SP), Sorocaba (SP), Ribeirão Preto (SP), Bauru (SP), Campinas (SP) e São José do Rio Preto (SP). O ciclo de escuta regional deve consolidar diretrizes que orientarão a política estadual de logística e transportes nas próximas décadas. A participação permanece aberta por meio do site oficial do programa.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte



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