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O que é o cinturão BMF e por que Charles do Bronx pode ser apenas o quarto dono dele


Max Holloway enfrenta Charles do Bronx no UFC 326 neste sábado (07), a partir das 19h (de Brasília), em luta válida pelo cinturão BMF. A cinta, cujo nome significa “Filho da Mãe mais Casca-Grossa”, em tradução livre, pode causar um estranhamento em quem não acompanha o esporte. Afinal, uma luta de MMA não serve sempre para definir quem é o mais durão?

No caso do UFC, é preciso entender que todas as decisões sempre estão intimamente ligadas com o lucro e o marketing dos negócios. O próprio cinturão BMF, até hoje, não é considerado um título “oficial” – no mesmo patamar das tão desejadas cintas douradas. Ainda assim, nos últimos anos, ele vem evoluindo, deixando de ser um artifício de marketing e se tornando algo cada vez mais desejado.

Mas se o significado e a relevância do cinturão ainda não ficaram claros, o ESPN.com.br reuniu as repostas e explicações para todas as perguntas que envolvem o inusitado título.

O que é o cinturão BMF?

Em termos práticos, é fácil dizer o que é o cinturão BMF: uma cinta prateada com a tão famosa sigla gravada em sua frente, no lugar onde geralmente está escrito UFC nos títulos mundiais. Mas o que ele de fato representa dentro da companhia?

A resposta para essa pergunta é a mais óbvia possível: a ideia do BMF é ser um “certificado” de qual é o lutador mais casca-grossa do mundo, sem mais. Mesmo assim, o cinturão ainda habita um espaço não muito claro dentro da maior companhia de MMA do mundo.

Ao contrário do título mundial de cada categoria – que tem regras específicas e muito claramente define quem é o campeão mundial de cada peso – o BMF surgiu em uma mistura de marketing com esporte, por isso até hoje traz consigo expectativas e significados confusos.

Por que medir quem é o lutador mais durão da divisão? E o quanto isso vale de fato? Além disso, o que o atleta precisa fazer para provar que é tão casca-grossa?

Uma das poucas constantes do cinturão até aqui é a expectativa que ele traz quando é disputado: um lutador não pode entrar num embate pelo BMF pensando na decisão ou na própria preservação. É preciso entrar em um acordo de violência mútua: machucar sem ter medo de sofrer dano. A vitória nunca pode ser meramente protocolar. A prioridade é o espetáculo.

Talvez a forma mais simples de entender o cinturão seja essa: o valor dele está em comprovar que você é capaz de fazer uma luta emocionante para os fãs. Além disso, ele se torna uma forma de colocar ainda mais pressão nos atletas para que esse entretenimento seja entregue.

A ideia de “durão” em si, entretanto, ainda não é tão consolidada assim. Historicamente, e até a última disputa dele, a expectativa era que um lutador casca-grossa fosse um striker violento. Inclusive, o cinturão nunca esteve nas mãos de alguém que se identificasse primariamente como um grappler.

Isso tudo pode mudar no sábado. Charles do Bronx entra na disputa do BMF sendo sim um exímio trocador, mas tendo como carro chefe um jiu-jitsu sufocante que o fez ser o líder de vitórias por submissão no UFC, com 17. O brasileiro chega com a expectativa de mostrar um novo significado para o termo “casca-grossa”, podendo criar um legado inédito com o cinturão.

Por que e quando ele foi criado?

O cinturão BMF deu as caras pela primeira vez no UFC 244, quando ele foi disputado entre Nate Diaz e Jorge Masvidal, em Nova York, em novembro de 2019. Os dois participantes do embate, inclusive, são o ponto fundamental para entender de onde surgiu a ideia do título.

O crédito para a criação do BMF pode ir quase inteiramente para Nate Diaz. Após vencer Anthony Pettis no UFC 241, o americano deu uma agora icônica entrevista pós-luta, desafiando Masvidal para um embate muito peculiar.

“Estamos lutando pelo Cinturão do Filho da Mãe Mais Casca-Grossa desse jogo, e ele é meu. Gostaria de defendê-lo contra Jorge Masvidal.”, disse Diaz ainda no octógono.

E a sugestão pareceu agradar a companhia e os fãs. Nate, conhecido por seu estilo “louco”, inconsequente e muito emocionante, encarna o personagem de durão ao lado de seu irmão Nick desde que entrou no Ultimate.

O desafio claro criou um certo hype para a luta, e assim, ela foi marcada para o evento principal do UFC 244. Entretanto, apesar de alegar já ser dono desse cinturão quando desafiou Masvidal, foi Nate que levou a pior no embate pelo título.

A luta entretanto não entregou tudo que prometeu. Jorge pressionou Nate cedo, balançando seu adversário e encaixando golpes duríssimos. Diaz resistiu, deu seu típico show, mas acabou a luta de forma anti-climática.

Após o fim do terceiro round, a luta foi finalizada a pedido dos médicos, que acharam que Diaz não poderia continuar no embate após sofrer um corte acima do olho direito. Assim, o ator Dwayne “The Rock” Johnson subiu no octógono e colocou o novo cinturão ao redor da cintura de Masvidal.

Quantas pessoas já foram donas do cinturão BMF?

Apenas três lutadores já conquistaram o título de BMF no UFC. Em ordem: Jorge Masvidal, Justin Gaethje e Max Holloway.

Qual a história da disputa do BMF?

Após a anti-climática vitória de Masvidal, o título desapareceria por um tempo, sendo praticamente esquecido. Entretanto, em 2023, quatro anos depois da criação dele, o BMF voltaria a dar as caras em um duelo bombástico: a revanche entre Justin Gaethje e Dustin Poirier.

A luta, marcada para o evento principal do UFC 291, foi por uma rota diferente da primeira e entregou o que a premissa do cinturão pedia: um momento de tirar o fôlego.

Ainda no segundo round, Justin encaixaria um chute alto avassalador na cabeça de Poirier, estatelando seu oponente e conquistando o cinturão em estilo. Após acertar o seu já característico mortal de cima da grade na comemoração, o BMF seria entregue a Gaethje pelas mãos do próprio Masvidal.

A partir daí, o cinturão finalmente começaria a ganhar alguma legitimidade. Inclusive, depois do nocaute absurdo de Gaethje, o BMF iria parar no maior palco da história do esporte até então: o UFC 300, em Las Vegas.

No maior evento da história do Ultimate, a disputa do BMF entre Justin e Max Holloway foi colocada logo antes do co-evento principal da noite, ganhando um notável destaque na promoção da noite que prometia ter três cinturões em jogo.

Quando o octógono da T-Mobile Arena foi fechado, o nocaute de Gaethje em Poirier, por mais absurdo que fosse, acabaria ficando esquecido. Após um verdadeiro show de Holloway em cinco rounds, que chegou a quebrar o nariz de Justin, um dos maiores highlights da história do esporte nasceria.

Mesmo muito claramente ganhando a luta nos cards dos juízes, Holloway deu uma última oportunidade para que Justin saísse vitorioso do embate: Max apontaria para o chão nos últimos 10 segundos da luta e convidaria Gaethje a encerrar a noite numa trocação franca.

A partir daí, Holloway encaixaria um soco no último segundo de luta que apagaria seu Justin, entrando para a história do MMA e conquistando o cinturão BMF (e, junto com ele, uma chance de desafiar Ilia Topuria nos penas).

Mesmo que Holloway tenha perdido para Ilia Topuria quando retornou aos penas, seu posto como BMF seguiu intacto, já que ele havia sido conquistado nos leves. Com isso, Max então teria luta marcada com Dustin Poirier – que se aposentaria após o embate – no UFC 318.

O embate, mais uma vez, entregou o que se esperava do cinturão. Apesar da luta ter acabado em uma vitória por decisão unânime de Holloway, sem o tão desejado nocaute, os dois lutadores trocaram knockdowns e fizeram um embate sangrento para a despedida do “Diamante”.

Agora, chega a vez do cinturão ser colocado em jogo pela quinta vez, quando Charles do Bronx tenta se tornar apenas o quarto homem a ter a distinção de ser considerado o mais casca-grossa de sua categoria.

Existe um BMF em todas as divisões?

Atualmente, só existe um título BMF no mundo, e ele pertence a Max Holloway – que atualmente luta na categoria do peso leve. Mesmo que não haja prospectos para a criação do cinturão em outras categorias, diversos lutadores já demonstraram interesse na alcunha.

O próprio Ilia Topuria, que venceu Max nos penas quando ele já era dono do título, comprou para si um cinturão BMF e se vendeu antes e após da luta como um campeão da honraria, mesmo nunca tendo sido oficialmente reconhecido.

Jean Silva, também dos penas, já manifestou mais de uma vez sobre o interesse que teria no cinturão, inclusive já tendo desafiado Holloway. “Eu quero o BMF. Ele pode estar com o Fiziev, que se ele quiser sair na mão comigo, eu vou lá buscar. O BMF é a minha cara”, disse o “Lord” em exclusiva para a ESPN Brasil.

Já houve algum campeão que também era BMF?

Como demonstrado na linha do tempo do cinturão, ainda não houve alguém que foi dono simultaneamente do título mundial e de BMF. Entretanto, esse momento pode estar cada vez mais próximo.

Com as lutas de Holloway trazendo cada vez mais hype ao título, principalmente devido aos highlights que ocorrem nelas, o cinturão tem ganhado cada vez mais importância e legitimidade na divisão.

Para além do cinturão em si, uma luta entre Max e Charles no atual momento da carreira de ambos já ajudaria a posicioná-los próximos a um title shot, mesmo sem o BMF envolvido. Somado a isso, o atual campeão dos leves é Topuria, alguém que se encaixa perfeitamente na proposta da cinta prateada.

Por isso, mesmo que Topuria ainda tenha que enfrentar Justin Gaethje, campeão-interino da divisão, e também almeje medir forças com Islam Makhachev, a chance de que Ilia queira concluir seu desejo anterior de ser o “BMF” é grande.

Somado a isso, tanto Max quanto Charles já perderam para Topuria, o que ainda adicionaria uma narrativa de “vingança” ao embate. Por isso, não estranhe caso vejamos em breve um “duplo-campeão” dos leves, como o título mundial e o BMF envoltos ao redor da cintura.



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