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Governo Federal divulga documentos do Plano Clima do Brasil com ônibus elétricos. Transformar coletivos a diesel (retrofit) está entre propostas


Ônibus que era a diesel, mas hoje roda com eletricidade, entre o ABC Paulista e a cidade de São Paulo

Documento foi disponibilizado nesta sexta-feira (13) e traz metas de reduções de impactos ambientais por diversos setores

ADAMO BAZANI

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Governo Federal, divulgou nesta sexta-feira, 13 de março de 2026, os documentos que compõem o Plano Clima 2024–2035, com metas de reduções de impactos ambientais por diversos setores.

No caso de ônibus urbanos-metropolitanos e micro-ônibus, a meta é de redução de poluição de até 42% de MTCO2e – Tonelada Métrica de Dióxido de Carbono Equivalente.

No Plano Setorial Cidades, entre as medidas propostas está a ampliação da frota dos ônibus menos poluentes nos sistemas de transportes urbanos e metropolitanos, com foco para os modelos elétricos e movidos a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos.

Transformar ônibus a diesel que estão em operação em elétricos pode ser um dos caminhos, de acordo com o documento, que também sugere a criação de linhas de financiamento específicas para estimular este tipo de conversão.

Descarbonizar veículos tipicamente utilizados em áreas urbanas: prioriza a eletrificação e a substituição de combustíveis fósseis em ônibus, veículos de serviços públicos e logística urbana, com destaque para biometano, hidrogênio verde e veículos elétricos – diz trecho do documento ao qual o Diário do Transporte teve acesso.

No transporte urbano, a descarbonização do transporte privado tende a avançar com a maior penetração de veículos elétricos, híbridos e movidos a biocombustíveis, impulsionada por regulações ambientais, restrições à circulação de veículos a combustão e incentivos à eletromobilidade (IEA, 2022). No transporte público, espera-se a substituição progressiva das frotas movidas a diesel por tecnologias de baixa ou zero emissão, a exemplo de ônibus elétricos e movidos a biometano, hidrogênio verde e outras fontes renováveis, como já demonstrado por iniciativas em São Paulo, Salvador e Brasília (C40 Cities, 2023). – relata outro trecho

Na página 19 do Setorial Cidades chama a atenção uma das propostas de ações.

Até 2028, concluir estudos para a viabilidade de transformar ônibus a diesel já em operação em elétricos

Ação estruturante – CID.E.14 Converter ônibus a diesel para ônibus elétricos (retrofit elétrico)

Resultado Esperado: Até 2028, um estudo para avaliar viabilidade de retrofit de modelos de ônibus a diesel desenvolvido

Prazo para conclusão: 2028

Nas páginas 77 e 115, o documento volta a relacionar meta:

A ação consiste na adaptação tecnológica de ônibus urbanos originalmente movidos a diesel, por meio da substituição do motor a combustão por sistemas de tração elétrica. O retrofit elétrico representa uma rota de descarbonização mais rápida e potencialmente mais econômica para a renovação da frota existente, contribuindo para a redução imediata de emissões e de ruídos urbanos. Além disso, promove a valorização de ativos existentes e a extensão da vida útil de veículos, em consonância com os princípios da economia circular.

Na página 116, o documento sugere, com a conclusão dos estudos em 2028, a criação de linhas de financiamento somente para este retrofit, além de capacitação profissional para este tipo de trabalho.

Definir critérios técnicos de segurança, eficiência energética e homologação para veículos convertidos; Criar linhas de crédito específicas para retrofit de ônibus em operação; Capacitar oficinas e operadores locais para execução e manutenção de retrofits; Incentivar projetos-piloto em frotas municipais ou consorciadas

Este procedimento é conhecido como retrofit elétrico ou retrofit ecológico e já tem exemplo prático no Brasil desde 2011.

A Eletra Industrial, de São Bernardo do Campo (SP), desenvolveu uma tecnologia nacional que deu sobrevida a veículos a combustão, transformando em modelos não poluentes na operação.

Na primeira geração, em 2011, seis ônibus articulados a diesel, fabricados em 2001, foram transformados em trólebus e rodam até hoje no corredor que liga São Paulo ao ABC Paulista.

Na mais recente geração, dez ônibus articulados a diesel, ano 2008, cujo padrão de motor era o Euro 3, que é até 20 vezes mais poluente que os atuais ônibus a diesel Euro 6, dependendo do material a ser analisado, estão sendo convertidos.

O Diário do Transporte andou em um deles.

Relembre:

A fabricante diz que os custos de aquisição e de operação destes veículos podem ser cerca de 30% menores que um modelo 0 km.

INFRAESTRUTURA E TRILHOS:

Além dos veículos em si, integra o Setorial Cidades do Plano do Clima até 2035, um conjunto de investimentos para melhorar a infraestrutura destinada ao transporte coletivo, com a construção de BRTs e corredores expressos comuns, além da ampliação de redes de trilhos, em especial, metrôs e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos).

Um dos instrumentos para isso, diz o documento, é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Modalidade Grandes e Médias Cidades: Contempla investimentos em infraestrutura de transportes de alta e média capacidade (metrôs, trens urbanos, VLTs, BRTs, corredores de ônibus) para reduzir o tempo de deslocamento e melhorar a qualidade de vida. O programa promove inovações em gestão, regulação e tecnologia, incluindo o uso de energias renováveis para reduzir emissões de CO2 . A carteira de mobilidade urbana do PAC inclui investimentos públicos, privados e PPPs. O projeto “Acelerando o acesso a soluções de mobilidade urbana de baixo carbono através da digitalização” visa reduzir emissões de gases de efeito estufa em áreas urbanas de seis países da América Latina.

Modalidade Renovação da Frota: Contempla investimentos na aquisição de ônibus elétricos e veículos sobre trilhos para renovar a frota e equipamentos do transporte urbano brasileiro. A modalidade Renovação de Frota integra eficiência energética e baixo consumo de combustível para melhorar o atendimento à  opulação, contribuindo com a redução das emissões de CO2  e com a qualidade de vida nas cidades brasileiras

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 



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