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Após Detro-RJ guinchar ônibus da prefeitura do Rio de Janeiro, acordo garante três linhas experimentais do BRT Metropolitano


Foto: Gabriel de Paiva

Rivalidade política entre prefeito Paes e governador Castro afetou transportes. Operação vai ser parcial

ADAMO BAZANI/VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Após as cenas que ficaram para a história da mobilidade no Rio de Janeiro, de o Governo do Estado, por meio do departamento de transportes – Detro-RJ, ter rebocado um ônibus da prefeitura, que fazia a linha 77- Praça João Luiz Nascimento, em Mesquita, e o Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, na capital, na manhã desta segunda-feira, 16 de março de 2026, gestões estadual e municipal entraram num aparente acordo provisório.

Três linhas experimentais farão a conexão entre Mesquita, na Baixada Fluminense, e o Terminal Margaridas, em Irajá, na capital.

De acordo com o Detro-RJ, em resposta aos questionamentos do Diário do Transporte, serão 15 ônibus em circulação, das 9h às 15h30, com a tarifa estabelecida em R$ 6,70.

Antes e após estes horários, as linhas voltarão a circular até a Central do Brasil.

Ainda na nota ao Diário do Transporte, o departamento informou que a iniciativa “é fruto de estudos do Detro-RJ, com vistas à licitação das linhas intermunicipais, que vai ocorrer pela primeira vez no Estado”.

“O órgão destaca, ainda, que estuda a integração de outros municípios com o Terminal Margaridas, que foi construído para ligar o município do Rio com diferentes cidades”, complementa.

O órgão da gestão do governador Claudio Castro também informou ao Diário do Transporte que “a iniciativa também é fruto de estudos do Detro-RJ, com vistas à licitação das linhas intermunicipais, que vai ocorrer pela primeira vez no Estado”.

Apesar dos argumentos técnicos de que ônibus de um município não podem operar em outro, o pano de fundo de toda a polêmica é a rivalidade política entre o prefeito da capital, Eduardo Paes, que deve tentar o Governo do Estado nas eleições 2026, e a o governador Claudio Castro.

Como noticiou o Diário do Transporte, o Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes foi inaugurado no último sábado (14) com a proposta de facilitar a circulação de passageiros entre a capital e cidades da região metropolitana. Além da linha 77, o local conta com as linhas 70, no serviço parador, e 73, no serviço expresso, ambas com destino ao Terminal Gentileza.

Relembre:

O terminal também passou a receber linhas alimentadoras que ampliam as possibilidades de integração com o sistema BRT, atendendo diferentes bairros da cidade.

A inauguração do terminal foi um dos últimos atos públicos da secretária de transportes de Paes, Maína Celidonio, que teve a exoneração oficializada nesta segunda-feira (16), apesar de o anúncio ter sido feito em 09 de março de 2026, como também mostrou o Diário do Transporte. A permanência de Celidonio no cargo para a inauguração, em 14 de março de 2026, não foi a toa e é vista como um recado de poder de Paes.

Relembre:

As relações entre Detro-RJ (Estado) e Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro (capital) em torno do BRT vêm tensas de alguns meses já.

A reportagem do Diário do Transporte tem mostrado a situação.

Em 12 de fevereiro de 2026, o Detro-RJ notificou pela vez a então secretária dos transportes municipais da capital, Maína Celidônio, por suposta invasão de competência. Um ofício já tinha sido mandado pela autarquia estadual no dia 27 de janeiro de 2026.

Após “rodar e treinar linhas com veículos descaracterizados da Mobi.Rio”, o departamento estadual recebeu denúncia de que prefeitura já estaria convocando empresas das cidades vizinhas para integração com o BRT Municipal “passando por cima” da competência do Estado

Segundo o documento oficial, ao qual o Diário do Transporte teve acesso, o presidente do Detro, Raphael Salgado, cobra da secretária da gestão do prefeito Eduardo Paes, explicações sobre denúncias de empresas de ônibus de Nova Iguaçu, na região metropolitana, de que veículos da empresa da prefeitura da capital, Mobi.Rio, com funcionários públicos, estariam fazendo treinamento e reconhecimento de linha na cidade vizinha à capital.

Relembre:

 

BRT METOPOLITANO DO RIO DE JANEIRO:

A promessa é de início da operação da primeira fase do BRT Metropolitano do Rio de Janeiro neste primeiro semestre de 2026. Mas, todo o sistema deve estar em pleno funcionamento somente entre 2028 e 2029.

O sistema integrado deve servir a capital e os municípios de Belford Roxo, Japeri, Mesquita, Nilópolis, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados e São João do Meriti, na Baixada Fluminense.

Segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, mais de 1 milhão de pessoas se deslocam entre diversos meios de transporte da Baixada Fluminense para a capital todos os dias. Somente de ônibus, são cerca de 200 mil pessoas que vêm para o Centro da cidade do Rio, provenientes da Rodovia Presidente Dutra, em 34 linhas intermunicipais, com cerca de 299 ônibus, pagando tarifas que variam de R$11,15 até R$ 17,95. Muitos gastam até quatro horas do dia no percurso de ida e volta para o trabalho. A promessa é a criação do BUM (Bilhete Único Metropolitano) que vai permitir que o passageiro pague uma só tarifa em diferentes meios de transportes, integrando com um mesmo valor, menor que os atuais, os ônibus que saem das cidades vizinhas da capital e o sistema municipal fluminense, incluindo os outros corredores BRTs locais, os ônibus comuns e o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).

 A criação do BRT Metropolitano dará mais agilidade para o cidadão, com redução de tempo de viagem vai diminuir em cerca de 300 ônibus intermunicipais paradores, que trafegam diariamente na Avenida Brasil, pela proposta. Ou seja, todas as linhas intermunicipais que chegam até o centro do Rio de Janeiro vão ser cortadas no Terminal Margaridas, onde os passageiros terão de descer e seguir nos ônibus de responsabilidade da capital.

O Terminal Margaridas fará a ligação com redução de até 50% no tempo de viagem – entre a Baixada Fluminense e o sistema de BRT, promete a gestão Paes.

Além disso, o Terminal Margaridas terá em sua infraestrutura uma garagem para inspeção e abastecimento dos ônibus, com 1,2 mil metros quadrados, e um galpão de lavagem de 750 metros quadrados.

 O planejamento inclui a construção de terminal para desembarque dos ônibus alimentadores e uma plataforma de embarque de 3,2 mil metros quadrados, com acesso exclusivo para o BRT com 478 metros quadrados. Haverá sanitários, passarela de pedestres, estrutura acessível e pátio planejado para organização e eficiência da operação.

BRTs METROPOLITANOS NO RIO DE JANEIRO, PROMESSAS ANTIGAS:

Já em 2015, o Diário do Transporte mostrava que o estado do Rio de Janeiro já tinha planos de estruturas os transportes metropolitanos com eixos para ônibus de maior capacidade e velocidade (BRT – Bus Rapid Transit).

Na ocasião, foram anunciadas perspectivas de nove ligações.

Destes nove BRTs, quatro seriam nas regiões de Niterói e São Gonçalo, com ligações, por exemplo, entre a BR 101 e terminal Manilha, terminal Araribóia e terminal Alcântara, Tiboró e Maricá. Além destes espaços, foi apresentado um BRT cujo percurso compreende a ponte Rio – Niterói.

Para a Baixada Fluminense, foram apresentadas quatro propostas que incluem ligações até Petrópolis, entre Belford Roxo e Duque de Caxias, pela Via Light e rodovia Presidente Dutra.

Relembre:

BRTs METROPOLITANOS: CAMINHOS PARA MOBILIDADE E PARA GOVERNADORES CONSEGUIREM VERBAS FEDERAIS:

Ao Diário do Transporte, em novembro de 2025, o ministro das Cidades, Jader Filho, disse que uma das prioridades do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para 2026 serão os BRTs Metropolitanos em diversas partes do País e usou exemplo do sistema recém-implantado em Belém e cidades vizinhas.

Organismos de financiamento internacionais como a JICA, Agência de Cooperação Internacional do Governo Japonês, que coordena Assistência Oficial ao Desenvolvimento, inclusive em outros Países.

O então embaixador japonês, Teiji Hayashi, que esteve em Belém (PA), no dia 19 de novembro de 2025, disse que a JICA deve financiar mais sistemas de corredores de ônibus rápidos que ligam diferentes cidades no Brasil, os chamados BRTs (Bus Rapid Transit) Metropolitanos, devido a inclusão econômica e social que este tipo de infraestrutura de transportes pode proporcionar, além de melhorar os deslocamentos em si.

Relembre:

Em cobertura à COP30, em Belém, o Diário do Transporte visitou o sistema de ônibus e conversou com o diretor-geral da Arcon (Agência de Regulação de Serviços Públicos do Governo do Pará), Eduardo de Castro Ribeiro, que disse que a inclusão social com o BRT Metropolitano da região se deu porque das cidades de Santa Isabel, Santa Bárbara do Pará e Castanhal não havia ligação metropolitana alguma com a capital. As pessoas gastavam quase R$ 40 para se deslocar em vans inseguras para terem acessos a emprego, renda, lazer, educação e serviços de saúde mais aprimorados, disponíveis apenas em Belém.

Além disso, segundo Ribeiro, as obras do BRT Metropolitano de Belém permitiram uma readequação da BR-316, por onde passa, eliminando cruzamentos perigosos com passagens subterrâneas e passarelas. O trecho chegou a ser considerado um dos mais letais em rodovias do Brasil.

Relembre:

Ainda na cobertura do Diário do Transporte à COP30, o Ministro das Cidades, Jader Filho, disse que justamente pela carência de mobilidade com mais qualidade em ligações entre diferentes cidades numa mesma região e pelo caráter de integração e inclusão que estes sistemas podem ter, os BRTs Metropolitanos estão entre os focos de financiamento, estudos e planejamentos da pasta e que modelo de Belém deve ser replicado pelo país.

Relembre:

A presidente da Eletra Industrial, Milena Romano, que forneceu os veículos elétricos do sistema, os mesmos que foram usados para os transportes oficiais de delegações na COP30, afirmou que a empresa não somente vendeu os ônibus, mas auxiliou em todo o projeto de eletrificação dos transportes metropolitanos do Pará, que começou do zero.

Por ter origem em um grupo operador de transportes de 115 anos, com forte atuação em corredores metropolitanos, inclusive no Corredor ABD, que foi ‘case’ também na COP30, a Eletra tem todo o conhecimento, não apenas dos veículos, mas técnico de implantação e como melhor operar os BRTs elétricos Brasil afora” – disse

A empresária completou também que o fato de os ônibus serem elétricos contribuem ainda mais para o cidadão se sentir incluído.

“A ligação por ônibus rápidos, por si só, já traz vantagens enormes e dá acesso ao cidadão a serviços básicos. Os modelos elétricos ampliam o bem-estar do cidadão. São veículos não poluentes, que trepidam bem menos, quase não geram ruídos, têm ar-condicionado. O cidadão precisa se sentir valorizado nos transportes públicos. Quando os ônibus elétricos são feitos no Brasil, como os da Eletra, há outros ganhos essenciais: é emprego, renda, oportunidade e arrecadação gerados aqui no Brasil” – complementa Milena Romano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes 



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