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a trajetória global da Prodata e a força silenciosa por trás de sua tecnologia


Da esquerda para a direita: Lieven Gryp, projetos e desenvolvimento internacional; Alexandre Pelegi, jornalista; Cassiano Rusycki, Mais.Mobi; Ewa Szczutowska, diretora; Dirk Leys, área financeira; Franky Carbonez, presidente e fundador; Helena de Backer, advogada

Com mais de cinco décadas de história, empresa reforça seu posicionamento global e inaugura nova fase estratégica após integração com a Mais.Mobi

ALEXANDRE PELEGI, DIRETO DA BÉLGICA

Reconhecida no Brasil por sua atuação em tecnologia para o transporte público, a Prodata construiu uma trajetória que vai muito além: uma história global, marcada por inovação e presença internacional.

Fundada em 1971, na Bélgica, a trajetória da Prodata está profundamente ligada à tecnologia e à inovação. O que começou como a iniciativa de um engenheiro atento ao surgimento dos microprocessadores se transformou, ao longo das décadas, em uma empresa com atuação global, presente em vários continentes.

Alexandre Pelegi viajou na quinta-feira, 19 de março de 2026 a Zaventem, sede da Prodata na Bélgica, para entrevistar seu presidente e fundador Franky Carbonez.

Eu comecei sozinho, em 1971”, relembra o fundador e presidente da Prodata. “Trabalhei alguns anos antes, inclusive na Siemens, e estava muito entusiasmado com o futuro da eletrônica. Naquele momento, os microprocessadores estavam começando a surgir. Eu via claramente que aquilo iria mudar tudo. Era o início de uma nova era, e eu quis construir algo baseado nisso.”

Essa visão rapidamente se traduziu em inovação. Em vez de seguir o modelo dominante da época, baseado em grandes estruturas computacionais, a Prodata apostou em soluções mais compactas, eficientes e acessíveis.

Durante a entrevista, essa origem ganha forma na própria sede da empresa, onde uma das primeiras máquinas desenvolvidas pela Prodata, ainda na década de 1970, segue preservada como símbolo desse início.

Franky Carbonez, ao lado de uma das primeiras máquinas desenvolvidas pela Prodata nos anos 70

Essa foi uma das primeiras máquinas que fizemos, por volta de 1975. Enquanto os concorrentes trabalhavam com estruturas enormes, nós fomos na direção oposta: criamos algo pequeno, funcional e mais eficiente. Quando apresentamos, eles entenderam rapidamente o valor e foi assim que conquistamos um grande projeto”. Ali, ficou claro: não era sobre tamanho, era sobre visão e tecnologia.

Era o início de uma nova era, e eu queria construir algo baseado nisso”, relembra Franky.

Uma presença global construída pela engenharia

A atuação internacional da Prodata começou cedo, não como expansão oportunista, mas como uma decisão estratégica.

A Bélgica é um país pequeno”, observa Carbonez. “Então, desde cedo, minha ambição era ir para fora.” O movimento se concretizou a partir de um convite para um grande projeto em Melbourne, na Austrália, marcando o início de uma expansão consistente.

Ao longo das décadas, a Prodata consolidou presença em toda a Europa, especialmente na Escandinávia, além de projetos relevantes na Holanda, França e Itália. Na Ásia, também marcou presença em mercados estratégicos como Hong Kong e Taiwan. Na África, implantou sistemas em BRTs em cidades como Joanesburgo, Dar es Salaam e Accra.

Na América Latina, teve papel pioneiro no Brasil. “Em junho de 1991, durante o congresso da UITP, em Estocolmo, conheci João Ronco Júnior, então executivo do grupo Villares. Na sequência, a empresa implementou, em Santos, o primeiro sistema contactless da região, consolidando sua presença no mercado brasileiro, com abertura da sua filial Prodata Mobility Brasil”, relembra Carbonez.

Essa trajetória foi construída com base em uma lógica: desenvolvimento próprio e adaptação às necessidades de cada operação.

Mais do que escala, o diferencial está na base técnica. A Prodata domina todo o processo de hardware a software e integração, o que garante flexibilidade e velocidade na entrega de projetos complexos, especialmente em cenários que exigem soluções sob medida. Um exemplo recente é a implementação de um sistema nacional completo na Dinamarca, concluída em cerca de um ano.

Lieven Gryp, responsável por projetos e desenvolvimento internacional da empresa, sintetiza: “Somos, acima de tudo, uma empresa de engenharia. Não trabalhamos com soluções prontas e nos desenvolvemos de acordo com a necessidade de cada cliente, com toda a tecnologia dentro de casa.”

Do Cartão físico ao ecossistema digital

O futuro da mobilidade, segundo Gryp, está ligado a uma mudança estrutural no modelo de bilhetagem.

O cartão físico vai desaparecer”, afirma. “Primeiro será substituído por cartões bancários e smartphones. Depois, por tecnologias biométricas.”

A empresa já trabalha com soluções baseadas em Account-Based Ticketing (ABT), arquitetura em microservices e plataformas totalmente web. “O futuro é um sistema central único”, explica. “Você mantém um núcleo comum e adapta para cada cidade ou país.”

O maior custo não está no validador”, ressalta Gryp. “Está nos canais de venda, emissão de cartões, distribuição, gestão. Se eliminarmos isso, o sistema se tornará muito mais eficiente.”

Valor além do preço

Um dos pontos centrais da conversa foi a distinção entre preço e valor.

“Existe uma diferença entre preço e valor”, destaca Dirk Leys, responsável pela área financeira da Prodata. “Valor não é apenas o que você compra, é o que acontece no dia seguinte, e nos anos seguintes.”

Essa lógica se reflete na continuidade dos projetos. “Mantemos sistemas durante décadas e continuamos a evoluí-los”, afirma Gryp. “Não trabalhamos como fornecedor e cliente em lados opostos, atuamos como um único time”, faz questão de ressaltar o executivo.

Brasil: integração e reposicionamento

O encontro realizado na sede da Prodata, em Zaventem, na Bélgica, contou também com a participação de Cassiano Rusycki, Diretor Executivo da Mais.Mobi, cuja integração ao grupo marca um novo capítulo.

Segundo Rusycki, a integração amplia o posicionamento da companhia. “Estamos unindo engenharia profunda com capacidade de execução, o que nos permite entregar soluções completas, da infraestrutura à inteligência de dados.”

Rusycki também destaca o impacto no Brasil: “O Brasil entra em um momento em que tecnologia, transparência e eficiência serão centrais e estruturas integradas como essa passam a ser essenciais.

E completa: “A grande mudança é que agora conseguimos oferecer tudo de forma conectada. Isso muda completamente o jogo.”

Uma história construída com visão e continuidade

Ao olhar para a trajetória da empresa, Carbonez reforça que o crescimento da Prodata nunca esteve baseado apenas em escala, mas em consistência.

Nunca quisemos ser apenas grandes. Sempre quisemos fazer as coisas bem feitas.”

Agora, segundo ele, a empresa entra em um novo momento.

Temos uma longa história, mas isso é passado. Hoje temos uma equipe estruturada, forte e o futuro está com eles.”, completa Franky Carbonez.

João Ronco Junior, presidente da Prodata Mobility Brasil, não viajou à Bélgica para a entrevista, mas foi ouvido pela reportagem logo após o encontro. Ronco acrescenta que, no momento em que a empresa celebra 35 anos de atuação no país, a compra da Mais.Mobi marca o início de um novo capítulo para o grupo.

Durante a aquisição, contamos com o apoio total da Prodata Mobility e de seu fundador, Franky Carbonez que está totalmente alinhado à visão global da companhia. Unimos nossa experiência acumulada ao longo de décadas com novas capacidades de execução e inovação, escrevendo mais uma parte da nossa história, prontos para transformar a mobilidade e impulsionar o futuro com soluções completas e confiáveis”, finaliza Ronco Junior.

Trajetória global e inovação contínua impulsionam novas conexões na mobilidade

Para Cassiano Rusycki, que participou do encontro com o time diretivo da Prodata na Bélgica, a trajetória da empresa é um exemplo raro de consistência e inovação tecnológica. “É impressionante notar que a empresa atua como uma solução robusta para o mercado europeu desde 1971, vários países , além do Brasil que acumula uma experiência de 35 anos de operação. Essa solidez me motiva e abre um horizonte de oportunidades para interagirmos com diversas cidades e países ao redor do mundo. Afinal, embora os contextos mudem, o desafio central é universal: como facilitar a mobilidade do passageiro”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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