Publicado em: 24 de março de 2026

Projeto de extensão da linha até Taboão da Serra avança para incorporar 50 mil passageiros ao sistema; mais de 300 pessoas já foram contratadas dentro do pacote de 4 mil empregos diretos e indiretos que serão gerados ao longo do empreendimento
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
A extensão da Linha 4-Amarela rumo a Taboão da Serra inicia hoje a etapa de escavações. Após as fases de planejamento, contratação e preparação técnica da obra, o empreendimento avança para uma nova etapa de implantação com a abertura das estruturas subterrâneas. Os projetos executivos, por sua vez, seguem sendo elaborados, revisados e aprovados ao longo da execução do empreendimento. O projeto, que marca a primeira vez que o metrô atravessa os limites da capital paulista, segue o cronograma previsto para entregar 3,3 km de novos túneis e duas novas estações. Ao todo, serão mais de R$ 4 bilhões investidos na extensão.
Nesta etapa, as atividades incluem implantação de canteiros, demolições, abertura de acessos técnicos e preparação dos terrenos onde serão construídas as novas estações e demais estruturas operacionais. Ao todo, a obra contará com sete canteiros, sendo um já em operação em Taboão da Serra, enquanto outras frentes seguem em implantação ao longo do traçado.
A iniciativa representa um marco para o sistema metroviário estadual, que desde sua implantação concentrou estações exclusivamente no território da capital. Com cerca de 274 mil habitantes e uma das maiores densidades demográficas do país, Taboão da Serra passa a integrar diretamente a malha de transporte de alta capacidade. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o município é atualmente a cidade mais densa do Brasil, com 13.416 habitantes por km², o que reforça a importância da ampliação da oferta de transporte estruturante na região.
Para o CEO da plataforma de trilhos da Motiva, André Salcedo, o início desta etapa reafirma o compromisso com a mobilidade metropolitana e a qualidade de vida da população. “Levar a Linha 4-Amarela até Taboão da Serra significa estruturar um novo eixo de mobilidade para a Região Metropolitana. É um projeto que encurta distâncias, amplia o acesso ao transporte de qualidade e melhora a qualidade de vida de quem depende do sistema todos os dias”, afirma o executivo. “A obra prevê retirar 33 mil veículos das ruas diariamente e reduzir em 30 minutos o deslocamento de Taboão da Serra para São Paulo, trazendo ganhos ambientais e de qualidade de vida significativos para toda população”, avalia.
Administrada pela plataforma de trilhos da Motiva e executada pelo Consórcio Expresso Linha 4, formado pelas construtoras EGTC e Teixeira Duarte, a extensão contempla a implantação de 13,2 km de trilhos, a utilização estimada de 150 mil m³ de concreto e a execução de mais de 3 mil projetos executivos desenvolvidos especificamente para a obra.
Neste momento, cerca de 300 profissionais já estão diretamente envolvidos nas atividades da extensão, considerando equipes da Motiva, do consórcio construtor, das empresas responsáveis pelos projetos de engenharia e do consórcio certificador. No pico da obra, a estimativa é que aproximadamente 4 mil colaboradores estejam mobilizados nas diferentes frentes de trabalho.
Centros de Atendimento à Comunidade: relacionamento e transparência
Paralelamente ao canteiro de obras, a concessionária inaugura ainda os Centros de Atendimento à Comunidade (CACs) na Vila Sônia e em Taboão da Serra. O objetivo principal dessas unidades é servir como um canal direto de diálogo com moradores e comerciantes da região, garantindo que as informações sobre cronogramas e possíveis impactos sejam compartilhadas de forma clara e transparente. Os centros funcionam como pontos de apoio para esclarecer dúvidas, registrar sugestões e mitigar conflitos, assegurando que a convivência entre a obra e a cidade seja a mais harmoniosa possível.
Além de gerir o relacionamento local, os CACs oferecem uma experiência de imersão tecnológica. Por meio de óculos de realidade virtual, os cidadãos podem visualizar como ficarão as futuras estações e o terminal de ônibus integrado, transformando a expectativa da obra em uma visão concreta de benefício futuro. Essas unidades também são fundamentais para o desenvolvimento econômico local, servindo como ponto de captação de currículos e priorizando a contratação de profissionais da região para os milhares de postos de trabalho abertos pelo projeto.
Serviço
CAC Vila Sônia: Avenida Professor Francisco Morato, 4002 (Acesso A/Terminal) e 4009 (Acesso B)
Horário de Funcionamento: Das 09h às 18h30
CAC Taboão: Rua do Tesouro 730, Taboão da Serra
Horário de Funcionamento: Das 08h às 18h.
Conheça as etapas da obra
Após a assinatura do aditivo contratual em setembro de 2025, que legitimou a concessionária como administradora da obra, diversas etapas técnicas foram realizadas até o início das atividades atuais. Entre os principais avanços, está a conclusão das sondagens geológicas ao longo dos 3,3 quilômetros de extensão, etapa fundamental para garantir a segurança das escavações e a definir com precisão os métodos construtivos que serão aplicados no trecho.
Paralelamente às pesquisas de solo, a extensão mobilizou uma esteira técnica de alta complexidade. Antes do início das obras, o projeto passou por uma etapa de pré-construção e concorrência que contou com a participação de construtoras especializadas em obras subterrâneas. O processo envolveu a avaliação técnica das soluções de engenharia e o avanço dos projetos executivos sob coordenação das equipes de engenharia da Motiva Trilhos, seguindo padrões internacionais de governança e contratação.
Até o momento, já foram desenvolvidos estudos de viabilidade, relatório ambiental e os projetos básicos, que definiram o traçado da extensão e o impacto das novas estações. Durante toda a execução das obras, novos levantamentos complementares serão produzidos, considerando infraestrutura de túneis e subestações de energia até sistemas avançados de sinalização e operação.
A execução da extensão segue padrões internacionais de engenharia e gestão de riscos. A técnica de escavação utilizada é o método NATM (New Austrian Tunnelling Method), que consiste em escavar por etapas com reforço imediato das paredes e monitoramento constante do solo, garantindo total segurança para as edificações vizinhas e para o entorno urbano.
Segundo Ricardo Benício, diretor da Extensão da Linha 4 -Amarela, da plataforma de trilhos da Motiva, a complexidade da intervenção subterrânea exige planejamento técnico detalhado. “Estamos tratando de uma intervenção subterrânea de alta complexidade, que exige planejamento detalhado, matriz de risco bem definida e acompanhamento técnico permanente. A adoção do modelo FIDIC e do método NATM reforça nosso compromisso com segurança, governança e previsibilidade”, explica.
Estações modernas, acessíveis e resilientes às mudanças climáticas
As novas estações foram projetadas com foco em resiliência climática e sustentabilidade. Entre os recursos previstos estão sistemas de drenagem contra enchentes, uso de materiais duráveis, isolamento térmico para reduzir a absorção de calor, iluminação em LED e preparação para instalação de painéis solares. Também haverá captação e reúso de água da chuva, ventilação aprimorada e sensores inteligentes para monitorar temperatura, umidade e fluxo de ar. Essas iniciativas se somam a um diferencial já presente na operação de trilhos da Motiva: o consumo de 100% de energia proveniente de fontes renováveis.
Outro diferencial é a ênfase em acessibilidade e inclusão. As estações contarão com rampas, elevadores, escadas rolantes, sinalização tátil e visual, mapas acessíveis, banheiros adaptados e treinamento da equipe para atendimento a pessoas com deficiência.
A Estação Chácara do Jockey contará com dois acessos (pelo parque e pela Av. Prof. Francisco Morato), plataformas laterais de 132 metros, dois elevadores, quatro escadas rolantes, sanitários acessíveis e sala de pronto atendimento. A profundidade média será de cerca de 20 metros em relação ao nível da rua.
Além disso, o projeto prevê mínima intervenção no Parque Chácara do Jockey. Apenas 360 m² da área verde serão afetados, com compensação ambiental realizada no próprio local.
A Estação Taboão da Serra, por sua vez, será a porta de entrada do metrô no município. O projeto prevê dois acessos, plataformas amplas também com 132 metros de extensão, dois elevadores, seis escadas rolantes, 17 bloqueios e sanitários acessíveis, além de um terminal de ônibus integrado com capacidade para 22 veículos, ciclovia conectada ao Córrego Poá e bicicletário junto ao acesso principal. Em alguns trechos, a escavação chega a 25 metros de profundidade.
Impacto metropolitano e operacional
A extensão ocorre em um dos principais eixos de deslocamento diário entre a Região Metropolitana e a capital, por onde milhares de moradores passam todos os dias para trabalhar, estudar, entre outras atividades. A conexão direta ao sistema metroviário tende a reduzir a dependência do transporte individual e aliviar a pressão sobre corredores viários estratégicos da zona oeste. A estimativa é que aproximadamente 50 mil novos passageiros passem a utilizar o sistema diariamente. O tempo de deslocamento entre Taboão da Serra e a região central da capital deverá ser de cerca de 30 minutos.
Para absorver o aumento da demanda, a frota da Linha 4-Amarela será ampliada com seis novos trens, pela fabricante chinesa CRRC. A ampliação será acompanhada por ajustes operacionais que permitirão manter os intervalos praticados na linha, mesmo com o crescimento do fluxo de passageiros. A extensão também reforça a integração com as demais conexões da rede metroferroviária, ampliando o alcance do sistema integrado de transporte e contribuindo para uma distribuição mais equilibrada dos fluxos metropolitanos.
Durante a fase de implantação, a estimativa é de geração de cerca de 4 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, com priorização de mão de obra local. No entorno da futura estação, a expectativa é de estímulo ao desenvolvimento urbano e imobiliário. Após o início da operação, a projeção é de que mais de 33 mil veículos deixem de circular diariamente na região, com potencial redução aproximada de 21 toneladas de CO₂ por dia, considerando a migração modal para transporte de alta capacidade.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte


