22.7 C
Rondonópolis
quinta-feira, 26 março - 22:39
- Publicidade -
Publicidade
HomeTransportesConheça as instalações que vão abrigar o primeiro bioposto para abastecimento de...

Conheça as instalações que vão abrigar o primeiro bioposto para abastecimento de ônibus urbanos a biometano do Brasil


Inicialmente, veículos serão abastecidos por meio de cilindros em carreta, mas posteriormente, estrutura será alimentada por gasodutos

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Colaborou Yuri Sena

O Diário do Transporte está no sistema de BRT da Região Metropolitana de Goiânia e, após conhecer os primeiros ônibus articulados do Brasil movidos a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos), traz ao leitor outra inovação no sistema: o primeiro bioposto para abastecimento deste tipo de ônibus no Brasil.

Diferentemente de uma estrutura dentro de uma garagem, que serve apenas a uma empresa, o bioposto da Região Metropolitana de Goiânia fica ao lado de um dos terminais da cidade e atenderá ao sistema, ou seja, a todas empresas de ônibus que tiverem veículos com esta tecnologia.

Inicialmente, as oito primeiras unidades serão abastecidas por meio de carretas com os cilindros, mas já avançam as obras para o fornecimento ser por meio de gasodutos.

Ao todo, o sistema terá 501 ônibus movidos a biometano de diversos modelos.

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, viajou a convite da Scania (Fabicante dos Chassis e Tecnologia) e da Marcopolo (Fabricante das Carrocerias) com apoio das empresas de ônibus.

Explicam os detalhes do bioposto, o gestor de manutenção e infraestrutura do Consórcio BRT, Patrick Lucas, e o diretor executivo do Consórcio BRT, Laércio Ávila.

Leia na íntegra:

LAÉRCIO ÁVILA: Sou o diretor executivo do consórcio BRT, que cuida em nome dos operadores dos projetos de transição energética do sistema da RMTC. Fizemos essa visita guiada partindo da Metrobus, que é uma das consorciadas em um dos primeiros veículos a biometano, dos oito, amanhã serão seis. Os primeiros do Brasil, que fazem parte de um projeto bem amplo, que nós vamos explicar com mais calma amanhã. E por que nós paramos aqui? Primeiro, porque aqui é a nossa parada final do dia de hoje. Nós estamos ao lado do terminal Novo Mundo, que é um terminal também totalmente reestruturado e reinaugurado recentemente. Passamos pelo terminal da Bíblia, que foi aquele que eu expliquei um pouquinho. Todos os terminais estão hoje 100% reestruturados, reinaugurados, reconstruídos. Amanhã a gente vai no terminal Padre Pelágio, que é o maior terminal do sistema e que vai ser entregue amanhã e que conclui a renovação de 100% dos terminais. Assim como as estações, nós passamos por algumas 100% reestruturadas, tanto do BRT Leste-Oeste quanto do BRT Norte-Sul, que amanhã também falaremos em mais detalhes. E o segundo motivo da gente estar aqui, neste local? Este local está sendo dedicado ao posto de abastecimento que a gente chama de Bioposto Leste, que será o local de abastecimento dos ônibus a biometano. Em fevereiro de 2025, março, nós fizemos um piloto aqui com uma estrutura de abastecimento, que foi provisória, e agora nós estamos montando a infraestrutura definitiva, que está aqui, à minha direita, e que será entregue plenamente até setembro deste ano. E como é que nós iremos abastecer os oito primeiros, Laércio? Através de uma estrutura chamada de fase 1, que será finalizada nos próximos dias, ao lado dessa carreta, aquele equipamento que está ali ao canto. Essa aqui já é a primeira carreta de abastecimento dos ônibus, então nós temos aqui nessa carreta biometano, que em breve será o combustível produzido em Goiás, porque nós já iniciamos a implantação da primeira usina de biometano do estado de Goiás, na cidade de Guapó, que vai ficar pronta nos 24 meses. Durante esse período, o Consórcio BRT vai adquirir biometano ou gás natural de outros estados. Mas em breve, nos próximos meses, nós iremos adquirir o biometano produzido no próprio estado de Goiás.

REPÓRTER: Qual é a matéria-prima desse biometano?

LAÉRCIO ÁVILA: O biometano pode ser produzido a partir de qualquer matéria-prima orgânica, resíduos de agropecuária, resíduos de lodo de esgoto, resíduos de lixo, mas no caso da produção do estado de Goiás, a primeira planta, a primeira usina, vai ser a partir de resíduos urbanos. Mas ele pode ser produzido de diversas outras formas.

ADAMO BAZANI: Quanto é o tempo de abastecimento dessa forma agora, pela carreta, para o ônibus?

LAÉRCIO ÁVILA: Essa é uma vantagem do biometano também, o tempo de abastecimento. Enquanto o elétrico, ele demora, mesmo no maior eletroposto do Brasil, com 6 mega de energia e com carregadores de alta potência, 240 watts, a gente demora até duas horas, duas horas e meia. O biometano demora 15 minutos só para abastecimento, tanto na carreta quanto na estrutura definitiva, que a gente vai fazer. Então não muda o tempo de abastecimento.

ADAMO BAZANI: Patrick, vão vir dutos para cá futuramente, vão ser ligados para cá e os ônibus da garagem só vão poder abastecer aqui, é isso?

PATRICK LUCAS: No primeiro momento a gente vai fazer o carregamento via carreta nesses 24 meses. Com a usina e o gasoduto, a ideia é que ele chegue aqui nesse bioposto, não quer dizer que vai ser só esse, pode haver outros. Mas esse aqui vai ter a capacidade de abastecer até 200 veículos quando ele estiver plenamente pronto.

ADAMO BAZANI: 200 veículos simultaneamente.

LAÉRCIO ÁVILA: E, complementando a resposta da sua pergunta, a infraestrutura é do sistema, não é de um operador. Então todos os operadores, por isso é um consórcio, vão utilizar a mesma infraestrutura. O consórcio adquire o biometano, assim como faz com o elétrico, e faz o repasse para o operador mediante o uso.

ADAMO BAZANI: E Laércio, só para a gente finalizar pelo menos aqui a gravação desse vídeo, como é que é o modelo contratual? São quatro partes nesse modelo contratual, não só para o biometano, mas para o elétrico, enfim, para a operação que é o cessionário, o operador, como que é?

LAÉRCIO ÁVILA: Nós temos um modelo, primeiro, em que nós temos uma Câmara Deliberativa do Transporte Público Coletivo, que faz as diretrizes, a CMTC, que fiscaliza o serviço. Os operadores se organizaram em dois consórcios, o consórcio EDMOB e o consórcio BRT. Dentro da operação da frota, nós temos operadores que fazem investimento da frota e que, caso outro operador, lembrando que eu tô falando de um sistema aqui, Adamo, queira locar a frota de um dos operadores, o Consórcio BRT então faz essa gestão, através de um contrato de locação, cedendo a frota de um operador para outro e viabilizando com que o operador que tem que entregar a sua parte de frota possa operar uma frota locada e gerenciada pelo Consórcio BRT. Ele opera como um operador que é, através de um papel de cessionário, por meio de um contrato de locação, coordenado pelo Consórcio BRT.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

Colaborou Yuri Sena



Fonte

RELATED ARTICLES

Most Popular

Recent Comments