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Dos palavrões ao apelido, brasileiro que jogou na Croácia conta como Modric é no vestiário


A festa no vestiário do Real Madrid não parava. Era 3 de junho de 2017, no País de Gales, e os merengues haviam acabado de ganhar a Champions League pela 12ª vez na história. Um momento mágico que os brasileiros queriam registrar em uma foto só com os nascidos do outro lado do Atlântico.

Embaixador do clube, o ex-lateral Roberto Carlos segurou o troféu e posou ao lado de Danilo, Marcelo e Casemiro. Até que alguém invadiu a foto. “Mas você não é brasileiro”, indagou a lenda do Real, de certa forma até incomodado com o penetra. “É, mas jogo como um”.

Este é Luka Modric, maior jogador da história da Croácia, que desafia o tempo e, aos 40 anos, voltará a enfrentar a seleção brasileira nesta terça-feira (31), em Orlando, pelo amistoso que fecha a última Data Fifa antes da convocação para a Copa do Mundo.

Várias palavras cabem para descrever o camisa 10 croata, que hoje veste a 14 do Milan: elegante, vencedor, craque, genial. Mas quem teve a chance de dividir vestiário com ele tem uma visão sobre Modric que pouquíssimos no mundo possuem: ele também é engraçado.

“Eu queria aprender croata com ele na época”, conta Sammir, brasileiro naturalizado croata e que foi companheiro de Modric na seleção e também no Dínamo Zagreb, em entrevista exclusiva à ESPN.

“Ele que tinha que me ensinar porque eu estava chegando. Me ensinou, primeiramente, as palavras de baixo calão que a gente sempre aprende quando vai para fora”, lembra o ex-meia, revelado no Athletico-PR e que se mudou para o leste europeu em 2007.

“Eu sempre perguntava como que falava olho, nariz e mão em croata. Comprei também um dicionário de português/croata e eu fui aprendendo no dia a dia. Não tive aula com professor nenhum. Tudo o que aprendi foi no dia a dia, no vestiário, na rua”.

Hoje aposentado, Sammir é desses exemplos de brasileiros que ganham a chance de naturalização para defender outra seleção. A chance apareceu em 2012, durante as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014. Ele ganhou espaço no time a ponto de ser convocado para o Mundial, disputado no Brasil.

Sammir estava no banco quando Neymar (duas vezes) e Oscar marcaram na vitória da seleção por 3 a 1 sobre a Croácia, na abertura da Copa, em São Paulo. O meia só atuou uma vez naquela campanha, na goleada por 4 a 0 sobre o Camarões, mas viu, da reserva, os europeus perderem para o México e darem adeus.

“Fiquei assim (com o coração dividido), meio sem saber o que pensar nem na hora que tocou o hino brasileiro. Logicamente que eu cantei por dentro e cantei o da Croácia também. Mas eu queria que a Croácia ganhasse”, lembrou o ex-jogador, contratado pelo Dínamo Zagreb justamente para entrar na vaga de Modric, que seria vendido ao Tottenham.

Um peso que ele garante não ter atrapalhado em nada.

“Cheguei lá muito bem preparado, apesar da minha pouca idade, fisicamente e psicologicamente. Não pensei que isso fosse acontecer assim tão rápido. Também não tinha muita informação do Modric na época. Eu cheguei me impondo, cheguei jogando futebol e as coisas acontecerem naturalmente”.

O tempo de convivência no clube foi relativamente curto, entre 2007 e 2008, mas suficiente para aprender na prática o funcionamento da cabeça de um meia que marcaria época no esporte anos mais tarde.

“Modric me chamava de filho porque eu fui sucessor dele lá. Todo mundo começou a me chamar de filho por causa dele, porque ele me chamava assim na época”, lembra Sammir, com carinho.

“Ele tem uma mentalidade muito forte de vencedor, de campeão. Não gosta de errar nenhum passe de cinco metros. Faz de tudo para acertar e isso é uma característica que eu gosto muito dele. Ele não é muito de errar no campo. A mentalidade eu diria que é muito mais forte do que a de outros”.

O Brasil sentiu um pouco disso no último encontro com a Croácia. Partiu dos pés de Modric, em um contra-ataque a três minutos do fim da prorrogação, a jogada que originou o empate e a consequente vitória nos pênaltis. Provavelmente nada do que ele faça agora será mais doloroso que isso, mas não custa abrir o olho.

Ele não é brasileiro, mas joga como um.



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