O Palmeiras venceu o Bahia por 2 a 1 neste domingo (5), fora de casa, pelo Brasileirão. Após o confronto, o técnico Abel Ferreira respondeu qual é o “segredo” do Alviverde. O time é o líder da competição, com 25 pontos em dez jogos.
“O segredo não é jogar só contra algumas equipes, só às vezes. O segredo é constância. Às vezes queremos ser mais fortes, mas não é preciso ir três horas na academia só uma vez por semana. Se for todos os dias por dez minutos, chega, mas tem que ser todos os dias dez minutos. Não é de hoje que o Palmeiras ganha e perde desta maneira. Que luta e acredita até o fim, seja contra quem for, seja jogo de Libertadores ou de copa, seja contra que treinador for, quando for”, disse.
“Temos sempre essa mesma postura. É sempre difícil jogar contra o Bahia e contra este treinador, que está aqui há muito tempo, que ficou fora das competições e tem agora só duas, o que pode lhe dar alguma frescura física. Vai ser muito difícil ganhar aqui, venha quem vier”, completou.
O treinador também se irritou com a “agressividade” do Bahia e deu uma cutucada na arbitragem.
“Já jogamos várias vezes aqui com o Bahia, com este treinador. Começamos a ver a intensidade que o Bahia entrou, a quantidade de faltas e agressividade do nosso adversário. É uma equipe extremamente agressiva, que joga muito bom futebol. Se tivesse tido essa atitude no jogo da Libertadores aqui em casa, seguramente estaria jogando a Libertadores ou a Sul-Americana. É uma equipe muito bem montada e estruturada, mas que deixa um espaço nas costas do lateral que entra por dentro, que é o Juba. Acabamos por ser mais consistentes contra um adversário muito habituado a jogar neste gramado e neste clima. No início pedimos para ter parada técnica, o árbitro deixou, mas o adversário não deixou. Pelos acréscimos, parece que teve mesmo sem existir”, afirmou.
“Não entendo os oito minutos (de acréscimos). Se começarmos a somar os minutos, daqui a dez jogos teremos mais um jogo nas pernas. Será que ninguém percebeu isso? Oito minutos por quê? Não entendi. Vou reclamar sempre. Com dez minutos, nosso adversário tinha dez faltas feitas. Dez! E um jogador fez quatro seguidas. Tem que dar amarelo, adversário está travando o contra-ataque. Mas o árbitro vem e dá o amarelo para mim. Vamos recuperar nossos jogadores, não ganhamos absolutamente nada. Daqui a 3 dias estamos a jogar outra vez”, disse.
Calendário
Abel Ferreira voltou a criticar o calendário do futebol brasileiro.
“Paulistão deixou marcas pesadas na nossa equipe. Basta ver o jogo que fizemos contra o Vasco, quando fizemos um primeiro tempo bom, mas depois o Vasco foi superior a nós. Não estou pedindo para dar uma semana de descanso, mas pelo menos três dias de descanso. Se queremos jogos com intensidade, com qualidade e com ritmo, temos que criar condições num país que é continental. Não estamos jogando em Portugal, na França, na Espanha ou na Itália, estamos no Brasil”, iniciou.
“Demoramos 3 horas para chegar aqui, amanhã saímos 6h para ir para a Colômbia e dois dias depois para jogar com o Corinthians. Vocês acham que é correto, que é justo, que é cuidar dos jogadores que podem representar a seleção brasileira? Nós fazemos o melhor que temos. Ganhamos quando jogamos bem e tentamos ganhar quando jogamos mal. É a terceira ou quarta vez que jogamos contra um adversário que tem um dia de descanso a mais que nós. Foi assim contra o São Paulo, o Vasco teve 15 dias para preparar, viemos aqui com menos um dia. Sorte que costumamos guardar o ouro no banco. Estão de parabéns porque está equipe respeita os valores maiores que representam o Palmeiras. Ego fica em casa e trazemos nossa qualidade para servir o time, acrescentou.
O português, porém, elogiou a resiliência palmeirense.
“Quando falamos da parte mental, dessa resiliência, são hábitos. Não adianta o treinador falar que tem que ser forte mentalmente. É consistência, atitude, comportamentos. Quando perdemos contra o Vasco, houve coisas boas, mas o que nos define não são as vitórias, são as atitudes diante das dificuldades”, analisou.
“O que é mais importante: ser o mais rápido nas retas ou, quando a curva aperta, sofrer juntos como uma equipe unida? É isso que faz diferença para mim. É um trabalho feito por mim, pela Leila, pelo Barros, por todo o staff. Trabalhamos todos pelo bem maior. Quando jogamos juntos, somos muito mais fortes. Parabéns a nossos jogadores, mas daqui 3 dias estamos a competir o mais alto nível pela Libertadores”, finalizou.


