Publicado em: 10 de abril de 2026

Como mostrou Diário do Transporte, composições mais novas vão para concessionária privada do grupo de Constantino de Oliveira nas linhas 11-Coral. 12-Safira e 13-Jade
ADAMO BAZANI
Foi protocolado nesta quinta-feira, 09 de abril de 2026, na Alesp (Assembleia Legislativo do Estado de São Paulo) o requerimento de informação 128/2026 que cobra explicações da gestão Tarcísio de Freitas sobre a colocação de trens mais antigos na linha 10-Turquesa da CPTM e transferência das composições mais novos desta mesma linha para a Trivia Trens, integrante do Grupo Comporte Participações S.A., da família do fundador da GOL Linhas Aéreas e maior frotista de ônibus do Brasil. O Grupo Comporte, junto com a fabricante chinesa CRRC, também opera a linha 7-Rubi, pela TIC-Trens, na concessão que engloba a construção e operação do TIC Norte – Trem Intercidades, entre a capital paulista e a região de Campinas, no interior.
A iniciativa do questionamento é do deputado Rômulo Cesar Fernandes e ocorre depois da repercussão gerada pela reportagem, publicada em 1º de abril de 2026, do editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani.
Relembre:
Estão sendo inseridos na linha 10-Turquesa composições dos anos 2008 a 2010 e sendo retiradas desta mesma linha e passadas para o Grupo Comporte trens bem mais novos e que já rodavam na 10-Turquesa, como os fabricados em 2020.
As composições colocadas na linha estatal estão dentro da vida útil de um trem que pode ser de até 35 anos com as devidas modernizações, porém, mais antigas que as unidades que rodavam na linha 10, produzidas, inclusive, no ano de 2020.
Para a concessionária Trivia, que assumiu as linhas 11, 12 e 13 vão os seguintes modelos de trens:
Série 8000: 2011/2012
Série 9000: 2012/2013
Série 8500: 2015
Série 2500: 2020
Entre as principais diferenças, que reduzem o conforto e foram percebidas pelos usuários estão:
– Não têm o chamado gangway, que é justamente a passagem livre entre os carros (vagões). Nos modelos mais novos, é possível trocar de vagão com o trem em movimento, podendo escolher um mais vazio;
– Espaço interno considerado menor pelos passageiros, prejudicando circulação dentro de cada vagão;
– Sobre as portas, o visor com os nomes das estações é um adesivo colado. Nos mais novos, luzes vão acendendo sobre os nomes de cada estação já percorrida na viagem, o que facilita a localização
– Interior, esverdeado, é mais escuro. Nos mais novos, o interior é mais claro com maior sensação de suavidade;
– Iluminação interna, com lâmpada fluorescente em formato de tubo, não tão eficiente como o led dos modelos novos;
Nos questionamentos, o parlamentar cobra do Governo do Estado a explicação dos critérios de transferir os modelos mais novos e melhores que foram comprados com dinheiro público para a Trivia enquanto a linha estatal fica com os mais antigos.
O requerimento de informação é destinado ao secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Antonio Cren Benini.
O parlamentar também cita o descontentamento dos passageiros com a queda de conforto na linha 10-Turquesa.
- Há planejamento ou diretriz, no âmbito dos projetos de concessão do sistema ferroviário metropolitano, que envolva o remanejamento de frota da CPTM entre diferentes linhas? Em caso afirmativo, detalhar os critérios adotados.
- A substituição de composições na Linha 10-Turquesa por trens mais antigos está relacionada, direta ou indiretamente, a processos de reorganização da frota decorrentes de concessões ou reestruturações em curso? Em caso afirmativo, esclarecer.
- Há previsão de destinação de composições mais modernas atualmente em operação na CPTM para linhas concedidas à iniciativa privada ou para contratos em fase de estruturação? Em caso afirmativo, informar quais linhas e os critérios utilizados.
- Foram realizados estudos técnicos que avaliem os impactos dos processos de concessão sobre a distribuição da frota, incluindo idade média dos trens, desempenho operacional e qualidade do serviço nas diferentes linhas? Em caso positivo, encaminhar cópia integral dos documentos.
- Como o Poder Executivo assegura que medidas adotadas no contexto da preparação de concessões ou reestruturação do sistema ferroviário metropolitano não resultem em deterioração da qualidade do serviço prestado à população no período anterior à eventual transferência da operação, especialmente no caso da Linha 10-Turquesa
- Quais mecanismos são adotados para garantir a equidade na distribuição de investimentos e ativos entre as diferentes linhas do sistema, de modo a evitar concentração de melhorias em linhas concedidas em detrimento das demais?
- Considerando os relatos recentes de usuários acerca da piora na qualidade do serviço na Linha 10-Turquesa, há avaliação por parte dessa Secretaria sobre possíveis impactos das decisões relacionadas às concessões nessa linha? Em caso afirmativo, apresentar conclusões.
- Quais medidas estão sendo adotadas para assegurar a manutenção ou melhoria dos padrões de qualidade do serviço prestado na Linha 10-Turquesa durante o período de transição decorrente de eventuais processos de concessão?
- Quais instrumentos de transparência e participação social foram disponibilizados para que usuários da Linha 10-Turquesa e da região do ABC Paulista acompanhem e contribuam com as decisões relativas aos projetos de concessão?
Paralelamente, informações recentes apontam a substituição de composições na Linha 10-Turquesa por trens mais antigos, situação que tem gerado apreensão entre usuários quanto ao conforto, à confiabilidade e à eficiência do serviço. Tal contexto suscita questionamentos quanto à eventual relação entre decisões operacionais recentes e os processos de concessão e reorganização em curso. Há preocupação de que a reestruturação do sistema ferroviário possa resultar em desequilíbrios na distribuição de investimentos e ativos, com possíveis impactos diferenciados entre as linhas, especialmente no período anterior à eventual transferência da operação à iniciativa privada. – diz trecho da justificativa dos questionamentos.
Em nota ao Diário do Transporte, na ocasião da reportagem, em 1º de abril de 2026, a CPTM explicou que até 20 de maio de 2026 vai concluir a transferência, que os trens que estão ficando na linha 10 tem “plenas condições de conforto e segurança” e que a “reorganização da frota garante a eficiência operacional e o cumprimento das diretrizes da concessão”.
Veja nota na íntegra:
Toda a frota da CPTM está em perfeitas condições de uso, segurança e conforto para os passageiros. A companhia iniciou a realocação dos trens nas Linhas 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira, conforme determina o contrato de concessão dessas linhas. A vida útil de um trem gira em torno de 35 anos, com as manutenções devidas. Dos veículos que ficarão com a CPTM, toda a frota é 100% acessível, sendo 5 fabricados a partir do ano de 2008 (série 2070), 19 fabricados a partir do ano de 2009 (série 7000) e 8 fabricados a partir do ano de 2010 (série 7500). Até o dia 20 de maio, haverá a realocação das composições das séries 8000 e 8500 para as Linhas 11-Coral e 12-Safira, bem como a operação dos trens das séries 7000, 7500 e 2070 na Linha 10-Turquesa. A reorganização da frota garante a eficiência operacional e o cumprimento das diretrizes da concessão.


ANTES:

AGORA:

ANTES E DEPOIS:

À esquerda, trem que ficou com a linha 10. À direita, o que vai para o Grupo de Constantino
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


