Romeu Tuma Jr. anunciou nesta segunda-feira (13) a sua saída da presidência do Conselho Deliberativo do Corinthians e não poupou críticas ao presidente Osmar Stabile, a quem chamou de traidor.
A decisão foi tomada depois da Assembleia Geral Extraordinária para a votação da reforma estatuária do Corinthians, convocada pelo próprio Romeu Tuma Jr., ser suspensa pela Justiça.
“Nos últimos dias, ficou evidente a construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados. A minha presença na presidência do Conselho passou a ser usada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma no dia 18 de abril (sábado próximo)”, disse Romeu Tuma Jr na nota que comunica o desligamento do cargo.
O agora ex-presidente do Conselho Deliberativo não poupou críticas a Osmar Stabile e usou palavras fortes contra o mandatário corintiano, como “traidor”, “autoritário” e “golpista”.
“Sua mais recente manobra, a ação que veio a público na manhã de hoje – e que, aliás, foi deliberadamente protocolada em sigilo, mesmo que sem qualquer fundamentação que o justifique –, tem como única finalidade impedir, exatamente, a manifestação dos associados. Stábile se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor. Um traidor de cada voto que recebeu. Um traidor de cada corinthiano que acreditou no seu caráter. Um traidor de quem quer um Corinthians democrático – valor que, por sua vez, nos define como instituição”, disparou.
“Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista”, completou Romeu Tuma Jr.
A reforma estatutária do Corinthians tem sido tema central no efervescente bastidor político.
Veja abaixo a nota oficial de Romeu Tuma Jr.:
Diante dos fatos tornados públicos nesta data, especialmente após a decisão liminar que suspendeu a realização da Assembleia Geral destinada à apreciação da Reforma Estatutária do Sport Club Corinthians Paulista, comunico meu licenciamento, por tempo indeterminado, do cargo de Presidente do Conselho Deliberativo.
Nos últimos dias, ficou evidente a construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados. A minha presença na presidência do Conselho passou a ser usada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma no dia 18 de abril (sábado próximo).
Sua mais recente manobra, a ação que veio a público na manhã de hoje – e que, aliás, foi deliberadamente protocolada em sigilo, mesmo que sem qualquer fundamentação que o justifique –, tem como única finalidade impedir, exatamente, a manifestação dos associados. Stábile se utiliza de terceiro para propor a ação, porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor. Um traidor de cada voto que recebeu. Um traidor de cada corinthiano que acreditou no seu caráter. Um traidor de quem quer um Corinthians democrático – valor que, por sua vez, nos define como instituição.
A cronologia delineada na decisão liminar revela isso com clareza:
1. O pedido de suspensão da Assembleia não foi acolhido de imediato. O entendimento inicial do Magistrado foi pelo indeferimento fundamentando que era necessário ouvir o Corinthians antes de qualquer decisão. Houve, inclusive, a fixação de prazo para manifestação do clube.
2. O Corinthians, por sua vez, através de seu Presidente e de seu Diretor Jurídico, adiantando deliberadamente o prazo processual, se deu por citado no dia 8 de abril. Na sua manifestação, “concordou” com o pedido inicial para barrar a Assembleia da reforma estatutária,
3. No dia 10 de abril, diante do pedido de Ezabella e da conivência expressa da Diretoria do Corinthians, não restou alternativa ao juiz, se não suspender a Assembleia.
Não é razoável ignorar o significado político dessa sequência. Quando o próprio réu, nesse caso o clube, se antecipa e age em convergência com a tese de quem pretendia paralisar a Assembleia Geral, o resultado se torna previsível.
Não serei instrumento dessa manobra, tampouco permitirei a continuidade dos atos ilegais de constrangimento e assédio a funcionários e funcionárias que realmente trabalham pelo e para o Corinthians, ao contrário dessa gente autoritária e golpista.
Dou este passo para remover da frente qualquer desculpa fabricada em nome de uma disputa de poder que nunca foi sobre a minha pessoa, mas sempre sobre o medo de submeter o futuro do Corinthians à decisão livre da sua base associativa.
Saio da presidência do Conselho Deliberativo temporariamente, como um aceno ao bom senso coletivo, para que a reforma do Estatuto possa andar, para que a Assembleia possa ocorrer e para que o clube não continue refém dos que trabalham nos bastidores para adiar mudanças que o Corinthians já não pode mais postergar.
A partir de agora, todos saberão com mais nitidez quem quer a votação e quem quer impedi-la.
Continuarei onde sempre estive: ao lado da democratização do clube, da modernização de sua governança e do direito de o associado decidir, sem sabotagem e sem arranjos, o destino do Corinthians.
Espero e confio na independência e boa-fé dos Associados e Torcedores, que cientes do que está por trás dessa narrativa fraudulenta, dos mesmos de sempre, que detém o “poder” de manobrar o futuro do Corinthians, aos quais não nos submetemos, entendam que é chegada a hora de se expor os fatos e não mais as versões de bastidores que só se prestam aos interesses mesquinhos de grupelhos que aparelham esse Gigante Centenário do Futebol Mundial.


