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Guerra reduz janela ideal para compra de fertilizantes, diz consultoria


O segundo trimestre do ano, tradicionalmente visto como uma janela de oportunidade para compradores de fertilizantes, deverá ser marcado por um cenário significativamente mais adverso em 2026, devido aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

A análise foi divulgada nesta quarta-feira (22/4) pela StoneX. Em relatório, a consultoria lembrou que em anos de maior estabilidade geopolítica, a sazonalidade da demanda em grandes mercados importadores de fertilizantes, como Brasil e Índia, costuma reduzir a pressão compradora neste período. Em 2026, no entanto, esse padrão histórico foi profundamente alterado.

“A combinação entre redução temporária da produção em alguns países, entraves logísticos no Estreito de Ormuz e a forte escalada de preços observada após os episódios de tensão militar diminuiu de forma significativa a probabilidade de o segundo trimestre se consolidar como um momento favorável para compras”, afirma, em nota, Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX.

De acordo com a consultoria, no mercado de nitrogenados, caracterizado por elevada volatilidade, ainda existe algum espaço para correções pontuais ao longo dos próximos meses, especialmente diante da reabertura do Estreito de Ormuz.

“A normalização parcial das rotas é um fator positivo, mas há baixa expectativa de que as condições logísticas retornem rapidamente aos níveis pré-conflito. Mesmo com algum alívio nos preços, gargalos como atrasos, contratos represados e baixa disponibilidade de navios devem seguir sustentando as cotações”, afirma Pernías.

No segmento de fosfatados, o cenário segue ainda mais rígido, destacou a StoneX. A oferta global permanece restrita, tanto pelas dificuldades de escoamento da produção em países do Oriente Médio quanto pelos planos de manutenção industrial no Marrocos e pelas incertezas em torno das exportações chinesas.

Além disso, o setor enfrenta custos elevados de matérias-primas essenciais, como amônia e enxofre, o que reduz a viabilidade de ajustes expressivos nos preços. “Esse conjunto de fatores aumenta o risco concreto de destruição de demanda ao longo de 2026, sobretudo em um ambiente de margens agrícolas pressionadas”, avalia o analista da StoneX.

No mercado de potássicos, especialmente o cloreto de potássio (KCl), as condições relativas de aquisição ainda se mostram menos restritivas do que nos mercados de ureia e MAP.

Ainda assim, o ambiente permanece cercado de incertezas. Com margens comprimidas, existem chances de que os produtores passem a priorizar nitrogenados e fosfatados, postergando compras de KCl. Soma-se a isso o impacto de fretes marítimos mais caros, seguros elevados e a persistência do risco geopolítico, fatores que também pressionam esse segmento.

“As chances de que o segundo trimestre ofereça um ambiente realmente atrativo para compras de potássicos também diminuíram. Embora as relações de troca devam permanecer melhores do que em outros mercados, isso está longe de representar condições ideais”, pontua Pernías.

No radar do setor estão ainda as negociações de contratos de longo prazo, como o da Índia, que definem referências internacionais de preços e costumam limitar aquisições a valores inferiores aos praticados em China e Índia.



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