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Escassez de motoristas de ônibus no mercado obriga empresas a investir em formação interna de profissionais. Fim da escala 6 x 1 pode ter impacto


Mas há exemplos positivos:  Pássaro Verde, de Minas Gerais, promoveu 8% de mão de obra própria em programa de capacitação. Suzantur investiu em aprendizes. Advogada especializada indica caminhos e cuidados

ADAMO BAZANI

A falta de motoristas de ônibus capacitados no mercado, tanto dos setores urbano, de fretamento e rodoviários, tem levado as empresas a ampliarem programas internos de capacitação e promocional e promoções de cargos.

As estimativas da CNT (Confederação Nacional do Transporte) é que a escassez de motoristas de ônibus urbanos e metropolitanos atinge 53,4% das viações. Quanto ao pessoal da manutenção, 63,2% das companhias de transportes de passageiros relatam falta de mecânicos e profissionais do setor.

A entidade ainda se mostrou temerosa em relação ao fim da escala 6 x 1. Segundo a CNT, se para alguns setores pode ser indiferente, para outras atividades, como de transportes, que não podem parar, a limitação da carga horária pode ampliar esse déficit de trabalhadores. Se para a demanda atual, já faltam motoristas, de os ajustes na escala obrigarem mais contratações, pode ser mais difícil ainda preencher vagas.

O Diário do Transporte noticiou o levantamento da CNT.

Relembre:

A advogada especializada em risco empresarial, Liana Variani, explicou ao Diário do Transporte que agora é ainda mais importante que tanto as empresas como os trabalhadores estejam alertas às movimentações no Congresso.

Nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou os parlamentares que estarão à frente da Comissão Especial que vai analisar as propostas para o novo modelo: o deputado Alencar Santana (PT-SP) foi apresentado como presidente e o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator.

Para Liana, o interessante é que empresas se antecipem e os programas internos de capacitação e motivação são fundamentais.

“Não basta apenas promover. Deve-se criar um clima que motive o trabalhador a ficar. Não é só a dificuldade em contratar, mas manter, reduzir a rotatividade do cargo” – explicou.

Mas a especialista faz um alerta.

“Preferencialmente, todo trabalho de capacitação, promoção e motivação deve envolver diferentes setores da empresa. E tudo sempre com a avaliação de riscos jurídicos para que boas iniciativas não resultem, mesmo sem intenção, em problemas para ambos os lados” – complementou Liana Variani.

Uma das empresas que diz colher frutos positivos da ampliação de programas internos de capacitação é Viação Pássaro Verde, de Minas Gerais.

De acordo com nota da companha desta quarta-feira, 29 de abril de 2026, apenas no segundo semestre de 2025, 35 trabalhadores foram promovidos, o equivalente a 8% do quadro total da empresa, que conta atualmente com cerca de 450 funcionários.

A coordenadora de Recursos Humanos da empresa, Elaine Almeida, concorda com a linha de pensamento da especialista Liana Variani.

Manter os profissionais pode ser até mais desafiador que contratar.

“Promover internamente é uma forma de valorizar o colaborador e reter talentos. Além disso, mantemos profissionais que já conhecem nossa cultura, nossos valores e nossa missão, o que torna o processo mais eficiente. Temos como desafio ampliar a formação de profissionais dentro da própria empresa, preparando-os para novas funções e garantindo a continuidade desse ciclo de desenvolvimento” – relatou.

Um dos caminhos para tentar enfrentar e minimizar esta falta de motoristas e demais profissionais do setor de transportes é entender os motivos.

Centrais sindicais de trabalhadores e representantes de empresários enumeram situações como condições de trabalho, salários, valorização interna, valorização por parte da sociedade, segurança pública, perspectivas de crescimento e mais facilidade de acesso à formação acadêmica outras ocupações fora do setor que tem recebido mais reconhecimento.

Muitos destes pontos, necessitam de negociações coletivas, diálogo entre as diferentes entidades de classe. Mas outras ações podem ser tomadas internamente pelas empresas.

E, algumas vezes, para tomar iniciativas internas, uma ajuda externa pode ser fundamental.

Entidades de educação e capacitação como Sest/Senat ou Fundação Dom Cabral são alguns exemplos.

A empresa Suzantur, de ônibus urbanos do ABC Paulista, fez uma parceria com o Sest/Sent de Santo André (SP) e desenvolveu o programa “Aprendiz de Motorista Profissional”, voltado para pessoas que possuem CNH (Carteira Nacional de Habilitação) categorias D ou E, já possuem o curso de transporte coletivo, querem trabalhar com ônibus urbanos, mas não conseguem oportunidade por não terem experiência.

A companhia conseguiu formar já diferentes turmas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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