Publicado em: 30 de abril de 2026

No discurso de apresentação, Lula disse que o MOVE-1 pouco atendeu os caminhoneiros autônomos
ADAMO BAZANI
O Governo Federal formalizou nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, a segunda fase do Programa MOVE Brasil para a renovação de frota de veículos pesados, um dia antes do fim da medida provisória que havia instituído a primeira fase, que contemplava R$ 10 bilhões apenas para caminhões.
Agora, são R$ 21,2 milhões, incluindo R$ 2 bilhões somente para ônibus.
Implementos rodoviários também entram no MOVE Brasil II.
Do total, R$ 14,5 bilhões serão provenientes de recursos diretos da União e R$ 6,7 bilhões por meio do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
Nesta nova linha, em torno de R$ 2 bilhões serão exclusivamente para caminhoneiros autônomos.
As taxas de juros também foram alteradas em relação à primeira versão.
Serão entre 11,3% e 12,4% com parcelas diluídas em até 10 anos.
Na primeira versão, as taxas para os donos de veículos que tomassem o financiamento eram entre 13% e 14% com as parcelas sendo pagas ao longo de cinco anos.
Quem entregar para o sucateamento ônibus e caminhões recebe ainda outras facilidades na contratação do financiamento.
Os valores estarão disponíveis após o esgotamento de todos os recursos de R$ 10 bilhões da primeira fase do MOVE.
Até o momento, em torno de cinco mil operações de crédito foram realizadas pela primeira fase, com mais de R$ 9 bilhões.
No discurso de apresentação, Lula disse que o MOVE-1 pouco atendeu os caminhoneiros autônomos.
Além de incentivar a indústria e a renovação da frota, trazendo benefícios ao meio ambiente e à segurança viária, a fase MOVE 2 é uma tentativa de acalmar os ânimos de transportadores, pressionados principalmente pela alta do diesel em decorrência da guerra Estados Unidos+Israel e Irã.
DIESEL COM 16% DE BIODIESEL
No discurso, Lula ainda criticou as altas de preços em ônibus e caminhões toda a vez que mudam os parâmetros de motores a diesel com base nas normas internacionais Euro (desde janeiro de 2023, a fase seguida pelo Brasil é a Euro 6).
Para o presidente, o uso do combustível brasileiro, com mais biodiesel traria mais vantagens ambientais que as atualizações com base nos padrões internacionais.
O presidente também disse que na próxima semana deve ser anunciada pelo Governo Federal a ampliação da mistura do biodiesel no óleo diesel, do atuais 15% (B15) para 16% (B16).
A ampliação do percentual é vista com preocupação por frotistas de ônibus e caminhões que relatam problemas técnicos e mecânicos como formação de borras nos motores e contaminação com resíduos, ampliando o tempo de parada para manutenção, além dos custos de reparos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


