Publicado em: 1 de maio de 2026

Empresas do Grupo Abreu Magalhães respondem assim por 12,27% de todos os 47.291 mercados liberados pela Agência Federal
ADAMO BAZANI
Somente as empresas Viação Novo Horizonte S.A. (60.829.264/0001-84) e Jotamar Comércio de Peças e Transportes Rodoviários S.A. (14.378.830/0001-61), ambas do Grupo Abreu Magalhães, com forte atuação no Nordeste, obtiveram da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) nada mais nada menos que 5.801 mercados autorizados na primeira janela para criação de linhas de ônibus rodoviários interestaduais.
O levantamento foi recebido com exclusividade pelo editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, pela ANTT.
Este número representa 12,27% de todos os mercados liberados pela agência federal, entre ligações que até agora não possuem nenhum atendimento por ônibus rodoviários ou as que possuem um apenas.
Vale lembrar, como mostrou o Diário do Transporte, que advogados especializados explicaram a Adamo Bazani que não necessariamente todos os mercados nesta primeira janela vão virar realidade. Isso porque, as empresas devem atender às exigências da ANTT, tendo este mês de maio de 2026 para enviarem todas as certificações, e alguns mercados liberados acabam sendo “isolados” ou sequer compõem a viabilidade para completar uma linha.
Isso sem contar com os riscos jurídicos e operacionais de muitos destes mercados.
Quem explicou foram os advogados especializados em transportes e direito empresarial, Ilo Löbel da Luz; Liana Variani; Rita Januzzi e; Lucas Turquino.
Relembre:
No caso dos mercados liberados pela ANTT à Novo Horizonte há exemplos de cidades que sequer possuem terminais rodoviários com estrutura mais adequada, como Mauá e Diadema, no ABC Paulista. A região possui rodoviárias em Santo André; São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.
A ausência de terminal rodoviário, em si, não é um empecilho para liberação de mercados. Na verdade, até uma das intenções da ANTT é levar ônibus rodoviários para onde não há estrutura. Mas esta característica não facilita integrações e conexões.
Além disso, no caso específico do ABC, não se trata de uma região sem recursos ou estrutura. Pelo contrário, é uma das regiões mais ricas do Brasil, pelo alto poder industrial, de comércios e serviços. Além disso, as cidades são muito próximas, integrando a região metropolitana da capital paulista, e possuem grandes conexões viárias entre estes municípios, como Avenidas dos Estados, Pereira Barreto; Dom Pedro II, Lucas Nogueira Garcêz; e redes metropolitanas de transportes, como a linha 10-Turquesa de trens (que atende o TERSA – Terminal Rodoviário de Santo André) e Mauá, e o Corredor Metropolitano ABD, de ônibus e trólebus, que faz a conexão entre Diadema e os trens e ônibus municipais de São Bernardo do Campo e o terminal rodoviário da cidade, no Bairro do Alvarenga. Táxis e aplicativos também são abundantes na região.
De acordo com o balanço recebido por Adamo Bazani, deste total de 5.801 mercados autorizados para o Grupo Abreu Magalhães, 5,542 se referem a ligações sem atendimento até agora e 259 onde já existe apenas uma empresa.
O nome pelo qual o grupo é conhecido é referência ao fundador, o empresário Edgar Abreu Magalhães, que começou a atuar no ramo de transportes, inicialmente de cargas, anos depois de se mudar para Novo Horizonte, em 1955.
Formalmente, já nos transportes de passageiros, Magalhães fundou a Viação Novo Horizonte em 21 de julho de 1966.
Mercados sem atendimento nenhum até agora 5.542:
Viação Novo Horizonte
5310 mercados
Exemplos
Abaíra (BA) x São Bernardo do Campo (SP); Altamira (PA) x Praia Grande (SP); Aparecida de Goiânia (GO) x Mauá (SP); Una (BA) x Aparecida (SP); Morrinhos (GO) x Barretos (SP); Caturama (BA) x Suzano (SP)
Jotamar Transportes
232 mercados
Aracatu (BA) x Diadema (SP); Campestre do Maranhã (MA) x Goianésia do Pará (PA); Goiânia (GO) x Juatuba (MG)
Mercados até então atendidos por uma única empresa 259:
Viação Novo Horizonte:
230 mercados
Exemplos
Altamira (PA) x São Paulo (SP); Brasília (DF) x Pedras de Maria da Cruz (MG); Campo Grande (MS) x Juara (MT); Comendador Gomes (MG) x São Paulo (SP); Cuiaba (MT) x Jaú (SP)
Jotamar Transportes:
29 mercados
Breu Branco (PA) x Guaraí (TO); Goiânia (GO) x Pontal do Araguaia (MT); Estreito (MA) x Augustinópolis (TO)
GRUPOS TRADICIONAIS X “START UPS”
A ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”. Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Com isso, o total de mercados autorizados administrativamente deverá saltar de 33.961 para 72.340 — um crescimento de 113%.
Com a marca própria Flixbus, a gigante alemã conseguiu 1158 mercados onde não havia oferta até então e 72 mercados onde já há uma oferta, somando 1230 mercados. A FlixBus está no Brasil desde 2021, mas a atuação na Europa começou em 2011 e hoje se tornou gigante, tendo, inclusive frota própria de ônibus e operando até mesmo ferrovias.
A Buser, criada no Brasil em 2017, obteve 27 mercados autorizados, sendo 26 onde não havia atendimento e um para concorrer onde há uma empresa apenas. Mas as liberações não foram para a Buser em si, mas para duas empresas de linhas regulares que comprou, a Transportes Santa Maria, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista; e Expresso JK, do Distrito Federal. Ambas já atuavam no setor dessas linhas. O aplicativo Buser se caracterizou pelo que chama de “fretamento colaborativo”, modelo que é alvo de um debate jurídico sobre se é legal ou não no Brasil.
Veja os detalhes:
Em 28 de abril de 2026, o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, mostrou que o aplicativo Buser vai operar 27 mercados.
As operações se darão por meio da compra recente pelo aplicativo das empresas Transportes Santa Maria, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista; e Expresso JK, do Distrito Federal.
Somente em relação aos chamados mercados “desatendidos”, que são ligações para as quais não havia nenhuma oferta, são 26, sendo 18 pela empresa do ABC e oito pela JK.
Barbacena (MG) x Santo André (SP); Campo Belo (MG) x São Bernardo do Campo (SP); Formiga (MG) x São José do Rio Preto (SP); são alguns exemplos pela Santa Maria e; Morrinhos (MG) x Belo Horizonte (MG); Pinhas (PR) x Registro (SP) e Rio de Janeiro (RJ) x Itaquaquecetuba (SP), pela JK, são casos dos mercados antes sem oferta de ligações.
Já entre os mercados que tinham a atuação de uma só empresa, a Buser vai operar, pela Expresso JK, a ligação Contagem (MG) x Três Rios (RJ).
Relembre:
EXCLUSIVO: Buser ganhou mais 27 mercados de ônibus de linhas regulares interestaduais com janelas da ANTT
No dia 27 de abril de 2026, Adamo Bazani mostrou que a plataforma internacional Flixbus conseguiu autorizações para operar diretamente linhas de ônibus nestas janelas.
Foram 1158 mercados onde não havia oferta até então, que são chamados pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), de mercados desatendidos, tendo a Flixbus como contemplada 1.: Alagoinhas (BA) x Jaboatão dos Guararapes (PE); Balneário Camboriú (SC) x Umbaúba (SE); Bayeux (PB) x Santo André (SP); Camapuã (MS) x Cascavel (PR) estão entre os exemplos.
A plataforma também vai atender 72 mercados onde já há uma oferta, como Curitiba (PR) x São Vicente.
Relembre:
EM PRIMEIRA-MÃO: Janelas da ANTT: Flixbus tem 1158 mercados antes sem atendimento e, Gontijo 3024. Sobre “monopolistas”, Águia Branca vai coincidir com rotas da Itapemirim
Os modelos de negócios foram escolhidos de forma diferente.
Enquanto a Flixbus fez as solicitações diretas por sua marca, a Buser foi contemplada por meio das compras de viações de linhas regulares que fez.
O criador e editor-chefe do Diário do Transporte noticiou em primeira mão, de forma oficial, a aquisição.
Relembre:
Holding da Buser adquire CNPJ da Transportes Santa Maria, do ABC Paulista, para operações rodoviárias interestaduais regulares. JK já havia sido adquirida
O Diário do Transporte mostrou também que mesmo com participação da Buser e Flixbus na primeira janela da ANTT, associação que reúne aplicativos vê resultados com cautela.
Segundo Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), não há evidências ainda de que os benefícios para empresas e para os passageiros serão reais e muitos destes mercados não serão possíveis.
Relembre:
Mesmo com participação da Buser e Flixbus na primeira janela da ANTT, associação que reúne aplicativos vê resultados com cautela
O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou em uma reportagem especial de “pós-divulgação dos resultados dos mercados aprovados” com vários advogados especializados neste setor e em segurança jurídica.
Todos entendem que houve avanços, mas também entendem ser necessária cautela e aliaram riscos jurídicos e operacionais.
“Grande parte dos mercados concedidos não vai ser operada, porque muitos destes mercados não são viáveis ou não conseguem compor uma linha rentável na prática. Resumindo: a janela no final pode ser uma grande ilusão” – explicou o advogado especializado em transportes rodoviários, considerado uma das referências no setor, Ilo Löbel da Luz.
Por este motivo, a advogada especializada em direito empresarial, Liana Variani, aponta também que, além da viabilidade econômica toda nova operação precisa ser avaliada pelo ponto de vista de risco jurídico.
“Toda regulamentação nova requer uma análise aprofundada por equipes de advogados especializados. Esta avaliação deve considerar as novas regras em si, a tal letra fria, mas as realidades próprias da empresa, levando em conta o contexto operacional, organizacional, concorrencial e até mesmo geográfico de determina operação. Vale a pena, então, entender o texto e o contexto de forma ampla e individualizada ao mesmo tempo” – disse.
“Para empresas que nunca operaram no modal rodoviário interestadual — como parece ser o caso de pelo menos parte das contempladas nesta rodada —, a curva de aprendizado regulatório pode ser longa e custosa. Infrações no início da operação, mesmo que involuntárias, geram autuações com penalidades significativas, suspensões e até cassação da autorização”. – detalhou a advogada especializada no setor rodoviário, Rita Januzzi.
Segundo o especialista em direito voltado para a área de transportes, o advogado Lucas Turquino, haverá acirramento concorrencial riscos de litígio.
“Um ponto que merece atenção jurídica é o acirramento competitivo que os resultados desta janela revelam — e em alguns casos, explicitamente agravam. Alguns novos vão aparecer outros vão se ampliar” – disse.
A matéria especial você acessa neste link:
ENTREVISTAS: Primeira janela de ônibus rodoviários da ANTT pode ser “pura ilusão”, grande parte dos mercados aprovados não vai virar realidade e vai ter muita briga na Justiça
O QUE SÃO JANELAS E QUANTAS SÃO:
As chamadas ‘janelas de entrada’ são períodos predefinidos pela agência durante os quais empresas de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros podem apresentar requerimentos para obter novas autorizações de linhas ou para a ampliação de serviços já existentes. Fora dessas janelas, o sistema regulatório é, em regra, fechado para novos pedidos.
Como mostrou o Diário do Transporte, em 24 de abril de 2026, a ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”. Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Com isso, o total de mercados autorizados administrativamente deverá saltar de 33.961 para 72.340 — um crescimento de 113%.
A reportagem completa do editor e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, sobre as janelas, você confere neste link:
ANTT publica resultados de abertura de janelas extraordinárias de mercado de ônibus rodoviários e estima aumento de 52% no número de empresas
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


