Publicado em: 4 de maio de 2026

Campanha alerta que lesões neurológicas graves podem deixar sequelas permanentes; especialistas reforçam que prevenção ainda é o caminho mais eficaz
VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Os acidentes de trânsito continuam entre as principais causas de lesões cerebrais e da coluna no Brasil, muitas delas com impacto irreversível na vida dos pacientes. Em meio à campanha do Maio Amarelo, a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia chama a atenção para a gravidade desses traumas e reforça a importância de medidas preventivas diante de um cenário ainda preocupante no país.
Dados do Observatório Nacional de Segurança Viária apontam que, em média, seis pessoas morrem por hora em sinistros de trânsito no Brasil. Já levantamento da Polícia Rodoviária Federal indica que milhares de acidentes são registrados todos os anos nas rodovias federais, com alto número de feridos graves, muitos deles com traumatismo cranioencefálico ou lesões na coluna. Motociclistas estão entre as principais vítimas, concentrando uma parcela significativa dos casos mais severos.
“O que vemos nos hospitais são histórias que poderiam ter sido evitadas. Muitas vezes, são pacientes jovens, economicamente ativos, que passam a conviver com sequelas graves após um acidente”, afirma a Dra. Vanessa Milanese, Diretora de Comunicação da SBN. “A neurocirurgia tem um papel fundamental no atendimento desses casos, mas há limites. Nem sempre é possível reverter os danos causados ao cérebro ou à medula.”
Segundo a especialista, a gravidade das lesões está diretamente relacionada a fatores como alta velocidade, uso de celular ao volante e ausência de equipamentos de segurança. “O cérebro e a coluna são estruturas extremamente sensíveis. Um impacto mais intenso pode causar desde concussões até lesões irreversíveis. Em casos de trauma medular, por exemplo, o paciente pode evoluir para paraplegia ou tetraplegia”, explica.
Apesar dos avanços no atendimento emergencial, o principal desafio ainda está na prevenção. “A mensagem é simples, mas precisa ser repetida: usar cinto de segurança, respeitar os limites de velocidade, não dirigir sob efeito de álcool e evitar distrações ao volante salvam vidas. São atitudes que reduzem drasticamente o risco de lesões graves”, reforça a médica.
Com o tema “Pare, pense e prossiga”, a campanha da SBN deste ano busca justamente estimular uma mudança de comportamento no trânsito. Para a Dra.., a conscientização precisa ser contínua. “Não podemos tratar o Maio Amarelo como uma ação pontual. O impacto desses acidentes é diário, e a prevenção também precisa ser. Cada decisão no trânsito pode definir o futuro de uma pessoa.”
A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia destaca que, embora a neurocirurgia seja essencial no tratamento de vítimas de trauma, evitar o acidente ainda é a forma mais eficaz de preservar vidas e reduzir o número de pacientes com sequelas permanentes no país.
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte


