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ABC Paulista vai ter 904 novas opções de rotas rodoviárias de ônibus interestaduais para todo o País em “janela da ANTT”


Ônibus no TERSA (Terminal Rodoviário de Santo André)

Deste total, 843 são trechos não atendidos até então e, em 61, haverá reforço na concorrência. Operações são previstas para começarem gradativamente a partir de julho de 2026

ADAMO BAZANI

Quem mora no ABC Paulista vai contar com 904 novas opções de rotas rodoviárias de ônibus interestaduais para diversas partes do Brasil. O levantamento é exclusivo do criador e editor-chefe do site especializado em mobilidade, Diário do Transporte, Adamo Bazani, com documentos oficiais obtidos junto a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), do Governo Federal que regula o setor.

O órgão divulgou no dia 24 de abril de 2026, os resultados da “primeira janela” de mercados rodoviários, que é a oportunidade para as viações pedirem autorização para novos atendimentos. Os serviços vão começar a ser prestados gradativamente a partir de julho de 2026.

Entre os destinos que ampliam as opções de deslocamentos rodoviários que têm o ABC como ponto de embarque e desembarque estão Brasília (DF); Apucarana (PR), Arraial do Cabo (RJ); Cabo Frio (RJ); Campina Grande (PB); Porto Seguro (BA); Salvador (BA); Palmas (TO); Olinda (PE); Paraty (RJ); São Luís (MA), Araguari (MG); Campina Grande (PB); Corumbá (MS); Aracaju (SE); Juazeiro do Norte (CE); Campo Grande (MS); além de cidades menores.

Grande parte destas opções está inserida em rotas que têm como destino Santos (SP) e o ABC acaba sendo passagem com possibilidades de acesso pelos passageiros.

Deste total de 904 mercados, 843 são trechos não atendidos até então e, em 61, haverá reforço na concorrência, já que são operados por apenas uma companhia no momento.

Além de embarques e desembarques nos terminais rodoviários de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, a ANTT atendeu a pedidos das empresas que vão parar em locais por elas definidos em Diadema e Mauá.

Há mercados de rotas coincidentes, como embarques e desembarques nas cidades do ABC para os mesmos destinos.

O Diário do Transporte conversou com advogados especializados em risco empresarial e regulação rodoviária, como Liana Variani, Ilo Löbel e Rita Januzzi, de diferentes escritórios, que apontaram que há a possibilidade de nem todos estes trechos acabarem saindo do papel, já que os mercados terão de apresentar conexões, viabilidade e as empresas terão de apresentar uma série de comprovações para a ANTT. Mas todos estes especialistas não negam que haverá um aumento significativo no total de opções aos passageiros.

TOTAL NO BRASIL

A ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”.  Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Com isso, o total de mercados autorizados administrativamente deverá saltar de 33.961 para 72.340 — um crescimento de 113%. Além disso, 5.459 mercados (11,5% do total) serão submetidos a processo seletivo público.

O QUE SÃO ESTES MERCADOS?

Cada mercado corresponde, simplificando a explicação, a um trecho dentro das linhas, que significa o ponto a ponto para embarque ou desembarque desde que entre cidades de estados diferentes para não competir com as linhas intermunicipais. Assim, uma única linha pode ter dezenas de mercados.

Por exemplo, uma linha entre Santo André (SP) e Salvador (BA): se a empresa é autorizada a, dentro desta mesma linha, vender passagens no sentido Bahia entre 1) Santo André (SP) x Campos dos Goytacazes (RJ); 2) Santo André (SP) x Vitória (ES); 3) Santo André (SP) x Teixeira de Freitas (BA), serão quatro mercados nesta linha: as três paradas (Campos dos Goytacazes, Vitória e Teixeira de Freitas) mais o destino (Salvador).

Esta divisão ocorre para ampliar as opções dos passageiros e permitir que as empresas vendam passagens em assentos que forem ir desocupando no meio da viagem.

Mercados sem nenhum atendimento até agora: 843 trechos

Santo André– 231

Exemplos:

Apucarana (PR) – Gontijo; Arraial do Cabo (RJ) – Guanabara/UTIL; Barbacena (MG) – Transportes Santa Maria/Buser; Belém (PA) – Viação Cantelle; Cabo Frio (RJ) – Guanabara/UTIL; Caetité (BA) – EMTRAM; Campina Grande (PB) – Gontijo; Canoas (RS) – Viação Cantelle; Colatina (ES) – Viação Águia Branca; Feira de Santana (BA) – Viação Águia Branca; Irecê – EMTRAM; Macaé (RJ) – Viação Águia Branca; Navegantes (SC) – Flixbus; Porto Alegre – Flixbus; Porto Seguro (BA) – Viação Novo Horizonte; Salvador (BA) – Viação Águia Branca; Palmas (TO ) – Viação Cantelle;

São Bernardo do Campo – 230

Exemplos:

Água Boa (MG) – Gontijo; Alfenas (MG) – Guanabara/Sampaio; Bombinhas (SC) – Flixbus; Canindé – Expresso Ceará (Cearense); Cascavel (PR) – Brasil Sul; Esplanada (BA) – Gontijo; Garanhuns (PE) – Gontijo; Murita (BA) – Rota Transportes; Olinda (PE) – Rota Transportes Rodoviários; Paraty (RJ) – Flixbus; Passa Quatro (MG) Guanabara/Viação Sampaio; Piripiri (PI) – Trans Carvalho Transportes; Quixeramobim (CE) – Expresso Ceará (Cearense); São Luís (MA) – Expresso Guanabara, Araguari (GO) – Caravellas Transportes e Guanabara/Real Expresso;

São Caetano do Sul – 144

Exemplos:

Água Clara (MS) – Pioneira Transportes; Águas Lindas de Goiás (GO) – GMC Transportes; Cambará (PR) – Viação Garcia; Campina Grande (PB) – Gontijo; Cordeiros (BA) – Irmãos Nascimento; Corumbá (MS) – Hugo Transportes; Varginha (MG) – Empresa de Auto Ônibus Santa Rita; Cariacica (ES) – Flixbus e Águia Branca

Diadema – 198

Exemplos:

Água Branca (PI) – Viação Sete; Anápolis (GO) – Mactur; Aracaju (SE) – Rota Transportes Rodoviários; Brasília (DF) – Viação Sete; Juazeiro do Norte (CE) – Viação Amarelinho;

Mauá – 40

Exemplos:

Aparecida de Goiânia (GO) – Viação Novo Horizonte; Brasília (DF); Governador Valadares (MG) – GMC Transportes, Uberaba (MG) – Viação Novo Horizonte;

Mercado com uma empresa atendendo apenas até agora com a viação que vai oferecer nova opção –

Santo André – 21

Exemplos:

Almenara (MG) – Gontijo; Campo Grande (MS) – VTR Transportes; Cornélio Procópio (PR) – Nossa Senhora da Penha/Grupo Comporte; Juiz de Fora (MG) – Flixbus; Santa Rita do Sapucaí (MG) – Pássaro Marron; Três Lagoas (MS) – Reunidas Paulista/Grupo Comporte;

São Bernardo do Campo – 25

Exemplos:

Aracaju (SE) – Gontijo; Barroso (MG) – Viação Cometa; Conselheiro Lafaiete (MG);

São Caetano do Sul – 15

Exemplos:

Goiânia (GO) – Viação Cantelle; Ponta Grossa (PR) – Brasil Sul; Três Corações – Empresa Auto Ônibus Santa Rita;

GRUPOS TRADICIONAIS X “START UPS”

A ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”.  Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Com isso, o total de mercados autorizados administrativamente deverá saltar de 33.961 para 72.340 — um crescimento de 113%. Além disso, 5.459 mercados (11,5% do total) serão submetidos a processo seletivo público.

Cada “janela da ANTT” é uma oportunidade para, de acordo com as atuais regras do setor, que as empresas solicitem autorizações para operar, privilegiando trechos onde não há nenhum tipo de atendimento ainda ou apenas uma companhia atuando.

Já cada mercado corresponde, simplificando a explicação, a um trecho dentro das linhas, que significa o ponto a ponto para embarque ou desembarque desde que entre cidades de estados diferentes para não competir com as linhas intermunicipais. Assim, uma única linha pode ter dezenas de mercados.

Por exemplo, uma linha entre Santo André (SP) e Salvador (BA): se a empresa é autorizada a, dentro desta mesma linha, vender passagens no sentido Bahia entre 1) Santo André (SP) x Campos dos Goytacazes (RJ); 2) Santo André (SP) x Vitória (ES); 3) Santo André (SP) x Teixeira de Freitas (BA), serão quatro mercados nesta linha: as três paradas (Campos dos Goytacazes, Vitória e Teixeira de Freitas) mais o destino (Salvador).

Esta divisão ocorre para ampliar as opções dos passageiros e permitir que as empresas vendam passagens em assentos que forem ir desocupando no meio da viagem.

Com a marca própria Flixbus, a gigante alemã conseguiu 1158 mercados onde não havia oferta até então e 72 mercados onde já há uma oferta, somando 1230 mercados. A FlixBus está no Brasil desde 2021, mas a atuação na Europa começou em 2011 e hoje se tornou gigante, tendo, inclusive frota própria de ônibus e operando até mesmo ferrovias.

A Buser, criada no Brasil em 2017, obteve 27 mercados autorizados, sendo 26 onde não havia atendimento e um para concorrer onde há uma empresa apenas. Mas as liberações não foram para a Buser em si, mas para duas empresas de linhas regulares que comprou, a Transportes Santa Maria, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista; e Expresso JK, do Distrito Federal. Ambas já atuavam no setor dessas linhas. O aplicativo Buser se caracterizou pelo que chama de “fretamento colaborativo”, modelo que é alvo de um debate jurídico sobre se é legal ou não no Brasil.

Veja os detalhes:

Em 28 de abril de 2026, o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, mostrou que o aplicativo  Buser vai operar 27 mercados.

As operações se darão por meio da compra recente pelo aplicativo das empresas Transportes Santa Maria, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista; e Expresso JK, do Distrito Federal.

Somente em relação aos chamados mercados “desatendidos”, que são ligações para as quais não havia nenhuma oferta, são 26, sendo 18 pela empresa do ABC e oito pela JK.

Barbacena (MG) x Santo André (SP); Campo Belo (MG) x São Bernardo do Campo (SP); Formiga (MG) x São José do Rio Preto (SP); são alguns exemplos pela Santa Maria e; Morrinhos (MG) x Belo Horizonte (MG); Pinhas (PR) x Registro (SP) e Rio de Janeiro (RJ) x Itaquaquecetuba (SP), pela JK, são casos dos mercados antes sem oferta de ligações.

Já entre os mercados que tinham a atuação de uma só empresa, a Buser vai operar, pela Expresso JK, a ligação Contagem (MG) x Três Rios (RJ).

Relembre:

EXCLUSIVO: Buser ganhou mais 27 mercados de ônibus de linhas regulares interestaduais com janelas da ANTT

No dia 27 de abril de 2026, Adamo Bazani mostrou que a plataforma internacional Flixbus conseguiu autorizações para operar diretamente linhas de ônibus nestas janelas.

Foram 1158 mercados onde não havia oferta até então, que são chamados pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), de mercados desatendidos, tendo a Flixbus como contemplada 1.: Alagoinhas (BA) x Jaboatão dos Guararapes (PE); Balneário Camboriú (SC) x Umbaúba (SE); Bayeux (PB) x Santo André (SP); Camapuã (MS) x Cascavel (PR) estão entre os exemplos.

A plataforma também vai atender 72 mercados onde já há uma oferta, como Curitiba (PR) x São Vicente.

Relembre:

EM PRIMEIRA-MÃO: Janelas da ANTT: Flixbus tem 1158 mercados antes sem atendimento e, Gontijo 3024. Sobre “monopolistas”, Águia Branca vai coincidir com rotas da Itapemirim

Os modelos de negócios foram escolhidos de forma diferente.

Enquanto a Flixbus fez as solicitações diretas por sua marca, a Buser foi contemplada por meio das compras de viações de linhas regulares que fez.

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte noticiou em primeira mão, de forma oficial, a aquisição.

Relembre:

Holding da Buser adquire CNPJ da Transportes Santa Maria, do ABC Paulista, para operações rodoviárias interestaduais regulares. JK já havia sido adquirida

O Diário do Transporte mostrou também que mesmo com participação da Buser e Flixbus na primeira janela da ANTT, associação que reúne aplicativos vê resultados com cautela.

Segundo Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), não há evidências ainda de que os benefícios para empresas e para os passageiros serão reais e muitos destes mercados não serão possíveis.

Relembre:

Mesmo com participação da Buser e Flixbus na primeira janela da ANTT, associação que reúne aplicativos vê resultados com cautela

O criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou em uma reportagem especial de “pós-divulgação dos resultados dos mercados aprovados” com vários advogados especializados neste setor e em segurança jurídica.

Todos entendem que houve avanços, mas também entendem ser necessária cautela e aliaram riscos jurídicos e operacionais.

“Grande parte dos mercados concedidos não vai ser operada, porque muitos destes mercados não são viáveis ou não conseguem compor uma linha rentável na prática. Resumindo: a janela no final pode ser uma grande ilusão” – explicou o advogado especializado em transportes rodoviários, considerado uma das referências no setor, Ilo Löbel da Luz.

Por este motivo, a advogada especializada em direito empresarial, Liana Variani, aponta também que, além da viabilidade econômica toda nova operação precisa ser avaliada pelo ponto de vista de risco jurídico.

“Toda regulamentação nova requer uma análise aprofundada por equipes de advogados especializados. Esta avaliação deve considerar as novas regras em si, a tal letra fria, mas as realidades próprias da empresa, levando em conta o contexto operacional, organizacional, concorrencial e até mesmo geográfico de determina operação. Vale a pena, então, entender o texto e o contexto de forma ampla e individualizada ao mesmo tempo” – disse.

“Para empresas que nunca operaram no modal rodoviário interestadual — como parece ser o caso de pelo menos parte das contempladas nesta rodada —, a curva de aprendizado regulatório pode ser longa e custosa. Infrações no início da operação, mesmo que involuntárias, geram autuações com penalidades significativas, suspensões e até cassação da autorização”. – detalhou a advogada especializada no setor rodoviário, Rita Januzzi.

Segundo o especialista em direito voltado para a área de transportes, o advogado Lucas Turquino, haverá acirramento concorrencial riscos de litígio.

“Um ponto que merece atenção jurídica é o acirramento competitivo que os resultados desta janela revelam — e em alguns casos, explicitamente agravam. Alguns novos vão aparecer outros vão se ampliar” – disse.

A matéria especial você acessa neste link:

ENTREVISTAS: Primeira janela de ônibus rodoviários da ANTT pode ser “pura ilusão”, grande parte dos mercados aprovados não vai virar realidade e vai ter muita briga na Justiça

O QUE SÃO JANELAS E QUANTAS SÃO:

As chamadas ‘janelas de entrada’ são períodos predefinidos pela agência durante os quais empresas de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros podem apresentar requerimentos para obter novas autorizações de linhas ou para a ampliação de serviços já existentes. Fora dessas janelas, o sistema regulatório é, em regra, fechado para novos pedidos.

Como mostrou o Diário do Transporte, em 24 de abril de 2026, a ANTT aprovou 47.291 mercados. Desse total, 38.379 referem-se a mercados até então não atendidos, chamados pela agência de “mercados desatendidos”.  Outros 8.912 mercados são atualmente operados por apenas uma empresa e foram classificados pela ANTT como “mercados monopolistas”. Com isso, o total de mercados autorizados administrativamente deverá saltar de 33.961 para 72.340 — um crescimento de 113%.

A reportagem completa do editor e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, sobre as janelas, você confere neste link:

ANTT publica resultados de abertura de janelas extraordinárias de mercado de ônibus rodoviários e estima aumento de 52% no número de empresas

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Fonte

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