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Tarcísio diz nesta sexta (15) que obra do BRT-ABC começou a “andar bem” e que obras da linha 20-Rosa vão demorar cinco anos com quatro tatuzões


Tarcísio de Freitas em vista ao futuro pátio da linha 20-Rosa, nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. Foto: Governo SP

Segundo Governador, previsão de entrega do corredor é até fim do ano, não está descartada ainda a caducidade do contrato com a NEXT Mobilidade, mas se as intervenções avançarem, empresa será mantida. Linha 21 para Diadema está confirmada

ADAMO BAZANI,  ARTUR FERRARI e VINÍCIUS DE OLIVEIRA

ÁUDIO SOBRE O BRT-ABC:

ÁUDIO SOBRE A LINHA 20-ROSA:

O Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a falar nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, das obras do BRT-ABC, sistema de corredores de ônibus rápidos elétricos de 17,8 km entre a região e a capital, que foi escolhido para substituir o monotrilho da linha 18-Bronze, cujo projeto nunca saiu do papel.

Antes de cumprir agenda no futuro pátio da linha 20-Rosa do Metrô ABC (Santo André – São Paulo/Santa Marina), em parte do terreno da antiga planta da Ford, em São Bernardo do Campo, Tarcísio diz que percorreu parte do corredor de ônibus e disse que a “obra começou a andar bem”.

Como mostrou o Diário do Transporte, o Governo ameaçou a caducidade (rompimento) do contrato com a NEXT Mobilidade, responsável pelas obras e futura operação do corredor, por atraso nos trabalhos. A Artesp, agência que regula os transportes no Estado de São Paulo, declarou que estes atrasos causaram um desequilíbrio de R$ 130 milhões em favor do poder público.

Segundo Tarcísio, a previsão de entrega do corredor é até fim deste ano de 2026.

O Governador disse que ainda não está descartada a caducidade do contrato com a NEXT Mobilidade, mas se as intervenções avançarem, a empresa será mantida.

Tarcísio ainda revelou que a obra tem uma questão que pode gerar atraso e a caducidade: uma interferência em fluxo de água do Córrego dos Meninos. É necessária uma licença ambiental para a readequação. Porém, de acordo como Governador, a empresa já corre para resolver.

A gente está acompanhando as obras, a gente veio demonstrando a nossa insatisfação com esse contrato, porque esse contrato foi prorrogado lá atrás em cima de uma premissa de vantajosidade. A vantajosidade era a troca da extensão do contrato por um investimento e o investimento era justamente a linha do BRT, quase um bi de investimento. Quando esse investimento não acontece, você perde a vantajosidade, então não haveria por que fazer a prorrogação antecipada do contrato.

Isso nos leva a pensar na extinção do contrato, que é feito por meio da caducidade. Esse processo está aberto, esse processo sancionatório está aberto e a gente vai monitorando. A empresa fez compromissos de concluir essa obra até o final do ano e, de fato, a obra a partir de um determinado tempo começou a andar bem, eu acho que vocês conseguem ver isso. A obra está andando, de fato.

Ontem eu tive a oportunidade, antes de vir aqui para o ABC, de passar pela obra e eu vi que ela realmente andou, ela teve um avanço físico importante. Então, vamos acompanhar, vamos monitorar para ver se algum problema ambiental que a gente já está vendo vai ser resolvido e aí tem uma questão de interceptação de curso d’água que eles precisam resolver. Isso também é um fator, um motivo de caducidade e se o cronograma vai ser cumprido rigorosamente, porque a gente não pode aceitar desvio do cronograma.

Nós precisamos entregar essa obra para o cidadão aqui do ABC também e aí nós vamos monitorar. Se a obra andar e o cronograma, esse novo prazo for cumprido, ok. Se não for, a gente parte para a extinção do contrato.

O BRT-ABC deve ter 17,8 km de extensão, entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e as estações Tamanduateí e Sacomã da linha 2-Verde de Metrô e dos terminais de ônibus municipais (SPTrans – São Paulo Transporte).

O custo da obra, de cerca de R$ 1,2 bilhão é totalmente bancado pela NEXT Mobilidade.

O monotrilho da linha 18-Bronze custaria R$ 7,2 bilhões, sendo que R$ 3,2 bilhões dos cofres públicos, dos quais, R$ 1 bilhão em desapropriações. A demanda inicial do monotrilho seria maior: 340 mil pessoas por dia ante 175 mil do BRT.

O tempo de deslocamento do monotrilho ficaria 20 minutos menor, em média, mas o BRT terá a possibilidade três linhas: expressa, paradora e semi-expressa, com flexibilidade de escolha.

O monotrilho sairia de Ferrazópolis em São Bernardo do Campo, mas na capital teria um trecho menor, indo só até Tamanduateí. Já o BRT vai partir do centro de São Bernardo do Campo, porque de Ferrazópolis ao Centro já tem o “trólebus” do Corredor ABD. Mas na capital, o BRT terá um trecho maior, que incluiu Tamanduateí e mais à frente, Sacomã.

AMEAÇA DE ROMPIMENTO DE CONTRATO:

Como mostrou o Diário do Transporte, o Governo do Estado de São Paulo ameaçou caducidade no contrato devido a atrasos nas obras.

Além disso, a Artesp, agência que regula os contratos de transportes, diz que, por causa destes atrasos, há um desequilíbrio financeiro em favor do Estado na ordem de R$ 130 milhões.

A promessa inicial era de entrega em 2023, mas de acordo com a empresa, fatores externos como a não conclusão dos trabalhos de concessionárias de serviços, como a Enel, em remoção de postes e fiações, além da espera pela liberação de licenças ambientais impactaram o cronograma.

Relembre:

 

LINHA 20-ROSA:

A implantação do pátio da Linha 20-Rosa, de fato um metrô para o ABC já que a 18-Bronze seria apenas um monotrilho, foi o local visitado por Tarcísio nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026. A viabilização do espaço foi possível por um acordo com a empresa Prologis, proprietária da área da correspondente a fábrica da Ford. Uma parte do terreno vai contemplar o pátio de manobras dos trens.

A empresa fará um investimento de R$ 1,5 bilhão na região. Do terreno, foram desapropriados 228 mil metros quadrados para área dos trens.

Tarcísio informou nesta sexta-feira (15) algumas previsões sobre a linha 20.

Segundo o Governador, os projetos executivos e de obras devem ser contratados em 2027.

Após o início efetivo das intervenções, uma vez concluídos estes projetos e as declarações de utilidade pública de imóveis para desapropriação, as obras nos 31 km devem ser concluídas em cerca de cinco anos.

O tempo, por se tratar de obras de metrô, é considerado até pequeno.

Segundo Tarcísio, um dos motivos é que os trabalhos contarão com quatro tatuzões (tuneladoras) operando ao mesmo tempo.

A linha, ainda de acordo com Tarcísio deve custar R$ 40 bilhões.

O governador ainda disse que está garantida para o ABC a linha 21, de trilhos também, entre Diadema e a zona Sul da capital paulista.

“A gente precisa sempre pontuar essa questão da paciência, porque uma obra de metrô é uma obra complexa, é uma obra que leva um tempo. Agora, você não sobe o último degrau de uma escada, você não chega no último andar sem romper o primeiro degrau, sem vencer o primeiro. E o que a gente está fazendo é isso.

Botamos o projeto básico na rua, o projeto básico está sendo concluído, já inicia ano que vem a contratação de executivo e obra, que a gente faz essas duas coisas juntas. Então, neste momento o pessoal está fazendo sondagem, está avaliando geotecnia, já definimos a questão do pátio, que é para começar, estamos fazendo reservas de orçamento, estamos falando de R$ 40 bilhões de investimento nessa linha, pelo menos, mas a estimativa é de R$ 40 bilhões. Então, vai ser um investimento muito potente, um investimento muito importante e a gente vai dar cada passo.

O que vocês vão ver? A partir do momento que a gente está avançando com o projeto executivo e obra, contratamos, logo na sequência vêm as declarações de utilidade pública, as desapropriações para as áreas onde vão ser os postos de ventilação, para as áreas onde vão ser as estações e aí a obra vai ter início de fato. E aí, imagina, começa a chegar a tuneladora aqui, pois, obviamente, fazer 31 quilômetros de metrô é uma tarefa que leva um tempo, porque mesmo trabalhando com quatro tuneladoras, quanto é que avança uma tuneladora por dia? Depende. Terreno, às vezes, é de rocha, você vai avançar quatro metros por dia, cinco metros por dia. Puxa, você escava cinco metros num dia. É isso mesmo. Se for solo, às vezes você escava 15, escava 20, escava 30. A vantagem é que você teve que escavar, o túnel está pronto. Mas leva tempo, é uma obra, mas você precisa começar. Não adianta que não tem milagre, ‘vamos começar o metrô, amanhã está pronto’. Não, não é assim.

É uma obra que a gente vai projetar, planejar, para fazer realmente em cinco anos, que é o tempo de obra. Por isso trazer quatro tuneladoras, a gente tem conseguido sucesso nisso, porque observe, a gente está avançando dentro do cronograma na linha 2, a gente se comprometeu a entregar a linha 17, entregamos, agora em junho a gente deve iniciar as operações da linha 6, final do ano, a gente vai ter a linha 6 já ligando a Brasilândia até Perdizes, no ano que vem a gente liga Perdizes até São Joaquim, então os cronogramas que a gente se propôs a cumprir, a gente está cumprindo.

Qual é a garantia que eu posso dar? É a mesma que eu disse, olha, eu vou terminar com a Cracolândia, a gente terminou, eu vou terminar o Rodoanel, a gente tinha a primeira fase, já entregou, a segunda fase entrega no final do ano, vou entregar a linha 17, a gente entregou, vou entregar a linha 6, a gente vai entregar, e é isso, é saber que as coisas vão acontecer, estão acontecendo, definimos a questão do pátio, o projeto está na rua, está terminando, terminou o projeto, já contrata a obra, ano que vem então a gente está vindo com a contratação da obra, e é um passo de cada vez, tem que ter paciência porque o metrô não nasce da noite para o dia, é uma obra super complexa, são 40 bi de investimento, obra que às vezes as pessoas não enxergam, porque a tuneladora trabalha 24 horas, trabalha embaixo da terra, enfim, as pessoas não sentem muito avanço, mas a gente vê, a gente acompanha, e daqui a alguns anos a gente vai ter o metrô do ABC assim, vai ter o cidadão do ABC conectado.”

LINHA 20-ROSA EM RESUMO:

A linha 20-Rosa terá 31 km de extensão, com 25 estações planejadas, conectando Santo André (estações prefeito Celso Daniel e prefeito Saladino/TERSA – Terminal Rodoviário de Santo André) até a estação Santa Marina, na região da Lapa, em São Paulo. A previsão é de conexões com o BRT-ABC, Corredor Metropolitano ABD, Linha 6-Laranja (Santa Marina), Linhas 7-Rubi/8-Esmeralda (Água Branca), Linha 4-Amarela (Fradique Coutinho/Tabapuã), Linha 5-Lilás (Moema) e Linha 1-Azul (Saúde), além da Linha 10-Turquesa da CPTM em Santo André.

A estimativa é atender aproximadamente 1,3 milhão de pessoas diariamente e toda a operação é prevista para 2035.

O custo total da obra deve ser de R$ 40 bilhões.

BRT-ABC EM RESUMO:

TESTES DE CAMPO NO CORREDOR:

O Diário do Transporte mostrou em primeira-mão que primeiros ônibus 100% a bateria, com 21,5 metros de comprimento, do BRT ABC, começaram a realizar testes em campo em14 de março de 2026, ao longo do corredor exclusivo. Ao todo, pelo menos três veículos foram colocados em operação para verificações operacionais e treinamento de motoristas.

O modelo já é homologado no mercado brasileiro e tem versão semelhante operando em outros sistemas, como na zona leste da capital paulista, e em Porto Alegre. Assim, este tipo de teste não costuma ser do veículo em si, mas da inserção na configuração operacional de cada sistema e de adaptação dos condutores.

Este tipo de ônibus é totalmente elétrico e possui capacidade aproximada para 170 passageiros, entre pessoas sentadas e em pé.

Equipado com tecnologia 100% Brasileira da Eletra, carroceria Caio e plataforma e chassi Mercedes-Benz, o ônibus conta ainda com o último eixo direcional, recurso que facilita manobras em curvas, já que as últimas rodas também esterçam. Entre os itens de conforto e acessibilidade estão piso baixo, ar-condicionado, entradas USB para recarga de celulares, vidros com tratamento contra raios ultravioleta e sistema de aviso sonoro de paradas.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/03/14/video-primeiros-onibus-a-bateria-do-brt-abc-iniciam-testes-em-corredor-neste-sabado-14-tarcisio-de-freitas-cobra-pressa/
Recentemente, a NEXT-Mobilidade apresentou estes 20 primeiros ônibus superaticulados elétricos com baterias que vão se somar aos 72 E-Trol (trólebus mais baterias) da frota planejada para o BRT-ABC.
Relembre:

O QUE É O BRT-ABC:

O BRT-ABC consiste num sistema para ônibus elétricos de maior capacidade que corredores comuns e deve ligar em 17,5 km as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, e a capital paulista.

BRT é uma sigla em inglês – Bus Rapid Transit , significando Trânsito Rápido para Ônibus. As obras foram prometidas inicialmente para até 2023 e o sistema  foi escolhido em 2020 para substituir um monotrilho (linha 18-Bronze).

O monotrilho não saiu do papel e, de acordo com estudos do Governo, na época, se mostrou tecnicamente inviável e quase sete vez mais caro. A implantação, ainda segundo estes estudos, custaria R$ 7 bilhões (em valores atualizados), sendo cerca de R$ 3,5 bilhões custeados pelo Governo do Estado, dos quais, R$ 1 bilhão somente em desapropriações. O BRT-ABC tem custo estimado de implantação de cerca de R$ 1,2 bilhão é é integralmente bancado pela Next Mobilidade.

Faz parte da concessão a renovação da frota de cerca de 500 ônibus intermunicipais do ABC (antiga área 5 da EMTU, que nunca havia sido concedida, operava com contratos precários por várias empresas e liderava rankings de reclamações dos passageiros sobre frota que quebrava constantemente, atrasos e demora nos pontos). Também integra a concessão a modernização do Corredor Metropolitano ABD (que liga a capital paulista e o ABC com ônibus a diesel e trólebus).

A concessão nasceu de um modelo contratual chamado de prorrogação antecipada de contrato, que consiste em ampliar o prazo em troca de investimentos.

No caso específico, tratou-se do contrato de 1997 pelo Corredor ABD que venceria em 2022.

O modelo que tem o aval do TCU (Tribunal de Contas da União) é mais usado em ferrovias e rodovias federais.

O BRT-ABC, chegou a ser contestado pelo PODEMOS, mas em 2023, em julgamento de Plenário, por 8 votos a 3, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o modelo contratual pode ser usado por estados e municípios em diversas aplicações, como transporte por ônibus.

Outros sistemas se inspiraram e seguiram contratações semelhantes, como do Governador Ronaldo Caiado, na rede de ônibus de Goiânia e Região Metropolitana, com a renovação da frota e do sistema de corredores BRT.

BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)

Passsageiros: Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.

Frota: Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
Pavimento: Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
Embarque-Desembarque: Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
Custo: Inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
Extensão: Trajeto de 17, 5 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Fonte

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