Publicado em: 21 de maio de 2026

Segundo o coordenador de Transportes de Sorocaba, Marcius Pereira, modelo contratual que reuniu implantação e operação do BRT foi fundamental para a sustentabilidade do sistema
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
O sistema de transporte coletivo de Sorocaba (SP) está entre os poucos do Brasil que conseguiram recuperar e superar a demanda de passageiros registrada antes da pandemia de covid-19, período considerado um dos mais críticos para a mobilidade urbana no País.
Os dados foram apresentados pelo coordenador de Transportes Públicos e Trânsito de Sorocaba, Marcius Pereira, durante o ZURB – Seminário de Mobilidade Urbana, realizado em Recife (PE) nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, com cobertura do Diário do Transporte.
O evento é promovido pelo Urbana-PE, sindicato das empresas de ônibus da região metropolitana do Recife.
Segundo Pereira, o sistema transportou 47,1 milhões de passageiros em 2018 e 45 milhões em 2019. Após a forte redução registrada durante a pandemia, a demanda voltou a crescer, alcançando 50,7 milhões de usuários em 2023 e chegando atualmente a 54,4 milhões de passageiros por ano.
De acordo com o coordenador, a recuperação e ampliação da demanda estão diretamente ligadas à implantação do sistema BRT, além dos investimentos contínuos em modernização, acessibilidade e tecnologia.
Entre os recursos implantados está a comunicação direta entre passageiros e o Centro de Controle Operacional (CCO). Nas estações do BRT, os usuários conseguem contato em tempo real, por viva-voz, com atendentes humanos, sem utilização de inteligência artificial.
Pereira afirmou ainda que pesquisas realizadas nas regiões atendidas pelo BRT indicaram redução no uso do transporte individual por parte da população.
“Não basta implantar, é necessário expandir e modernizar de forma contínua um BRT e um sistema de transportes. E sem uma nova concepção de contrato, isso seria impossível”, disse Pereira.
Segundo ele, um dos fatores fundamentais foi o modelo contratual adotado em Sorocaba, que reuniu construção, manutenção da infraestrutura e operação do sistema em uma mesma concessão.
O projeto começou em 2013 com recursos do PAC Mobilidade.
Atualmente, segundo os dados apresentados no seminário, o índice de aprovação do sistema pelos passageiros é de 73%.
Pereira destacou também que ainda existem poucos modelos semelhantes no Brasil que integrem obras de infraestrutura e operação, citando como exemplos o BRT-ABC, em implantação na Grande São Paulo, e o sistema metropolitano de Goiânia (GO).
Outro ponto destacado foi a previsão contratual de redução da remuneração das operadoras em casos de falhas operacionais ou problemas na infraestrutura.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


