Publicado em: 21 de maio de 2026

“Portal da Mobilidade” tem como base os trabalhos do ENMU – Estudo Nacional de Mobilidade Urbana
ADAMO BAZANI
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) quer incentivar as chamadas PPPs (Parcerias Público Privadas) Subnacionais, que foram regulamentadas em dezembro de 2025. Um dos focos será a mobilidade urbana.
O modelo tem como objetivo facilitar o financiamento de obras metropolitanas que envolvem diversas cidades e o governo estadual de determinada região.
Obras de infraestrutura de estados, o Distrito Federal e municípios, devem receber os recursos na União. Este novo marco regulatório visa incentivar as Parcerias Público-Privadas (PPP) subnacionais e, ao mesmo tempo, estabelecer normas claras e padronizadas para as transferências obrigatórias de recursos federais destinados a aportes em contratos de PPP firmados por esses entes federativos.
A informação é do economista e especialista em mobilidade urbana e estruturação de projetos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Alexandrino no evento ZURB – Seminário de Mobilidade Urbana, realizado pelo sindicato das empresas de transportes da região metropolitana de Recife nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026.
O Diário do Transporte está no local na cobertura presencial.
Esta possibilidade de financiamento está no ENMU, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana.
Em todo o país, o ENMU concluiu a definição de 187 projetos para ampliar as redes de transporte público coletivo de média e alta capacidade (TPC-MAC) nas 21 maiores regiões metropolitanas (RMs).
Ao todo, são estimados investimentos da ordem de R$ 430 bilhões, sendo R$ 230 bilhões em metrôs, R$ 31 bilhões em trens, até R$ 105 bilhões em veículos leves sobre trilhos (VLT), até R$ 80 bilhões em BRTs e R$ 3,4 bilhões em corredores exclusivos de ônibus.
Segundo Alexandrino, o ENMU gerou dados destas 21 regiões que vão possibilitar o lançamento do “Portal da Mobilidade”.
Não somente divulgar resultados dos estudos, mas o objetivo é democratizar dados para a academia, outros gestores e iniciativa privada realizarem pesquisas, orientarem investimentos e darem prosseguimento a outros estudos.
Alexandrino disse ainda que o ENMU propõe seis projetos de mobilidade para a Região Metropolitana de Recife por R$ 14,8 bilhões até 2054. Os projetos integram Ônibus BRT, VLT e metrô com benefícios sociais de R$ 13,4 bilhões.
Na capital pernambucana, o estudo prevê requalificação do metrô (38km), além de projetos para implantação de VLT e de BRT (118km). A definição pela tecnologia VLT ou BRT será feita em etapas seguintes, com base nos estudos detalhados para modelagem dos projetos. O investimento estimado para os projetos é de até R$ 14,8 bilhões.
No Recife, a implementação dos projetos resultará na redução estimada de cerca de 240 mortes em acidentes de trânsito até 2054. E, também, evitará a emissão de 116,2 mil de toneladas de CO2 por ano.
Outro benefício é a redução do custo operacional por viagem, decorrente da maior utilização dos sistemas de média e alta capacidade, que tipicamente são mais eficientes. No caso do Recife, a redução é de 9%.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


