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Após conclusão de intervenções pela Enel, NEXT Mobilidade anuncia aceleração de obras no BRT-ABC. Testes com ônibus começaram


Remoção de rede necessária para a construção do viaduto Mauá levou cerca de 510 dias para ser realizada, segundo Next

Em ao menos três pontos do Corredor, empresa de ônibus diz que teve de esperar cerca de 500 dias concessionária de energia terminar trabalhos

ADAMO BAZANI

A NEXT Mobilidade, responsável pela construção e posterior operação do BRT-ABC, sistema de corredores de ônibus entre o ABC Paulista e a capital, anunciou a aceleração das obras para implantação do sistema, após a conclusão de trabalhos solicitados a concessionárias de serviços, em especial a ENEL. Segundo a empresa, a distribuidora de energia levou cerca de 500 dias para terminar as intervenções, como remoções e deslocamentos de redes aéreas que impediam a continuação das obras em diferentes trechos Neste fim de semana, começaram os testes no corredor, em campo, dos primeiros ônibus elétricos a bateria de 21,5 metros de comprrimento. (VEJA MAIS ABAIXO A RELAÇÃO DOS PONTOS).

Em alguns canteiros, os trabalhos foram intensificados na última semana, de acordo com a concessionária.

Como mostrou o Diário do Transporte, na última quarta-feira, 11 de março de 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, confirmou um procedimento já publicado pela Artesp, agência que regula os transportes no estado, que pode culminar na decretação da caducidade (rompimento) do contrato com a empresa. Tarcísio está insatisfeito com os atrasos nas obras, prometidas, mais recentemente, para serem entregues em outubro de 2026. A promessa inicial era de entrega até 2023.

Relembre:

Por meio de nota, a Next Mobilidade relacionou os pontos nos quais as intervenções mais levaram tempo para ser concluídas pela Enel e destacou que atualmente, cerca de 900 trabalhadores atuam em dois turnos, inclusive aos finais de semana.

A NEXT Mobilidade informa que, com a conclusão, na última semana, dos trabalhos que só poderiam ser executados pelas concessionárias de serviços, em especial, pela ENEL, foi possível acelerar as obras para implantação do sistema de corredores de ônibus elétricos rápidos de alta capacidade, BRT-ABC.

Apesar de reiteradas solicitações, alguns destes trabalhos só foram entregues depois de cerca de 500 dias, o que impactou o cronograma previsto pela Next Mobilidade em diferentes trechos do BRT.

Ente os quais, destacamos:

– Na praça dos Andarilhos, a remoção de rede necessária para a construção do viaduto Mauá levou cerca de 510 dias para ser realizada. O serviço inclusive foi concluído somente na segunda-feira, 9 de março de 2026.

– Outro exemplo foi a remoção de redes aéreas da Enel que afetou as obras da rua Abraão Braga, onde o serviço da Enel levou 503 dias para ser realizado.

– Já na rua do Grito, em São Paulo, a conclusão ocorreu somente em 499 dias.

As obras do BRT-ABC contam com cerca de 900 trabalhadores, em dois turnos, inclusive aos finais de semana. Os primeiros 20 ônibus de alta capacidade elétricos, de um total de 92 veículos previstos, já se encontram na empresa para a realização dos testes.

A Next Mobilidade mantém diálogo aberto e constante com o Governo do Estado, com a Artesp e com as concessionárias de serviços.

Destacamos que somos uma empresa reconhecida pelo cliente pelos serviços prestados no Corredor ABD, além de ser contemplada com premiações e ótimas colocações em pesquisas de mobilidade

O Diário do Transporte mostrou em primeira-mão que primeiros ônibus 100% a bateria, com 21,5 metros de comprimento, do BRT ABC, começaram a realizar testes em campo neste sábado, 14 de março de 2026, ao longo do corredor exclusivo. Ao todo, pelo menos três veículos foram colocados em operação para verificações operacionais e treinamento de motoristas.

O modelo já é homologado no mercado brasileiro e tem versão semelhante operando em outros sistemas, como na zona leste da capital paulista, e em Porto Alegre. Assim, este tipo de teste não costuma ser do veículo em si, mas da inserção na configuração operacional de cada sistema e de adaptação dos condutores.

Este tipo de ônibus é totalmente elétrico e possui capacidade aproximada para 170 passageiros, entre pessoas sentadas e em pé.

Equipado com tecnologia 100% Brasileira da Eletra, carroceria Caio e plataforma e chassi Mercedes-Benz, o ônibus conta ainda com o último eixo direcional, recurso que facilita manobras em curvas, já que as últimas rodas também esterçam. Entre os itens de conforto e acessibilidade estão piso baixo, ar-condicionado, entradas USB para recarga de celulares, vidros com tratamento contra raios ultravioleta e sistema de aviso sonoro de paradas.

Relembre:

VÍDEO: Primeiros ônibus a bateria do BRT-ABC iniciam testes em corredor neste sábado (14). Tarcísio de Freitas cobra pressa

Recentemente, a NEXT-Mobilidade apresentou estes 20 primeiros ônibus superaticulados elétricos com baterias que vão se somar aos 72 E-Trol (trólebus mais baterias) da frota planejada para o BRT-ABC.

Relembre:

O QUE É O BRT-ABC:

O BRT-ABC consiste num sistema para ônibus elétricos de maior capacidade que corredores comuns e deve ligar em 17,5 km as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, e a capital paulista.

BRT é uma sigla em inglês – Bus Rapid Transit , significando Trânsito Rápido para Ônibus. As obras foram prometidas inicialmente para até 2023 e o sistema  foi escolhido em 2020 para substituir um monotrilho (linha 18-Bronze).

O monotrilho não saiu do papel e, de acordo com estudos do Governo, na época, se mostrou tecnicamente inviável e quase sete vez mais caro. A implantação, ainda segundo estes estudos, custaria R$ 7 bilhões (em valores atualizados), sendo cerca de R$ 3,5 bilhões custeados pelo Governo do Estado, dos quais, R$ 1 bilhão somente em desapropriações. O BRT-ABC tem custo estimado de implantação de cerca de R$ 1,2 bilhão é é integralmente bancado pela Next Mobilidade.

Faz parte da concessão a renovação da frota de cerca de 500 ônibus intermunicipais do ABC (antiga área 5 da EMTU, que nunca havia sido concedida, operava com contratos precários por várias empresas e liderava rankings de reclamações dos passageiros sobre frota que quebrava constantemente, atrasos e demora nos pontos). Também integra a concessão a modernização do Corredor Metropolitano ABD (que liga a capital paulista e o ABC com ônibus a diesel e trólebus).

A concessão nasceu de um modelo contratual chamado de prorrogação antecipada de contrato, que consiste em ampliar o prazo em troca de investimentos.

No caso específico, tratou-se do contrato de 1997 pelo Corredor ABD que venceria em 2022.

O modelo que tem o aval do TCU (Tribunal de Contas da União) é mais usado em ferrovias e rodovias federais.

O BRT-ABC, chegou a ser contestado pelo PODEMOS, mas em 2023, em julgamento de Plenário, por 8 votos a 3, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o modelo contratual pode ser usado por estados e municípios em diversas aplicações, como transporte por ônibus.

Outros sistemas se inspiraram e seguiram contratações semelhantes, como do Governador Ronaldo Caiado, na rede de ônibus de Goiânia e Região Metropolitana, com a renovação da frota e do sistema de corredores BRT.

BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)

  • Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.
  • Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
  • Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
  • Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
  • Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
  • Custo total estimado em R$ 950 milhões, inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
  • Trajeto de 18 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
  • Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
  • Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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