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BESS vira peça-chave para ônibus elétricos e Livoltek planeja fábrica no Brasil até 2027


BESS em teste na Viação Campo Belo, operadora do transporte municipal de São Paulo

Armazenamento de energia passa a ser tratado como infraestrutura crítica para garantir a operação do transporte público coletivo urbano

ALEXANDRE PELEGI

A Livoltek, empresa do Grupo Hexing, planeja iniciar até 2027 a operação de uma fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em contêineres (BESS – Battery Energy Storage Systems) no Brasil. As informações foram passadas diretamente ao Diário do Transporte pela Livoltek.

O projeto prevê a instalação de uma nova planta industrial em Fortaleza (CE), em um terreno de aproximadamente 40 mil metros quadrados no bairro de Paiupina, com expectativa de inauguração em agosto de 2027. A iniciativa integra a estratégia de longo prazo do grupo para ampliar a manufatura local e atender à crescente demanda por soluções de armazenamento de energia, especialmente associadas à expansão da eletromobilidade urbana.

Armazenamento como infraestrutura do transporte público

Segundo a empresa, o armazenamento de energia deixou de ser um elemento complementar e passou a ocupar papel central nos sistemas elétricos urbanos. No transporte público coletivo, os sistemas BESS são considerados fundamentais para viabilizar a operação de ônibus elétricos, garantindo confiabilidade no fornecimento, redução de picos de demanda e maior resiliência frente a falhas da rede.

Como noticiou recentemente o Diário do Transporte, os casos recorrentes de falta de energia na capital de São Paulo evidenciam um desafio adicional para a expansão da eletromobilidade. O município concentra hoje a maior frota de ônibus elétricos do país e segue em processo acelerado de ampliação desses veículos, o que reforça a importância de soluções de armazenamento para assegurar continuidade operacional, estabilidade da rede e segurança no atendimento do transporte público urbano.

Além de garantir a recarga das frotas, os sistemas BESS permitem o armazenamento de energia fora dos horários de pico, melhorando o aproveitamento da infraestrutura elétrica existente, reduzindo custos operacionais e oferecendo maior previsibilidade energética aos operadores e às cidades.

Quando falamos de eletrificação do transporte público, não estamos falando apenas de instalar carregadores, mas de garantir infraestrutura energética robusta e inteligente. Os sistemas BESS são fundamentais nesse cenário, porque permitem armazenar energia, equilibrar a demanda da rede e viabilizar carregamentos rápidos e contínuos, mesmo em horários de pico. É uma solução estratégica para cidades que buscam uma transição segura, eficiente e sustentável para a mobilidade elétrica. Além de como ajuda a lidar com o limite de demanda em média atual, permitindo ampliar a frota, antes do próximo passo que é a alta tensão.”, afirma Flávio Pimenta, Diretor Comercial – Livoltek Mobility.

Produção nacional de BESS e integração com garagens e terminais

A futura fábrica no Ceará será dedicada à produção de sistemas BESS em contêineres, voltados a aplicações de maior porte, incluindo projetos urbanos e de infraestrutura. A Livoltek também planeja fabricar, em Manaus, sistemas BESS de gabinete, com capacidade de 125 kWh, direcionados ao segmento comercial e industrial (C&I), com potencial de aplicação em garagens de ônibus, terminais e centros operacionais.

A empresa já atua com baterias de armazenamento de pequeno porte, com capacidades entre 5 kWh e 60 kWh, além de carregadores veiculares que variam de 7,3 kW a 120 kW. O portfólio busca integrar geração renovável, armazenamento de energia e mobilidade elétrica em um mesmo ecossistema.

De acordo com a Livoltek, a produção local reduz a dependência de importações e protege a empresa de oscilações tarifárias e de mudanças recentes na política industrial chinesa, como a possível ampliação do fim do desconto de IVA para baterias. Ao fabricar no Brasil, os equipamentos seguem as regras nacionais e tendem a manter maior competitividade no mercado interno.

Escala industrial e financiamento

A estratégia industrial inclui a integração com mecanismos de financiamento. A produção local permite o acesso a linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social por meio do Finame, o que pode facilitar investimentos em infraestrutura energética associada ao transporte público, como sistemas de recarga com armazenamento integrado.

No Polo Industrial de Manaus, a Livoltek já opera uma fábrica com capacidade instalada de até 3 GW em inversores, com potencial de expansão adicional entre 1 GW e 2 GW. Mais de 70% dos processos produtivos já são realizados no Brasil, podendo chegar a 80%, incluindo injeção de peças mecânicas, linhas SMT e PTH e a montagem final dos equipamentos.

P&D e resiliência urbana

No campo de pesquisa e desenvolvimento, o Grupo Hexing mantém uma equipe de engenharia no Brasil dedicada à adaptação das soluções às condições locais, como altas temperaturas, umidade elevada e salinidade em regiões costeiras. Essa customização é considerada especialmente relevante para sistemas BESS e aplicações no transporte público, que exigem operação contínua e alto nível de confiabilidade.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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