Publicado em: 13 de janeiro de 2026

Pólux Engenharia, empresa vencedora da licitação, vai acompanhar projetos e a implantação do sistema que automatiza aceleração, frenagem e paradas, com prazo de 18 meses
ALEXANDRE PELEGI
A CPTM publicou nesta terça-feira (13) no Diário Oficial do Estado de São Paulo o extrato do contrato com a empresa Pólux Engenharia para a prestação de serviços técnicos especializados de engenharia voltados à supervisão do projeto e da implantação do Sistema de Operação Automática de Trens (ATO). O valor do contrato é de R$ 6,21 milhões e o prazo de vigência é de 18 meses.
De acordo com a publicação oficial, o contrato foi assinado no dia 9 de janeiro de 2026, após a empresa vencer a licitação LC00625, conduzida pelo critério de melhor combinação entre técnica e preço. Os recursos têm como base orçamentária outubro de 2025.
A companhia estruturou a contratação de forma corporativa, permitindo que a supervisão técnica acompanhe projetos de ATO em diferentes linhas da rede, conforme o avanço dos programas de modernização de sinalização, controle operacional e automação ferroviária.
A CPTM tem adotado a estratégia de implantar o ATO de forma integrada a projetos mais amplos de sinalização e controle de trens, o que explica a contratação de um serviço único de supervisão, sem vinculação prévia a uma linha específica.
Atualmente, os sistemas de ATO já estão em operação nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que se encontram sob concessão da ViaMobilidade. Esses sistemas, no entanto, não fazem parte do escopo deste contrato, que se restringe exclusivamente às linhas operadas diretamente pela CPTM.
O processo de supervisão, agora formalizado com a assinatura do contrato com a Pólux Engenharia, complementa outros contratos relacionados à implantação de automação e modernização tecnológica — entre eles, a implantação do sistema automático pela concessionária Trivia Trens com a Siemens Mobility nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, como parte do Lote Alto Tietê. Essas intervenções têm sido tratadas como partes de um movimento mais amplo de atualização tecnológica na malha ferroviária metropolitana.
O que será supervisionado
Conforme detalhado no edital da licitação, os serviços contratados abrangem a supervisão técnica completa das etapas de projeto e implantação do ATO, sistema que permite níveis mais elevados de automação na operação ferroviária, com impactos diretos sobre regularidade, segurança operacional e capacidade da rede.
Entre as principais atribuições da contratada estão:
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supervisão e fiscalização dos projetos executivos de sistemas de sinalização e automação ferroviária;
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acompanhamento técnico da implantação física e lógica dos sistemas de ATO;
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análise de cronogramas físicos e financeiros;
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verificação de conformidade técnica com normas ferroviárias, projetos aprovados e especificações da CPTM;
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elaboração de relatórios técnicos, pareceres, memoriais descritivos e documentos de controle;
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acompanhamento dos testes, comissionamentos e etapas de validação dos sistemas implantados.
O escopo também prevê a adoção de metodologias específicas de controle de projetos, fiscalização de obras e acompanhamento de desempenho, além do uso de recursos tecnológicos e sistemas de TI para apoio à supervisão.
Prazo e equipe técnica
O prazo de execução dos serviços é de 18 meses, contados a partir da emissão da ordem de serviço pela CPTM, que deverá ocorrer em até 15 dias após a assinatura do contrato. Durante esse período, a empresa deverá manter equipe técnica dedicada, incluindo profissionais seniores especializados em sinalização e automação metroferroviária.
O edital exigiu a apresentação de equipe técnica-chave composta, no mínimo, por coordenador geral, engenheiro de projetos sênior e engenheiro de montagem de sistemas sênior, todos com experiência comprovada em projetos e implantação de sistemas de sinalização ferroviária ou metroviária.
Importância do ATO para a operação
O Sistema de Operação Automática de Trens (ATO) é uma das camadas de automação dos sistemas modernos de sinalização ferroviária. Ele permite que aceleração, frenagem e paradas sejam executadas de forma automática, mantendo o condutor em funções de supervisão ou intervenção, conforme o nível de automação adotado.
A implantação do ATO tende a ampliar a regularidade das viagens, reduzir variações operacionais, otimizar intervalos entre trens e elevar os padrões de segurança, especialmente em linhas de alta demanda da rede metropolitana.
Outras ações de modernização da CPTM
A nova licitação se soma a outras iniciativas recentes da CPTM voltadas à modernização da infraestrutura das linhas concedidas à iniciativa privada. Em setembro de 2025, a companhia abriu concorrência para a modernização da Linha 13–Jade, que prevê a atualização do sistema de sinalização e a separação dos sistemas de controle das Linhas 11–Coral e 12–Safira, atualmente interligados. O objetivo é permitir maior independência operacional entre as linhas, reduzindo interferências e preparando a rede para a implantação de tecnologias automatizadas como o ATO (leia aqui).
Esses processos indicam um movimento de reorganização técnica e operacional da companhia, que passa a concentrar suas ações em fiscalização, integração e atualização tecnológica dos sistemas ferroviários, enquanto as concessionárias assumem a execução direta das obras e operações.
Linhas de trens metropolitanos já concedidas
Grupo Comporte (ex-CCR) – TIC Trens:
- Linha 7–Rubi (Luz–Jundiaí)
Incluída no projeto de concessão Trem Intercidades Eixo Norte (São Paulo–Campinas), que será operado pelo Grupo Comporte, através da concessionária TIC Trens. O grupo venceu o leilão em fevereiro de 2024 em consórcio com a fabricante chinesa CRRC. A concessionária TIC Trens iniciará a operação total da Linha 7-Rubi em 26 de novembro de 2025
Grupo Motiva Trens (ex-CCR) – ViaMobilidade:
- Linha 8–Diamante (Júlio Prestes–Itapevi–Amador Bueno)
- Linha 9–Esmeralda (Osasco–Grajaú–Varginha)
Operadas pela ViaMobilidade Linhas 8 e 9, concessionária do Grupo CCR, desde 27 de janeiro de 2022, em contrato de 30 anos. Responsável por operação, manutenção, modernização e investimentos estimados em R$ 3,2 bilhões.
Grupo Comporte (Trivia Trens) – Lote Alto Tietê:
- Linha 11–Coral (Luz–Estudantes)
- Linha 12–Safira (Brás–Calmon Viana)
- Linha 13–Jade (Engenheiro Goulart–Aeroporto de Guarulhos)
Contrato de concessão do Lote Alto Tietê assinado em 22 de maio de 2025. A operação completa e independente das linhas pelo Grupo Trivia só deve começar a partir de 2026. O processo prevê um período de transição de dois anos, com 12 meses para treinamento e mais um ano de operação assistida pela CPTM. O contrato inclui operação, manutenção e modernização tecnológica, com investimentos previstos de cerca de R$ 9 bilhões, incluindo a implantação do sistema ATO e modernização das estações.
Linha prevista para concessão futura
- Linha 10–Turquesa (Brás–Rio Grande da Serra)
Ainda sob gestão direta da CPTM, com estudos de concessão em andamento dentro do pacote de projetos do Governo do Estado. Há expectativa de agrupamento com o futuro Trem Intercidades Eixo Sul (Santos–São Paulo).
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


