24 C
Rondonópolis
quarta-feira, 7 janeiro - 01:26
- Publicidade -
Publicidade
HomeTransportesCusto em energia de ônibus elétrico em São Paulo é mais de...

Custo em energia de ônibus elétrico em São Paulo é mais de três vezes menor que o diesel por km, aponta planilha da SPTrans


Comparação é entre os veículos do tipo “padron”, que respondem por grande parte da frota, mas o documento revela vantagens entre todos os modelos. Economia geral pode chegar a cinco vezes. Segundo trabalho da SPTrans com base no que já ocorre de fato na cidade, modelos a bateria são mais vantajosos que diesel, GNV/Biometano e até que os trólebus da geração anterior

ADAMO BAZANI

Se comprar ônibus elétricos é cerca de três vezes mais caro que os modelos dos mesmos portes a diesel, rodar com estes veículos pode representar uma economia por quilômetro significativa.

E quem mostra isso não são fabricantes de ônibus elétricos, que obviamente têm o interesse em vender. É um estudo da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de transportes da capital paulista, que foi mostrado para o CMTT (Conselho Municipal de Transporte e Trânsito), na qual a autarquia deve explicar os custos de operação e manutenção e as justificativas para o aumento da tarifa, que passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026.  Para a Integração entre ônibus e trilhos, o valor passa para R$ 9,38. O Vale-Transporte dos trabalhadores vai de R$ 5,49 para R$ 5,82 no caso de uso somente nos ônibus do sistema da SPTrans. Já o Vale-Transporte Integrado entre Trilhos e Ônibus passa a ser de R$ 11,32.

Relembre:

Segundo o documento, ao qual o Diário do Transporte teve acesso, o custo em energia de ônibus elétrico em São Paulo é mais de três vezes menor que o diesel por km, na comparação feita entre o tipo padron, um dos mais usados na cidade, que possui entre 12,5 metros e 13,5 metros de comprimento, possui piso baixo e ar-condicionado.

De acordo com o levantamento, na seção “CUSTOS VARIÁVEIS: DIESEL / ENERGIA E RODAGEM”, a SPTrans revela que o custo do padron a diesel é de R$ 3.1895950279 por km. Já o elétrico padron, teve um custo de R$ 1.0283720827 por km.

Por mês, o custo de consumo energético de um ônibus elétrico é de R$ 1119616.8872, também do tipo padron. Já no diesel, esse custo, segundo os dados, é de R$ 7710668.25861 por km.

Claro que a quantidade de quilômetros rodados nos ônibus a diesel é maior na cidade de São Paulo porque a frota é maior. São cerca de 1,2 mil ônibus elétricos e os ônibus a diesel somam cerca de 11 mil unidades no sistema da SPTrans.

Por isso, pelo menos até o momento, a comparação mais confiável é por quilômetro rodado.

Há vantagens entre todos os tipos de ônibus, nos custos por quilômetro rodado, para o elétrico na comparação com o diesel.

Básico Diesel – R$ 2.4448350124/km x Básico Elétrico – R$ 0.9962354551/km

Padron 15 m diesel – R$ 3.387641778/km x Padron Elétrico – R$ 1.156918593/km

Segundo o estudo, por quilômetro rodado, o Padron Elétrico a bateria está com um custo menor que do trólebus em consumo.

No trólebus, ônibus elétricos conectados à fiação da rede aérea, segundo a SPTrans, o custo de consumo energético por km operado é de R$ 2.3483. O elétrico a bateria Padron teve custo de R$ 1.0283720827 e o elétrico a bateria de 15 metros foi de R$ 1.156918593/km.

No caso da comparação entre elétrico e diesel, segundo os discursos do prefeito Ricardo Nunes em entregas de frotas novas, a economia com os modelos a bateria pode chegar a cinco vezes mais na operação.

Isso porque, de acordo com Nunes, além do consumo energético em si, os modelos elétricos dispensam uma série de insumos usados pelos ônibus do tipo a óleo diesel, como alguns lubrificantes e o Arla 32, que é um Agente Redutor Líquido Automotivo, a base de 32% de ureia industrial, usado na maior parte dos modelos a combustão, para gerar a reação química necessária na queima com o objetivo de reduzir as emissões de poluentes e cumprir as normas federais previstas nas fases do Proncove (Programa de Controle das Emissões Veiculares) 7 e 8 (padrões Euro V e Euro VI), para veículos pesados a diesel produzidos desde 2012.

Segundo os dados, o custo mensal no sistema SPTrans com Arla 32 é de R$ 1.188.095,23, que se soma ao custo do diesel em si.

A tabela da SPTrans leva em conta o Diesel S10 com base Pesquisa ANP – preço médio para distribuidoras na cidade de São Paulo de out/25 (R$5,28).

Para trólebus e elétrico a unidade é kwatt/hora

Total de custo mensal com combustível, já incluindo Arla 32, em São Paulo, é de R$  201.907.119,09

A falta de infraestrutura adequada, sem a elevação necessária da tensão da rede de São Paulo de baixa para média ou alta para dar conta da potência exigida pelas baterias dos ônibus é a principal justificativa da prefeitura para o não cumprimento da meta de 2,6 mil ônibus elétricos (2,4 mil a bateria) que foi anunciada para dezembro de 2024.

A gestão Ricardo Nunes culpa a distribuidora ENEL por não fazer as ligações nas garagens e por não adequar a tensão das redes da cidade.

A ENEL diz que não recebeu a tempo os projetos completos de várias viações e que segue se reunindo com as empresas de ônibus e prefeitura.

Agora, a meta nova é de mais 2,2 mil ônibus menos poluentes na cidade até 2.028, incluindo também a tecnologia GNV (Gás Natural Veicular)/biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos).

A prefeitura sustenta que uma vez avançado a eletrificação, os custos gerais do sistema devem cair em médio e longo prazo, reduzindo os impactos nas tarifas e subsídios.

Desde 17 de outubro de 2022, as viações não podem comprar modelos a diesel.

Mas com os entraves, a renovação da frota tem atrasado. Os ônibus em geral estão mais velhos e a SPTrans elevou o limite de idade de 10 anos para 13 anos.

VEJA A TABELA OFICIAL DA SPTRANS, A QUAL O DIÁRIO DO TRANSPORTE TEVE ACESSO:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

A média diária de passageiros transportados nos ônibus municipais caiu desde 2019, na comparação com 2025, um total de 27%

Em 2019, eram transportados por dia, 9,65 milhões de passageiros diariamente. O ano de 2025, os ônibus municipais tiveram média de 7,05 milhões de pessoas por dia.

Isso gera a necessidade de tarifas e subsídios maiores, segundo técnicos da prefeitura de São Paulo.

Os dados foram apresentados nesta sexta-feira, 02 de janeiro de 2026, ao CMTT – Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, na qual a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista explicou os custos de operação e manutenção e as justificativas para o aumento da tarifa, que passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026.

O DIÁRIO DO TRANSPORTE ANTECIPOU ESTUDOS NA ÚLTIMA SEMANA.

Relembre:

Não bastasse essa queda do total de passageiros, desde 2019, nunca foi tão baixo o número de passageiros pagantes, que em 2025 foi de 50%. Ou seja, 50% das passagens pelas catracas contam com gratuidade total ou alguma forma de desconto, de acordo com a SPTrans.

A maior parte desta fatia que precisa ser subsidiada é para as transferências sem cobrança ao passageiro nas integrações pelo Bilhete Único: 45%

A segunda maior fatia das gratuidades é para o Domingão Tarifa Zero, que soma 12% e concede passagem livre para todos usuários aos domingos, Natal, Ano Novo e Aniversário da cidade.

Se a demanda de passageiros caiu 27% desde 2019, a frota foi reduzida também, mas em proporções menores. Os dados da SPTrans mostram que naquele ano, o total dos ônibus em operação era de 12.813 coletivos e hoje está em 12.094.

As apresentações consideram os efeitos da pandemia de covid-19, mas abrangem períodos maiores para verificar as tendências não somente com a influência da crise sanitária que teve naturalmente resultados atípicos.

A ampliação da rede metroferroviária está entre os fatores que justificam a perda de demanda de passageiros pelos ônibus, mas relativamente em proporções pequenas. A migração para modais de transporte individual, como aplicativos, carro próprio e, futuramente, mototáxi é o que mais preocupa.

– O DOCUMENTO COMPLETO VOCÊ VÊ AO FIM DA REPORTAGEM:

Entre alguns dados, se destacam:

TARIFA DE R$ 13,55 (sem subsídios)

Atualizando os números, a gestão do prefeito Ricardo Nunes diz que, sem subsídios, o custo por passageiro, que seria a tarifa cheia, chegaria a R$ 13,55.

O valor alto se explica pelas gratuidades que são embutidas nos custos, as integrações pelo Bilhete Único e ao tamanho em si do sistema paulistano, que conta 12 mil 090 ônibus operacionais, com ocupação de 569 passageiros por veículo por dia.

SUBSÍDIOS SÓ CRESCEM:

Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%.

Segundo o estudo, “desde 2020, as verbas orçamentárias denominadas Compensações Tarifárias, que respondem por grande parte dos subsídios municipais ao sistema de transporte, evoluíram de R$ 3,3 bilhões naquele ano para estimados R$ 7,3 bilhões em 2025”.

Estes valores não consideram o custeio da implantação de ônibus elétricos, que possuem outras fontes e são subsidiados pela prefeitura também, mas não nesta conta. O poder público paga a diferença entre o preço de um ônibus a diesel, que é cerca de três vezes mais barato, e o ônibus elétrico – três vezes mais caro. É como se fosse a proporção 1:2 – de um elétrico de R$ 3 milhões, a empresa paga R$ 1 milhão (que seria o preço do modelo a diesel) e a prefeitura banca os outros R$ 2 milhões – valores aproximados para exemplificar.

QUEM PAGA QUANTO:

Segundo o estudo que vai ser apresentado ao qual o Diário do Transporte teve acesso, destes R$ 13,55 de custo por passageiro; R$ 12,55 são para operação e manutenção direta dos ônibus, o que inclui salários dos trabalhadores e lucro dos empresários, e, R$ 1 para infraestrutura do Sistema de Transporte, o que inclui Terminais, Comercialização Créditos e Gestão.

Sobre a cobertura deste valor, segundo os dados, os passageiros pagantes (ou seja, o que é arrecadado de fato pelos créditos do Bilhete Único Comum e em dinheiro) custeiam  R$ 4,21, ou 31,6% dos R$ 13,55.

Os empregadores, pelo Vale-Transporte, que na capital têm uma tarifa maior que a comum, cobrem R$ 1,42, ou apenas 10,5%.

Mudanças no Vale-Transporte, com a obrigatoriedade de que os empregadores com mais de nove funcionários obedeçam a uma arrecadação obrigatória e destinem uma verba a um fundo, são apontadas como caminho para uma tarifa-zero nacional. Mas a fórmula ainda sofre contestações e gera dúvidas.

As chamadas receitas acessórias, como com publicidade ou explorações comerciais, contribuem muito pouco com o sistema: R$ 0,21 ou 1,6% dos R$ 13,55 de custo de transporte por passageiro.

Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%

QUEM LUCRA COM OS TRANSPORTES POR ÔNIBUS EM SÃO PAULO:

Operar ônibus em São Paulo dá um “lucro” mensal de R$ 60,7 milhões, mas cobrar impostos (em todos os níveis de governo) sobre as atividades relacionadas com os transportes públicos na capital paulista “dá mais dinheiro”: R$ 161,3 milhões.

É o que revela o estudo da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de transportes da capital paulista, ao qual o Diário do Transporte teve acesso

Na seção QUEM GANHA COM A OPERAÇÃO DE TRANSPORTE, os dados mostrados pela SPTrans revelam que a carga tributária de R$ 161,3 milhões sobre todos os bens adquiridos e produtos relacionados ao sistema de ônibus tem peso de aproximadamente 14% sobre o custo médio mensal dos serviços que é de R$ 1,11 bilhão todos os meses.

O lucro de R$ 60,7 milhões das empresas corresponde a aproximadamente 5% de todo o custo mensal.

A maior fatia vai para pagamento de salários, de acordo com a planilha: R$ 468, 19 milhões, ou 41% do custo mensal.

Os fornecedores de insumos, como veículos, diesel, pneus, peças, além de serviços administrativos, representam o segundo maior peso: R$ 366.46 milhões, ou 32%.

Com a operação de infraestrutura, como de terminais, por exemplo, ainda de acordo com o levantamento, o custo mensal é de R$ 84 milhões, ou 7,3%.

QUEDA DE PASSAGEIROS AUMENTA TARIFA E SUBSÍDIOS:

segundo os dados aos quais o Diário do Transporte teve acesso, o número de passageiros caiu na projeção de 2025, em média, 19,5%, comparando com que foi transportado em 2019. Foram 2,6 bilhões (2 bilhões 638 milhões 190 mil 764) registros de passagens em 2019. Em 2025, a projeção é de 2,1 bilhões (2.122.261.193), sendo que o pior cenário, por causa dos reflexos da pandemia, foi em 2020, com 1,5 bilhão; e 202, com 1,6 bilhão de registros de passagens.

Além dos custos operacionais aumentarem e haver a necessidade de repensar a malha de linhas para deixa a rede mais eficiente, o número de passageiros também influencia.

Quanto mais cai o total de usuários, mais sobe o custo unitário por usuário.

É como um bolo, quanto menos gente, maiores os pedaços.

REAJUSTE

A tarifa básica dos ônibus do sistema SPTrans passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026

Para a Integração entre ônibus e trilhos, o valor passa para R$ 9,38. O Vale-Transporte dos trabalhadores vai de R$ 5,49 para R$ 5,82 no caso de uso somente nos ônibus do sistema da SPTrans. Já o Vale-Transporte Integrado entre Trilhos e Ônibus passa a ser de R$ 11,32.

Relembre:

Confira o documento completo a seguir:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Fonte

RELATED ARTICLES

Most Popular

Recent Comments