Contratar um novo técnico para o Manchester United é sempre uma tarefa difícil. Preencher uma vaga aparentemente impossível se tornou uma tarefa cada vez mais complicada, mas é isso o que está em curso pela sétima vez desde a aposentadoria de Alex Ferguson, em maio de 2013: um dos gigantes da Premier League está em busca de um novo treinador após a demissão de Ruben Amorim.
Os dirigentes sempre dizem isso em Old Trafford quando o cargo de técnico está vago, mas desta vez eles realmente precisam acertar.
O Manchester United precisa ir com tudo.
Chegou a hora de um dos clubes mais poderosos do mundo contratar um técnico com a experiência, o histórico, as credenciais na Premier League e a personalidade necessárias para fazer com que comandar o clube seja um privilégio, e não um fardo.
Resta saber se estão dispostos a esperar por nomes como Thomas Tüchel, Mauricio Pochettino ou Carlo Ancelotti até depois da Copa do Mundo, ou se preferem apostar agora em alguém como Oliver Glasner, Kieran McKenna ou Gareth Southgate.
Fontes disseram à ESPN que, no momento, não há um plano definido sobre se a contratação de um novo técnico será rápida ou se a estratégia será manter Darren Fletcher como interino.
Mas os erros do passado e as lições aprendidas nas contratações fracassadas de David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho, Ole Gunnar Solskjaer, Erik ten Hag e Ruben Amorim devem levar o United a encontrar um treinador que possa fazer o que cada um deles foi incapaz, ou não estava preparado, para fazer: lidar com pressão, jogar um futebol empolgante e, o mais importante, vencer.
“Se você analisar cada um dos técnicos que contratamos depois de Ferguson, todos tinham algum tipo de defeito de personalidade”, disse uma fonte à ESPN. “Eram cautelosos demais, inflexíveis demais, combativos demais ou simplesmente não estavam à altura do cargo. Mas se você juntasse todos em uma só pessoa, poderia acabar com alguém que preenchesse todos os requisitos”.
Amorim, que tinha apenas 39 anos quando o Manchester United o contratou do Sporting, em novembro de 2024, era a estrela em ascensão no futebol europeu na época. Ele tinha carisma, confiança, um histórico de vitórias e foi uma grande conquista para o United tê-lo em Old Trafford.
O português havia levado o Sporting a dois títulos nacionais, quebrando a hegemonia de Benfica e Porto no futebol local, e figurava entre os principais nomes de Liverpool e Barcelona durante a busca por um novo treinador menos de seis meses antes.
Mas, apesar de todos os pontos positivos que pareciam acompanhar a contratação de Amorim, ele rapidamente provou estar despreparado para o cargo.
Fontes classificaram o técnico à ESPN como “muito teimoso e imaturo” para lidar com as exigências da função e, tendo dito ao clube que seria “flexível” e que “aprimoraria” sua formação preferida, o 3-4-3, acabou se recusando a ser mais pragmático até que fosse tarde demais.
Assim, após apenas 14 meses, a “próxima grande promessa” acabou no lixo do United, assim como todos os seus antecessores pós-Ferguson. E, mais uma vez, o clube pagou o preço por contratar um técnico que simplesmente não tinha as credenciais necessárias para o cargo.
Uma fonte disse à ESPN que o United é um “clube extrovertido gerido por introvertidos”. Isso, da perspectiva do homem sentado no banco de reservas, é uma observação válida.
Amorim e Ten Hag tiveram dificuldades com o peso do cargo, irritando-se repetidamente com o barulho gerado por ex-jogadores lendários, incluindo Gary Neville, Paul Scholes e Roy Keane, agora empregados como comentaristas de TV.
Solskjaer era menos suscetível a críticas, mas lhe faltava a presença e a personalidade de um técnico de ponta. Moyes, que durou apenas 10 meses no comando como sucessor escolhido a dedo por Ferguson, era hipersensível a críticas e muito inibido pelo seu cargo para ter qualquer chance de se destacar.
Van Gaal estabilizou o time após a saída de Moyes, mas, assim como Amorim, perdeu a confiança dos jogadores, torcedores e dirigentes ao se mostrar apegado demais a um estilo de jogo que trouxe poucos resultados.
Somente Mourinho, contratado para substituir Van Gaal, tinha credenciais necessárias para ser técnico do United, mas, infelizmente para o clube, o autoproclamado “Special One” já não era mais especial quando chegou a Old Trafford.
O cara certo, só que cinco anos tarde demais.
Fontes disseram à ESPN que figuras importantes do United recomendaram Pochettino para o cargo em 2016, mas a família Glazer, proprietária majoritária do clube, optou por Mourinho devido ao seu histórico e personalidade.
Os Glazers certamente darão opinião desta vez, com o co-presidente Joel Glazer contribuindo com seus votos, juntamente com o sócio minoritário Sir Jim Ratcliffe, o CEO Omar Berrada e o diretor de futebol Jason Wilcox.
A grande questão é qual direção esse grupo tomará. Será um treinador trabalhando em conjunto com o diretor de futebol, ou um “manager” com autoridade para liderar a equipe e o clube?
Ferguson costumava dizer que a maior personalidade em qualquer clube tinha que ser a do treinador, e isso é ainda mais verdade no United. É um clube de futebol dominante, mas sem ninguém que se encaixe nessa descrição no cargo de treinador ou acima dele.
E é disso que o United precisa agora: alguém com o ego e as credenciais para lidar com a pressão, os ex-jogadores e a exigência por resultados e um futebol vistoso.
Ninguém fez isso desde Ferguson. E agora é a hora de isso mudar.


