Publicado em: 3 de janeiro de 2026

Setor calcula necessidade de ajustes em investimentos, já que elevação não está computada nos reajustes tarifários que estão sendo aplicados. Fretamento e rodoviários preocupados em absorver impactos. Gasolina e gás de cozinha estão mais caros também
ADAMO BAZANI
O setor de transportes coletivos faz os cálculos dos impactos da elevação do preço do óleo diesel, em vigor desde quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, com as novas alíquotas do ICMS, que foram para R$ 1,57 por litro de gasolina; R$ 1,17 por litro de diesel; e R$ 1,47 por quilo do gás de cozinha. O aumento do imposto foi de R$ 0,10 por litro de gasolina; de R$ 0,05 por litro de diesel; e de R$ 0,08 por quilo de gás de cozinha.
Como fica ICMS com aumento nos combustíveis
| ICMS | 2025 | 2026 | Variação % |
| Gasolina (L) | R$ 1,47 | R$ 1,57 | 6,8% |
| Diesel e biodiesel (L) | R$ 1,12 | R$ 1,17 | 4,4% |
| Gás de cozinha (por KG) | R$ 1,39 | R$ 1,47 | 5,7% |
O diesel é o segundo maior componente dos custos operacionais de ônibus, ficando atrás apenas de mão de obra.
Em alguns sistemas, os Estados já têm de planos de criar compensações ou reduções da incidência do tributo para o transporte urbano e metropolitano. Porém, na maior parte destes estudos para reduzir os impactos da elevação do ICMS, os segmentos rodoviários regulares e de fretamento estão excluídos.
Em todos os segmentos, porém, as empresas consideram rever investimentos dependendo dos impactos.
No caso dos urbanos e metropolitanos, os aumentos de tarifas e subsídios não consideram estes novos valores de 2026, uma vez que os cálculos se baseiam, na maior parte dos modelos tarifários por todo o País, nos custos apurados no ano anterior ao aumento. Ou seja, os reajustes das tarifas são para recompor as perdas.
Já para os ônibus de fretamento e os rodoviários, a questão é a competitividade. Ambos os segmentos sofrem concorrência direta de outros serviços, como aplicativos, avião ou mesmo a opção de grupos se reunirem em caronas e dividirem os custos da viagem.
Elevar preços de passagens rodoviárias ou dos contratos de fretamento nem sempre pode ser a melhor estratégia. Como não “dinheiro não nasce em árvore”, se não é possível repassar todos os custos e se a decisão for absorver parte ou integralmente este impacto, logo, para compensar, o caminho pode ser reduzir investimentos ou margem de lucro (que, no fundo, também diminui planos de expansões e melhorias).
Para o segmento de cargas, as estimativas também não são as melhores. Deve haver repasses nos valores dos fretes. Como o transporte de bens e produção no Brasil é majoritariamente rodoviário, estes repasses devem impactar nos preços dos produtos consumidos pelas famílias brasileiras, desde os mais simples para subsistência, como alimentos e remédios, até os bens duráveis e semiduráveis de maior valor agregado.
Mas, diante da competitividade de alguns segmentos de cargas, a estimativa é de que os repasses também não sejam integrais, com as transportadoras absorvendo parte dos custos do aumento.
Com muito menos margem de manobra de negociação com as distribuidoras de combustíveis e tendo de abastecer em postos ao consumidor das rodovias, os caminhoneiros autônomos devem ser o que vão mais sentir a elevação dos preços do diesel, o que pode interferir até mesmo nos planos de manutenção e renovação de frota, que já está envelhecida entre esta categoria, o que, indiretamente, é um agravante até na segurança nas estradas.
O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal, o Comsefaz, explica que medida que resultou em alíquotas mais altas atende à legislação que simplificou a cobrança de um valor fixo por litro ou por quilo válido para todo o país, que deve ser atualizado anualmente.
Ainda de acordo com a entidade, o modelo atual de alíquota resulta em perdas de arrecadação para estados e municípios diante da elevação de preços.
O comitê ainda diz que a lei aprovada pelo Congresso em 2022 restringe a autonomia dos estados, além de incentivar o consumo de combustíveis fosseis.
O Comsefaz diz ainda que, no primeiro ano de aplicação da lei, os estados tiveram perdas fiscais que superaram R$ 100 bilhões ao ano.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


