Publicado em: 22 de fevereiro de 2026

Sistema contabiliza mais de 3 mil coletivos com idade média de 3,6 anos e projeta operação ampliada de veículos elétricos em 2026
ARTHUR FERRARI
O sistema de transporte coletivo do Distrito Federal opera atualmente com mais de 3 mil ônibus e idade média de 3,6 anos, após processo de substituição que alcançou cerca de 90% da frota. De acordo com balanço divulgado em novembro de 2025 pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF), 2.831 veículos já foram renovados.
Somente no último ano, 343 coletivos foram incorporados à operação: 254 destinados à substituição de unidades antigas, 87 para ampliação da oferta e dois para reposição. No mesmo período, foram criadas 37 novas linhas.
A modernização inclui a introdução de ônibus elétricos. Atualmente, seis veículos desse tipo circulam na área central de Brasília (DF). Para 2026, está prevista a chegada de 90 novos ônibus elétricos que devem operar no Plano Piloto sob responsabilidade da empresa Piracicabana. Para atender à nova frota, está em construção um ponto rodoviário específico para carga e recarga nas proximidades do Terminal da Asa Sul.
Além dos ônibus convencionais, o serviço de micro-ônibus, conhecidos como zebrinhas, foi ampliado. O modal conta com 27 linhas distribuídas em 15 regiões administrativas e 65 veículos em operação, incluindo o primeiro modelo elétrico dessa categoria no Distrito Federal.
Segundo o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, a renovação integral está próxima de ser concluída. Com a previsão de chegada de mais 120 veículos até março, a substituição total da frota deve atingir 100%. No início de fevereiro, 23 novos ônibus da Viação Marechal começaram a circular a partir de Taguatinga Sul, atendendo cerca de seis regiões administrativas e integrando a etapa final da troca da chamada “linha baixa”, com itinerários que passam por Águas Claras, Arniqueira, Ceilândia, Guará, Park Way e Taguatinga.
Os veículos recém-entregues seguem o padrão Euro 6, que reduz em até 80% a emissão de gases poluentes. Também são equipados com ar-condicionado, elevador de acessibilidade, câmeras de monitoramento, GPS e portas em ambos os lados, permitindo circulação no Boulevard do Túnel Rei Pelé e nos corredores exclusivos da EPTG e da Epig, no Eixo Oeste. O sistema de segurança “Anjo da Guarda” impede a movimentação do ônibus com portas abertas.
Com as últimas entregas, o Distrito Federal passa a ter idade média da frota inferior a três anos e concentra o maior número de veículos com tecnologia Euro 6 no país. A Viação Marechal já substituiu mais de 71% dos 510 coletivos sob sua responsabilidade, e outros 147 devem ser incorporados até abril.
“Estamos recuperando a qualidade com essa frota nova, ampliando o número de acessos e isso tudo gera inclusão social, desenvolvimento econômico, combate à desigualdade, uma Brasília com mais mobilidade e um Distrito Federal todo integrado”, ressaltou o secretário Zeno Gonçalves.
O crescimento da oferta acompanha o aumento da demanda. Em 2019, o sistema registrou cerca de 350 milhões de viagens anuais. Em 2025, o volume chegou a aproximadamente 390 milhões. Para atender ao avanço, quase 300 veículos foram acrescidos além do quantitativo previsto inicialmente em licitação.
Atualmente, aproximadamente 37% dos acessos são realizados por usuários contemplados por algum tipo de gratuidade, como o Passe Livre Estudantil e o programa Vai de Graça, definido por Zeno como “o programa de gratuidade mais robusto do Brasil”.
“Em São Paulo, por exemplo, eles têm o Domingo de Graça, mas é só para a rede municipal, e o metrô não é gratuito. Aqui, nós temos a universalidade do sistema de transporte, além do Passe Livre Estudantil mais abrangente de todo o Brasil. Transporte é uma política prioridade e demonstramos isso nos números”, afirmou o secretário.
Segundo ele, mesmo com reajustes em outras capitais e no Entorno do DF, o valor médio da passagem permanece em R$ 3,93, considerado o mais baixo do país. “Quando você congela a tarifa, você está tirando um gasto extra do bolso das famílias. Essa decisão mantém o transporte acessível e funciona como um programa de transferência de renda, sem onerar o trabalhador”, declarou.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte


