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Edmonton, no Canadá, moderniza bilhetagem do transporte público com pagamento por aproximação e teto tarifário


Declarações foram feitas no primeiro dia do Transport Ticketing Global 2026, em Londres, onde o Diário do Transporte acompanha as discussões internacionais sobre tecnologia de pagamento no transporte

ALEXANDRE PELEGI

O Diário do Transporte realiza cobertura direta de Londres do Transport Ticketing Global 2026, um dos principais encontros globais sobre tecnologia de bilhetagem e pagamentos no transporte público.

Durante o primeiro dia do evento, representantes da cidade de Edmonton, capital da província de Alberta, apresentaram a experiência de implantação de um moderno sistema regional de bilhetagem eletrônica no transporte público.

O projeto, desenvolvido em parceria com a empresa Vix Technology, envolve sete municípios da região metropolitana e substituiu mais de 120 anos de bilhetes em papel por uma plataforma digital baseada em conta do usuário, pagamentos por aproximação e integração entre diferentes operadores.

O sistema atende cerca de 1,3 milhão de habitantes na cidade e aproximadamente 1,6 milhão na região, incluindo municípios vizinhos que participam da integração tarifária e tecnológica.

Durante o painel no evento, Carrie Hotton, diretora de transporte da Edmonton Transit Services, explicou que a modernização buscou tornar a experiência do passageiro mais simples e eficiente.

“Queríamos uma experiência mais moderna e flexível para o usuário, com diferentes formas de pagamento e também mais capacidade de entender como as pessoas utilizam o transporte”, afirmou.

O executivo Aaron Ross, CEO da Vix Technology e do Kuba Group, destacou que a conclusão da aceitação completa do sistema representa um marco importante no projeto.

Segundo ele, o sistema implementado em Edmonton é um dos exemplos mais complexos de integração tarifária e tecnológica no transporte público.

Integração regional sem unificar tarifas

Um dos aspectos mais inovadores do projeto foi permitir a integração tecnológica entre diferentes operadores sem exigir a padronização das tarifas.

Cada município manteve sua própria estrutura tarifária e identidade operacional, algo considerado essencial para a adesão dos participantes.

Segundo Carrie Hotton, esse foi um fator decisivo para viabilizar o projeto.

“Alguns serviços são mais voltados para deslocamentos pendulares e precisam de estruturas tarifárias próprias. O importante era permitir a integração tecnológica sem obrigar todos a adotarem os mesmos preços”, explicou.

Governança regional foi chave para o projeto

A implantação foi conduzida por meio de uma estrutura de governança chamada RSFS – Regional Smart Fare System, com dois níveis de decisão:
• um comitê estratégico com líderes das cidades participantes
• um grupo técnico com diretores de transporte

Esse modelo permitiu decisões compartilhadas e ajudou a superar as dificuldades típicas de projetos intermunicipais.

Após a implantação da bilhetagem regional, os municípios passaram a discutir novas formas de cooperação, incluindo compras conjuntas de ônibus e planejamento integrado de serviços.

Implantação ocorreu em etapas

O sistema foi implementado gradualmente, especialmente após o impacto da pandemia.

A estratégia priorizou a adaptação do público ao novo modelo digital.

Os últimos grupos a migrar para a nova tecnologia foram:
• passageiros de baixa renda
• idosos

Esses usuários receberam suporte adicional e programas de orientação para facilitar a transição.

Dados ajudam a entender melhor os passageiros

O novo sistema também ampliou a capacidade de coleta de dados sobre o comportamento dos passageiros.

Uma das iniciativas permite que usuários informem voluntariamente sua identidade de gênero ao criar uma conta no sistema, informação que ajuda pesquisadores e planejadores a entender diferenças no padrão de uso do transporte.

Estudos no Canadá indicam que mulheres tendem a realizar mais viagens encadeadas — com múltiplas paradas — o que exige ajustes no planejamento da rede.

O que é account-based ticketing

No modelo account-based ticketing, a passagem deixa de estar armazenada no cartão físico e passa a ficar registrada em uma conta digital do passageiro.

Isso permite pagar a viagem com diferentes meios, como:
• cartão de transporte
• cartão bancário por aproximação
• celular ou carteira digital

O sistema identifica o passageiro e registra a viagem diretamente em sua conta, sem necessidade de carregar créditos antecipadamente em um cartão específico.

O que é fare capping

O fare capping estabelece um teto máximo de cobrança em determinado período.

Funciona assim:
• o passageiro paga normalmente cada viagem
• quando o total pago atinge o valor equivalente a um passe diário ou semanal, o sistema interrompe novas cobranças

Assim, o usuário pode continuar viajando sem pagar além daquele limite, garantindo que passageiros frequentes nunca paguem mais do que o valor de um passe.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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