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Eletra fornece mais 105 ônibus elétricos para a Transunião e Allibus da capital paulista


Entregas estão sendo feitas em etapas. Veículos são para linhas de bairros da zona Leste

ADAMO BAZANI

A Transunião e a Allibuss, empresas que operam na zona Leste da cidade de São Paulo, adquiriram 105 ônibus elétricos com tecnologia 100% brasileira da Eletra Industrial.

Os veículos, produzidos em São Bernardo do Campo (SP), estão sendo entregues em lotes.

Todos são do tipo básico, indicados para linhas alimentadoras, de bairro e de distribuição local. Cada um possui 12,1 metros de comprimento, capacidade para 72 passageiros (em média, dependendo da configuração) e itens como ar-condicionado, wi-fi, vidros com proteção contra raios ultravioleta do Sol, piso baixo com rampa para acessibilidade, que são exigidos pela SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora das linhas municipais.

Deste total, 85 unidades são para a Transunião distribuídos entre duas garagens da companhia: 45 para a D3 e 40 para a D7.

Já 20 unidades são para a Allibus Lote D6.

O sistema de São Paulo é dividido em lotes operacionais de acordo com cada região da cidade. A malha de linhas é organizada em E (Estrutural – ônibus maiores em corredores e grandes avenidas), AR (Articulação Regional – ônibus médios que ligam regiões e bairros a centralidades regionais) e D (Local de Distribuição – ônibus médios e pequenos que operam entre bairros mais afastados e estações de trens e metrô e corredores e terminais de ônibus).

De acordo com a diretora-presidente da Eletra, Milena Braga Romano, a empresa lidera o mercado de ônibus elétricos no Brasil e, na capital paulista, que possui a maior frota nacional.

“Além da alta qualidade dos nossos ônibus e nível integral de nacionalização, também entra como motivo para essa liderança todo o apoio que damos aos operadores para a eletrificação. Com o serviço Eletra Consult, oferecemos consultoria e todas as informações técnicas desde a escolha dos modelos e adequação das garagens até o pós-venda e treinamento de equipe” – disse

A diretora comercial da Eletra, Ieda Oliveira, explica que a empresa está presente em cerca de 70% da frota de 1,2 mil ônibus elétricos da cidade.

“A personalização dos nossos ônibus é um grande diferencial. Customizados e adequamos os veículos de acordo com as necessidades operacionais de cada região. Nossos ônibus são flexíveis para todas as adequações necessárias” – disse.

A frota de ônibus elétricos das empresas da cidade de São Paulo é a maior do Brasil, com quase 1,2 mil coletivos, incluindo os 189 trólebus (conectados à rede aérea de fiação) dos cerca de 1,4 mil em todo o País.

Apesar do número expressivo e de mais este avanço com a entrega destes veículos da Eletra, o número está bem abaixo da meta da prefeitura que, em 2021, anunciou que em dezembro de 2024, chegaria a 2,6 mil elétricos.

O principal motivo, de acordo com a prefeitura, é que a distribuidora de energia ENEL não preparou a infraestrutura para adequar a rede de fornecimento, elevando a tensão dos bairros de baixa para média e alta para dar conta da demanda de energia dos ônibus elétricos.

Em redes de baixa tensão, que configura a maior parte dos bairros, se 50 ônibus ou mais carregarem as baterias ao mesmo tempo, pode faltar energia nas casas, hospitais e comércios de vila inteiras.

Além de readequar a tensão, a prefeitura diz que a ENEL não fez a tempo a ligação das redes públicas até as garagens.

Como reflexo, o Diário do Transporte mostrou: centenas de ônibus elétricos 0 km parados nas garagens sem poder rodar.

Mas, para a população, o pior impacto é a perda de qualidade dos transportes, com o envelhecimento da frota.

Como desde 17 de outubro de 2022, as viações estão proibidas de comprar ônibus 0 km a diesel e, sem infraestrutura e ainda necessidade de ampliação da oferta pela indústria de alguns modelos, como micros, micrões (mídis) e até articulados e superarticulados, as trocas de veículos ficaram em ritmo abaixo do necessário, que é de 10% ao ano, o que dá em torno de 1,3 mil ônibus que precisam ser substituídos anualmente.

Para remediar, a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora da prefeitura, deixou oficialmente os ônibus a ficarem mais velhos.

O sistema de ônibus municipais da capital paulista, passados três anos do pior da pandemia de covid-19 e quase quatro anos da proibição da compra de veículos a diesel, ainda tem 16,4% da frota gerenciada pela SPTrans (São Paulo Transporte) com idades de fabricação entre 11 anos e 13 anos. Além disso, os micrões (mídis) ganharam em 2026 mais um ano de tolerância, o que foi verificado nas ruas pelo *Diário do Transporte*.

A confirmação foi feita nesta semana pela própria empresa da gestão Ricardo Nunes em resposta aos questionamentos do *Diário do Transporte*.

Segundo a SPTrans, são 2.214 veículos com idade entre 11 e 13 anos. No site oficial da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), consta que a frota contratada das empresas soma 13.496 coletivos, entre escalados nas linhas e reservas. O dado mais recente consolidado é de dezembro de 2025. Apenas 1.149 ônibus, ou 8,5% desta frota, são elétricos. Muito abaixo dos 20% anunciados pela prefeitura em 2021 para até dezembro de 2024 no Plano de Metas, que não foi cumprido. Deste total de elétricos, 189 são trólebus (conectados a fiação elétrica aérea e mais antigos, sem ar-condicionado) e 960, a bateria. O *Diário do Transporte* mostrou que eram 201 trólebus: 12 foram retirados no sistema em novembro do ano de 2025, o que pode parecer um contrassenso, já que  a eletrificação não avança, sendo necessária a troca dos modelos a diesel.

Relembre a reportagem do Diário do Transporte de 16 de janeiro de 2026:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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