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Empresa de trem regional da Califórnia (EUA) conclui eletrificação e substitui frota a diesel por trens elétricos


Foto: Caltrain

Investimentos realizados pela Caltrain no principal corredor ferroviário da Baía de São Francisco marcam mudança estruturais no transporte regional sobre trilhos nos Estados Unidos

ALEXANDRE PELEGI

O Caltrain, trem regional público que liga as cidades de San Francisco e San José, na Califórnia, Estados Unidos, concluiu a eletrificação de seu principal corredor ferroviário e iniciou a operação plena com trens elétricos, substituindo a frota histórica movida a diesel. A mudança representa uma transformação estrutural no transporte regional sobre trilhos nos Estados Unidos, ao combinar ganhos operacionais, redução de emissões e melhoria da experiência dos passageiros na Baía de São Francisco.

O Caltrain é um sistema público de transporte regional, administrado pelo Peninsula Corridor Joint Powers Board (PCJPB), autoridade formada por representantes dos condados de San Francisco, San Mateo e Santa Clara. O serviço é estratégico para a mobilidade metropolitana da Califórnia e atende o eixo econômico do Vale do Silício.

Operação elétrica já em funcionamento

A operação comercial dos trens elétricos começou em agosto de 2024. Em setembro de 2024, foi concluída a eletrificação do trecho entre San Francisco e Tamien (San José), que concentra a maior parte da demanda do sistema. Com isso, o processo de eletrificação do principal eixo do Caltrain está tecnicamente concluído. Desde 2025, o foco passou a ser a consolidação da frota elétrica, ajustes operacionais e ampliação da oferta.

Antes da pandemia, o sistema registrava cerca de 63 mil passageiros por dia útil. Após a eletrificação, a demanda vem sendo gradualmente recuperada, impulsionada por maior confiabilidade, melhor desempenho operacional e redução do tempo de viagem — fatores associados à tração elétrica.

Para viabilizar a transição, o Caltrain adquiriu trens elétricos do tipo EMU (Electric Multiple Unit), composições auto-propelidas que dispensam locomotivas e oferecem aceleração e frenagem superiores às formações a diesel. Os veículos são do modelo KISS EMU, fabricados pela Stadler Rail, empresa suíça com presença industrial nos Estados Unidos e atuação global em material rodante.

A frota elétrica foi contratada inicialmente com 19 trens completos, cada um com sete carros, totalizando 133 carros elétricos, com opções contratuais que elevam o total para até 23 trens. As composições operam a velocidades de até 127 km/h, contam com Wi-Fi, tomadas, acessibilidade integral, áreas amplas para bicicletas e sistemas de regeneração de energia na frenagem. O desenho de dois níveis do KISS amplia a capacidade sem aumentar o comprimento do trem e a padronização modular facilita manutenção e disponibilidade.

Financiamento e dimensão do projeto

O programa de eletrificação e modernização do Caltrain foi majoritariamente financiado com recursos públicos, reunindo aportes do governo federal dos Estados Unidos, do estado da Califórnia e de fundos regionais de transporte. O investimento total — incluindo rede aérea de energia, subestações, sistemas, modernização de estações e a compra dos novos trens — é estimado em cerca de US$ 2,7 bilhões, um dos maiores projetos recentes de eletrificação ferroviária urbana no país.

A substituição do diesel pela eletricidade trouxe redução significativa de emissões de CO₂ e de poluentes locais, queda expressiva do ruído ao longo do corredor e ganhos operacionais que permitem mais regularidade, maiores frequências e melhor experiência ao passageiro. A tração elétrica também amplia a flexibilidade para ajustar a oferta sem aumento proporcional de custos.

Referência para outros sistemas urbanos

Com a eletrificação concluída e a frota elétrica em operação, o Caltrain consolida uma mudança estrutural na lógica do transporte regional sobre trilhos na Califórnia, aproximando o sistema dos padrões adotados em grandes corredores ferroviários internacionais. O projeto demonstra que a transição do diesel para a eletricidade é viável em sistemas metropolitanos de alta demanda e passa a servir de referência para outras regiões urbanas dos Estados Unidos, que discutem modernização, eficiência operacional e descarbonização do transporte público.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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