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Esvaziamento das modalidades temporais do Bilhete Único de São Paulo é contrassenso em meio a perda de demanda de ônibus, criticam membros de conselho


Dados da própria SPTrans mostram redução de 93% no uso dos bilhetes “Mensal” e “24 Horas” entre 2019 e 2024

ADAMO BAZANI

Colaboraram Vinícius de Oliveira e Yuri Sena

Enquanto a cidade de São Paulo perde demanda no transporte coletivo por ônibus, sendo que a maior parte dos passageiros migrou para meios individuais de deslocamento, uma forma que poderia fidelizar o uso dos coletivos deixou de ser atraente para muitos passageiros: as modalidades temporais do Bilhete Único não são mais vantajosas em muitos casos e até mais caras.

O tema foi alvo de críticas na reunião nesta sexta-feira, 02 de janeiro de 2026, ao CMTT – Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, na qual a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista explicou os custos de operação e manutenção e as justificativas para o aumento da tarifa, que passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026.

O DIÁRIO DO TRANSPORTE ANTECIPOU ESTUDOS NA ÚLTIMA SEMANA.

Relembre:

No encontro, a SPTrans mostrou que média diária de passageiros transportados nos ônibus municipais caiu desde 2019, na comparação com 2025, um total de 27%

Em 2019, eram transportados por dia, 9,65 milhões de passageiros diariamente. O ano de 2025, os ônibus municipais tiveram média de 7,05 milhões de pessoas por dia.

Isso gera a necessidade de tarifas e subsídios maiores, segundo técnicos da prefeitura de São Paulo.

A ampliação da rede metroferroviária está entre os fatores que justificam a perda de demanda de passageiros pelos ônibus, mas relativamente em proporções pequenas. A migração para modais de transporte individual, como aplicativos, carro próprio e, futuramente, mototáxi é o que mais preocupa.

Enquanto a perda geral de demanda nos ônibus foi de 27%, as modalidades Mensal e 24 horas do Bilhete Único tiveram uma redução muito maior proporcionalmente: queda de 93% na utilização, passando de uma média de 2,2 milhões de usuários em 2019 para um pouco mais que 154 mil de usuários em 2024.

Os dados são dos relatórios de administração da própria SPTrans.

Em conversa com o Diário do Transporte, participantes da reunião desta sexta-feira (02) disseram que o contrassenso em não incentivar a fidelização do uso do transporte coletivo é um dos sinais de uma falta de política pública adequada e que, muitas vezes, usar a modalidade comum do Bilhete Único ou mesmo um carro de aplicativo pode ser mais vantajoso não para a cidade, mas para o bolso dos passageiros.

Membro da próxima composição do CMTT, o estudante de Administração, Leandro Chemalle faz as contas que mostram que as modalidades temporais ficaram mais caras. Para o estudante, os impactos do Domingão Tarifa Zero, que não cobra ao menos quatro dias por mês passagens, também deveriam ser considerados para que houvesse uma redução de preço nas cotas 24 Horas ou Mensal do Bilhete Único.

Em 2015 o valor do bilhete era R$ 140 com a tarifa a R$ 3,50, o equivalente a 40 tarifas. Atualmente o valor do bilhete mensal, ainda sem o aumento, é de R$ 242 com a tarifa a R$ 5, o equivalente a 48 tarifas. Se o bilhete mensal mantivesse a política de preços de 40 tarifas, ele deveria custar R$ 200 atualmente. Mas com o desconto dos quatro domingos, coloca cerca de 12% a menos, porcentagem aproximada, o valor deveria ser cerca de 176. Para nova tarifa de R$ 5,30 se o bilhete mensal passasse a custar R$ 200 seria um grande ganho, e bem possível. – explicou.

O técnico em transportes e membro também da próxima composição do CMTT, Thiago Silva, também critica os valores cobrados nas modalidades temporais do Bilhete Único. Segundo o futuro conselheiro, assim como ocorreu com o Semanal, pode haver um risco de extinção do Mensal.

“Hoje, para quem trabalha, por exemplo, seis dias por semana no mês, é mais barato carregar com a cota normal, sendo que deveria ser o contrário. Tudo isso com a tarifa de R$ 5. Por se tornar menos atrativo, as pessoas passaram a usar menos, mas não somente a modalidade, mas o transporte público em si. A modalidade semanal, que era interessante também, acabou por deixar de ser atrativo. Corremos o risco de ver isso com o Mensal” – disse

Já com aumento, a modalidade Mensal do Bilhete Único dos ônibus da cidade de São Paulo vai para R$ 257,53. A tarifa comum unitária, já com aumento, vai para R$ 5,30. Então dividindo R$ 257,53 por R$ 5,30, daria 48,59…Ou seja, vale a pena a modalidade mensal, caso você passar pela catraca 49 vezes ou mais por mês. Considerando um dia “normal” que, em média a pessoa passa duas vezes, ida e volta, são 20 dias no mês, praticamente, uma semana de segunda-feira a sexta-feira. Se você faz a escala 6 por 1, por exemplo, e trabalha de sábado, ou usa o ônibus outras ocasiões no dia, como para compras, tratamento médico, atividades religiosas, passeios, etc, vale a pena o Mensal. Se o uso for só para o trabalho numa escala 6 por 1 ou numa 5 por 2, não vale a pena fidelizar a modalidade.

“Ao deixar a tarifa da modalidade Mensal mais cara do que um uso diário ao longo dos dias úteis do mês, a prefeitura deixou seu uso inviável e inútil para quem se desloca na cidade. A gestão demonstra não entender a importância para as pessoas e os benefícios que traz até para prefeitura a utilização do bilhete temporal.” – criticou o pesquisador de Mobilidade Urbana do BRCidades, Rafael Calabria, ao Diário do Transporte e que também participou da reunião.

Também pesquisador em mobilidade, Rafael Drummond, que  é profissional de planejamento urbano formado pela UBA (Argentina), com graduação em Tecnologia em Transportes Terrestres pela Fatec Tatuapé (São Paulo-SP), disse ao Diário do Transporte que uma boa política de atratividade aos transportes coletivos foi destruída em pouco tempo. Rafael Drummond também participou da reunião do CMTT.

“É tremendamente assustador como algo que era uma boa política de tarifa acabou sendo destruída em tão pouco tempo. Saímos de uma média de 2,2 milhões de usuários em 2019 para um pouco mais que 150 mil de usuários em 2024. Uma queda de 93%” – disse após analisar os dados de perda de utilização das modalidades.

O Diário do Transporte questionou a prefeitura se haverá, para os próximos reajustes previstos, alguma medida de política tarifária que poderia voltar a atrair mais pessoas para as modalidades temporais e fidelizar demanda.

A reportagem aguarda.

O Bilhete Único 24 Horas (ou Crédito Eletrônico Comum – 24h) em São Paulo permite fazer até 10 viagens de transporte público (ônibus municipais, metrô e trem) em um período contínuo de 24 horas, contando a partir do primeiro uso, pelo valor de uma tarifa vigente, oferecendo integração ilimitada entre os modais dentro desse tempo, ideal para quem usa muito o transporte em um dia.

Já o Bilhete Único Mensal em São Paulo é um cartão de transporte que oferece viagens ilimitadas (ou com limite diário, dependendo da modalidade) de ônibus, metrô e trem por um valor fixo mensal, sendo ideal para usuários frequentes, pois proporciona economia e praticidade, eliminando recargas constantes e permitindo o uso em diferentes modalidades (Comum, Estudante, etc.).

 

OS ESTUDOS SOBRE O CUSTO E A DEMANDA DO TRANSPORTE PÚBLICO DA SPTRANS:

A média diária de passageiros transportados nos ônibus municipais caiu desde 2019, na comparação com 2025, um total de 27%

Em 2019, eram transportados por dia, 9,65 milhões de passageiros diariamente. O ano de 2025, os ônibus municipais tiveram média de 7,05 milhões de pessoas por dia.

Isso gera a necessidade de tarifas e subsídios maiores, segundo técnicos da prefeitura de São Paulo.

Os dados foram apresentados nesta sexta-feira, 02 de janeiro de 2026, ao CMTT – Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, na qual a SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus da capital paulista explicou os custos de operação e manutenção e as justificativas para o aumento da tarifa, que passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026.

O DIÁRIO DO TRANSPORTE ANTECIPOU ESTUDOS NA ÚLTIMA SEMANA.

Relembre:

Não bastasse essa queda do total de passageiros, desde 2019, nunca foi tão baixo o número de passageiros pagantes, que em 2025 foi de 50%. Ou seja, 50% das passagens pelas catracas contam com gratuidade total ou alguma forma de desconto, de acordo com a SPTrans.

A maior parte desta fatia que precisa ser subsidiada é para as transferências sem cobrança ao passageiro nas integrações pelo Bilhete Único: 45%

A segunda maior fatia das gratuidades é para o Domingão Tarifa Zero, que soma 12% e concede passagem livre para todos usuários aos domingos, Natal, Ano Novo e Aniversário da cidade.

Se a demanda de passageiros caiu 27% desde 2019, a frota foi reduzida também, mas em proporções menores. Os dados da SPTrans mostram que naquele ano, o total dos ônibus em operação era de 12.813 coletivos e hoje está em 12.094.

As apresentações consideram os efeitos da pandemia de covid-19, mas abrangem períodos maiores para verificar as tendências não somente com a influência da crise sanitária que teve naturalmente resultados atípicos.

A ampliação da rede metroferroviária está entre os fatores que justificam a perda de demanda de passageiros pelos ônibus, mas relativamente em proporções pequenas. A migração para modais de transporte individual, como aplicativos, carro próprio e, futuramente, mototáxi é o que mais preocupa.

– O DOCUMENTO COMPLETO VOCÊ VÊ AO FIM DA REPORTAGEM:

Entre alguns dados, se destacam:

TARIFA DE R$ 13,55 (sem subsídios)

Atualizando os números, a gestão do prefeito Ricardo Nunes diz que, sem subsídios, o custo por passageiro, que seria a tarifa cheia, chegaria a R$ 13,55.

O valor alto se explica pelas gratuidades que são embutidas nos custos, as integrações pelo Bilhete Único e ao tamanho em si do sistema paulistano, que conta 12 mil 090 ônibus operacionais, com ocupação de 569 passageiros por veículo por dia.

SUBSÍDIOS SÓ CRESCEM:

Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%.

Segundo o estudo, “desde 2020, as verbas orçamentárias denominadas Compensações Tarifárias, que respondem por grande parte dos subsídios municipais ao sistema de transporte, evoluíram de R$ 3,3 bilhões naquele ano para estimados R$ 7,3 bilhões em 2025”.

Estes valores não consideram o custeio da implantação de ônibus elétricos, que possuem outras fontes e são subsidiados pela prefeitura também, mas não nesta conta. O poder público paga a diferença entre o preço de um ônibus a diesel, que é cerca de três vezes mais barato, e o ônibus elétrico – três vezes mais caro. É como se fosse a proporção 1:2 – de um elétrico de R$ 3 milhões, a empresa paga R$ 1 milhão (que seria o preço do modelo a diesel) e a prefeitura banca os outros R$ 2 milhões – valores aproximados para exemplificar.

QUEM PAGA QUANTO:

Segundo o estudo que vai ser apresentado ao qual o Diário do Transporte teve acesso, destes R$ 13,55 de custo por passageiro; R$ 12,55 são para operação e manutenção direta dos ônibus, o que inclui salários dos trabalhadores e lucro dos empresários, e, R$ 1 para infraestrutura do Sistema de Transporte, o que inclui Terminais, Comercialização Créditos e Gestão.

Sobre a cobertura deste valor, segundo os dados, os passageiros pagantes (ou seja, o que é arrecadado de fato pelos créditos do Bilhete Único Comum e em dinheiro) custeiam  R$ 4,21, ou 31,6% dos R$ 13,55.

Os empregadores, pelo Vale-Transporte, que na capital têm uma tarifa maior que a comum, cobrem R$ 1,42, ou apenas 10,5%.

Mudanças no Vale-Transporte, com a obrigatoriedade de que os empregadores com mais de nove funcionários obedeçam a uma arrecadação obrigatória e destinem uma verba a um fundo, são apontadas como caminho para uma tarifa-zero nacional. Mas a fórmula ainda sofre contestações e gera dúvidas.

As chamadas receitas acessórias, como com publicidade ou explorações comerciais, contribuem muito pouco com o sistema: R$ 0,21 ou 1,6% dos R$ 13,55 de custo de transporte por passageiro.

Os subsídios hoje bancam quase 60% dos custos de operação e manutenção do sistema de ônibus da cidade: R$ 7,72 de R$ 13,55, ou 56,9%, dos quais, R$ 6,91 ou 51% para a utilização direta dos coletivos por parte dos passageiros, que se somam a R$ 0,80 ou 5,9%

QUEM LUCRA COM OS TRANSPORTES POR ÔNIBUS EM SÃO PAULO:

Operar ônibus em São Paulo dá um “lucro” mensal de R$ 60,7 milhões, mas cobrar impostos (em todos os níveis de governo) sobre as atividades relacionadas com os transportes públicos na capital paulista “dá mais dinheiro”: R$ 161,3 milhões.

É o que revela o estudo da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de transportes da capital paulista, ao qual o Diário do Transporte teve acesso

Na seção QUEM GANHA COM A OPERAÇÃO DE TRANSPORTE, os dados mostrados pela SPTrans revelam que a carga tributária de R$ 161,3 milhões sobre todos os bens adquiridos e produtos relacionados ao sistema de ônibus tem peso de aproximadamente 14% sobre o custo médio mensal dos serviços que é de R$ 1,11 bilhão todos os meses.

O lucro de R$ 60,7 milhões das empresas corresponde a aproximadamente 5% de todo o custo mensal.

A maior fatia vai para pagamento de salários, de acordo com a planilha: R$ 468, 19 milhões, ou 41% do custo mensal.

Os fornecedores de insumos, como veículos, diesel, pneus, peças, além de serviços administrativos, representam o segundo maior peso: R$ 366.46 milhões, ou 32%.

Com a operação de infraestrutura, como de terminais, por exemplo, ainda de acordo com o levantamento, o custo mensal é de R$ 84 milhões, ou 7,3%.

QUEDA DE PASSAGEIROS AUMENTA TARIFA E SUBSÍDIOS:

segundo os dados aos quais o Diário do Transporte teve acesso, o número de passageiros caiu na projeção de 2025, em média, 19,5%, comparando com que foi transportado em 2019. Foram 2,6 bilhões (2 bilhões 638 milhões 190 mil 764) registros de passagens em 2019. Em 2025, a projeção é de 2,1 bilhões (2.122.261.193), sendo que o pior cenário, por causa dos reflexos da pandemia, foi em 2020, com 1,5 bilhão; e 202, com 1,6 bilhão de registros de passagens.

Além dos custos operacionais aumentarem e haver a necessidade de repensar a malha de linhas para deixa a rede mais eficiente, o número de passageiros também influencia.

Quanto mais cai o total de usuários, mais sobe o custo unitário por usuário.

É como um bolo, quanto menos gente, maiores os pedaços.

REAJUSTE

A tarifa básica dos ônibus do sistema SPTrans passa de R$ 5 para 5,30 em 06 de janeiro de 2026

Para a Integração entre ônibus e trilhos, o valor passa para R$ 9,38. O Vale-Transporte dos trabalhadores vai de R$ 5,49 para R$ 5,82 no caso de uso somente nos ônibus do sistema da SPTrans. Já o Vale-Transporte Integrado entre Trilhos e Ônibus passa a ser de R$ 11,32.

Relembre:

Confira o documento completo a seguir:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaboraram Arthur Ferrari, Vinícius de Oliveira, Yuri Sena



Fonte

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