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Fórum do DETRO-RJ coloca transição energética no centro das decisões do transporte público, diz Ogeny Maia


Presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana afirma que mudanças climáticas exigem escolhas imediatas e cita Curitiba como exemplo prático de eletrificação com ganho de passageiros

ALEXANDRE PELEGI

Em entrevista ao Diário do Transporte nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2025, Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbanização de Curitiba S.A. (URBS) — empresa responsável pela gestão do sistema de transporte coletivo da capital paranaense — e presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana destacou a importância do Fórum de Transição Energética do Transporte Público, promovido pelo DETRO-RJ nos dias 3 e 4 de fevereiro, no Rio de Janeiro.

O evento reunirá gestores públicos, operadores, especialistas e representantes da indústria para debater os impactos técnicos, regulatórios e econômicos do novo desenho contratual e operacional do transporte coletivo diante da agenda de descarbonização.

Segundo Ogeny, o debate deixou de ser prospectivo. “As discussões sobre mudanças climáticas e seus nocivos efeitos não estão mais no tempo futuro. Estão muito mais relacionadas com o hoje, com o agora”, afirmou. Para ele, o Fórum surge como um espaço estratégico para alinhar decisões de curto prazo com metas estruturais de longo prazo.

Apoio institucional e articulação nacional

O Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, presidido por Ogeny, figura como apoiador institucional do encontro, ao lado da ANTP. Também apoiam o evento entidades como a ABIOGAS, o ITDP e o SEMOVE, que representa os sindicatos e as empresas de ônibus em todo o estado do Rio de Janeiro.

Para Ogeny, essa articulação é essencial para dar escala e consistência às decisões. “As discussões que serão provocadas pelo Fórum de Transição Energética, no Rio de Janeiro, são de vital importância e necessárias”, avaliou.

Curitiba como laboratório da eletrificação

Além da atuação nacional, Ogeny falou a partir da experiência concreta à frente da URBS, empresa controlada pela Prefeitura de Curitiba e responsável pela gestão do transporte coletivo da capital paranaense. Ele lembrou que a cidade iniciou, em 2023, testes estruturados com ônibus elétricos, adotando uma abordagem técnica antes da tomada de decisão em larga escala.

Foram testados doze veículos de sete fabricantes e os resultados passaram a guiar a indicação dos modelos mais adequados para a operação em Curitiba”, explicou. A estratégia permitiu comparar desempenho, autonomia, custos operacionais e adequação ao perfil do sistema.

Hoje, Curitiba já opera duas linhas totalmente elétricas — Interbairros 1 e Água Verde. Segundo Ogeny, os ganhos não ficaram restritos ao aspecto ambiental. “Não só a novidade, mas também a conectividade e o conforto térmico e acústico fizeram com que as linhas registrassem um aumento de 30% do número de passageiros”, afirmou.

Nova licitação e metas de longo prazo

O presidente da URBS adiantou ainda que, ainda em 2026, será lançado o edital da nova concessão do transporte coletivo de Curitiba, elaborado em parceria com o BNDES. O documento já trará diretrizes claras para a transição energética.

O edital preconizará a substituição dos ônibus a diesel para os ônibus elétricos”, disse Ogeny. A meta é que 33% da frota de Curitiba seja composta por veículos de emissão zero até 2030, chegando a 100% em 2050.

Referência para outros estados

Para Ogeny Maia, o Fórum promovido pelo DETRO-RJ dialoga diretamente com esse tipo de experiência e pode ajudar estados e municípios a reduzirem riscos na tomada de decisão. “As escolhas corretas devem ser feitas já e a opção pelos ônibus que zeram as emissões de gases de efeito estufa é acertada”, concluiu.

Na avaliação do dirigente, o encontro no Rio de Janeiro tem potencial para se consolidar como um marco técnico e institucional, ao colocar na mesma mesa poder público, operadores e indústria, em um momento em que o transporte coletivo brasileiro começa a redesenhar seus contratos e sua matriz energética.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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