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Fórum do Detro-RJ reúne cidades, indústria e energia para discutir eletrificação de frotas


Painel mostrou experiências de Porto Alegre e Montes Claros e destacou que eletrificação do transporte público exige planejamento, integração com a rede elétrica e decisões compatíveis com a realidade de cada cidade

ALEXANDRE PELEGI

A eletrificação das frotas de ônibus no transporte público brasileiro passa por caminhos distintos conforme o porte, a capacidade financeira e a matriz energética de cada município. Essa foi a principal conclusão do painel “Experiências das cidades com a eletrificação de frotas do transporte público: do planejamento à operação”, realizado nesta terça-feira, 03 de fevereiro de 2026, durante o Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro, promovido pelo DETRO-RJ.

O debate reuniu gestores públicos, operadores, fabricantes, empresas de tecnologia e concessionária de energia, sob moderação de Aline Leite, do ITDP Brasil, e apresentou casos práticos que já estão em operação ou em fase avançada de implantação no país.

Porto Alegre vincula eletrificação à recuperação do sistema

Secretário municipal de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Adão de Castro Júnior destacou que a adoção de ônibus elétricos só é sustentável quando inserida em um programa mais amplo de fortalecimento do transporte público.

Não dá para amarrar a porta do ônibus com arame e querer comprar ônibus elétrico. Se o usuário tiver que escolher entre ônibus elétrico ou ônibus no horário, ele vai escolher o ônibus no horário”, afirmou.

A capital gaúcha opera atualmente 12 ônibus elétricos em serviço regular e tem projeto estruturado para a aquisição de mais 100 veículos, com financiamento junto ao BNDES. Segundo o secretário, a cidade adotou o modelo de subvenção econômica, sem abertura de novas licitações.

A subvenção econômica permite implantar o projeto com mais agilidade. Conseguimos implantar os primeiros ônibus em cerca de seis meses”, explicou.

Adão também alertou para a importância de contratos integrados para a infraestrutura de recarga.

Não faz sentido contratar carregador, obra civil e projeto elétrico separadamente. O modelo turnkey evita conflitos e garante responsabilidade única.

Montes Claros aposta na eletrificação como política de atração do passageiro

Diretor-presidente da MCTrans – Empresa Municipal de Planejamento, Gestão e Educação em Trânsito e Transporte de Montes Claros, Vinícius Pereira Santos relatou que o município prepara a substituição de 60 ônibus da frota atual por veículos elétricos, com licitação prevista ainda para fevereiro.

A eletrificação, sozinha, não recupera passageiro. O passageiro quer previsibilidade, conforto e confiança. A tecnologia é um meio, não um fim.”

Ele ressaltou que, em cidades do interior, o maior desafio não é o veículo, mas a infraestrutura energética.

O gargalo está na entrega de energia. O projeto precisa prever soluções inclusive para momentos de falha no fornecimento, como sistemas de armazenamento.”

Indústria alerta para custo total e previsibilidade regulatória

Representando a Mercedes-Benz, Mike Munhato, gerente de Mobilidade Elétrica, reforçou que não existe uma tecnologia única capaz de atender a todos os municípios.

“Não vai existir tecnologia vencedora. Vai depender da vocação da cidade, da operação e do problema que se quer resolver.”

Segundo ele, embora o custo operacional do ônibus elétrico seja menor, o alto investimento inicial e a taxa de juros ainda dificultam a competitividade frente ao diesel no custo total de propriedade (TCO).

É muito difícil bater o diesel no TCO em condições normais. O elétrico pode ser viável em operações específicas, mas exige planejamento financeiro e escala.”

Tecnologia, dados e integração na operação

Para Dener Andrade, da Nansen, a transição energética exige integração entre tecnologia, gestão e políticas públicas.

O ônibus elétrico é o protagonista, mas sem dados e gestão ele não funciona. Hoje já existem soluções para monitorar consumo, desempenho e apoiar a tomada de decisão.

Ele ressaltou que o Brasil ainda está no início desse processo.

Estamos dando os primeiros passos. A realidade daqui a alguns anos será completamente diferente.”

Garagens e rede elétrica definem o sucesso dos projetos

Encerrando o painel, Arnaldo Teixeira, da Electric Mobility Brasil, chamou atenção para o planejamento das garagens.

Sem planejamento financeiro e energético, o projeto não se sustenta. Espaço físico, potência instalada e conexão em alta tensão serão inevitáveis para grandes frotas.”

Juliana Galiza, gerente da Light, destacou o papel das distribuidoras no diálogo antecipado com os municípios para viabilizar a expansão da eletrificação.

O painel integrou a programação do Fórum do Detro-RJ, que discute modelos de financiamento, tecnologias e políticas públicas para a transição energética do transporte público no estado.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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