Publicado em: 22 de janeiro de 2026

Maior parte das ações ocorreu no trecho leste da linha 3-Vermelha. Flagrantes mostram invasão aos trilhos e danos no sistema. Estatal diz que vai investir em “barreira eletrônica” e que viaturas de Polícia Militar vão ser distribuídas nos pontos mais críticos. No último sábado (17), houve até paralisação de parte da linha
ADAMO BAZANI
Colaboraram Vinícius de Oliveira, Yuri Sena e Arthur Ferrari
OUÇA AS ENTREVISTAS NA ÍNTEGRA
FÁBIO SIQUEIRA NETTO – DIR.OPERAÇÕES METRÔ
ALEX SANTANA FENAMETRO
Um aumento de furtos de cabos e equipamentos do Metrô de São Paulo neste mês de janeiro de 2026 em relação à média habitual tem preocupado funcionários e afeta a prestação de serviços aos passageiros.
A própria estatal admite, diz que vai intensificar as ações de segurança, inclusive com investimentos em novas tecnologias, e que viaturas da Polícia Militar vão ser distribuídas nos pontos mais críticos, do lado externo da rede.
O Diário do Transporte recebeu imagens de flagrantes que mostram invasão aos trilhos e danos no sistema. No último sábado, 17 de janeiro de 2026, houve até paralisação de parte da linha entre as estações Itaquera e Carrão desde 19h até a madrugada.
De acordo com os funcionários e o diretor de Operações do Metrô São Paulo, Fabio Siqueira Netto, a maior parte das ações, até agora, ocorreu no trecho leste da linha 3-Vermelha e realmente houve aumento do total de ocorrências.: 17 no período de um ano, mas em janeiro de 2026 fugiu da média, mais que dobrando.
“A gente às vezes tem um caso por mês, dois casos por mês, mas de novo, de tentativas de furtos que muitas vezes são frustradas pela nossa ação, mas nós tivemos recentemente, agora nessas duas últimas semanas, um aumento, cerca de quatro, cinco ocorrências, sendo que uma delas foi essa que causou esse transtorno para gente na linha 3”. – disse
Uma relação feita pela comissão de funcionários mostra casos seguidos, praticamente diários – VEJA MAIS ABAIXO
Entre as imagens recebidas pelo *Diário do Transporte,* uma delas, a primeira na edição feita pela reportagem, mostra um homem saindo dos trilhos e pulando da grade já para a fora. O caso ocorreu no último dia 07 de janeiro de 2026 na região da Estação Penha.
O outro trecho do vídeo mostra os operadores e a equipe de segurança procurando homens que também invadiram o sistema para levar os cabos e equipamentos. O caso ocorreu na última segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, após as 5h.
Em seguida, é possível ouvir um outro diálogo, entre equipes de segurança e condutores do Metrô relatando a busca por suspeitos. É que no mesmo dia, às 13h50, entre Penha e Carrão, ocorreu uma nova tentativa de furto. Um homem foi detido. Foi necessário até desligar a energia da via por alguns momentos.
Em outras imagens é possível ver que, nos mesmos trechos, também na zona Leste, os trilhos aparecem sem uns equipamentos no meio de cor amarela. São chamados de “scanners”, que integram o chamado CBTC, que é o sistema responsável pelo controle do trem e comunicação eletrônica entre as composições e a Central de Controle. O CBTC ainda está em implantação em toda a extensão da linha 3. O scanner “corrige” a localização do trem fazendo uma leitura de outro equipamento que fica embaixo do trem (por isso que se chama scanner) e identifica a posição exata da composição e manda para a central a correção, se necessário.
O vice-presidente da Fernametro (Federação Nacional dos Metroferroviários), Alex Santana Vieira, conversou com o Diário do Transporte e classificou a situação como preocupante, e disse que faltam mais funcionários no Metrô.
“Essa sequência de furtos escancara a falta grave de funcionários do metrô. Faltam agentes de segurança para viaturas e abordagens, operadores para drones e monitoramento da via, equipes suficientes de manutenção para reduzir vulnerabilidade do sistema e trabalhadores nas estações para garantir o atendimento enquanto as ocorrências são geridas. Ao invés de abertura de concurso público, a empresa insiste em contratos precarizados de vigilância e PMs em horas extras, que não atendem nem as demandas operacionais internas nem as ocorrências criminosas” – disse.
Segundo o diretor do Metrô, equipes são essenciais, mas atualmente, investir em mais tecnologia tem resultados melhores. Fábio Siqueira detalhou uma espécie de “barreira eletrônica” que está sendo implantada, como câmeras, sensores e outros itens de alerta e monitoramento. – VEJA MAIS ABAIXO FOTOS DOS EQUIPAMENTOS:
Existem várias tecnologias que podem implementar isso, não existe uma única isolada, consegue fazer até por fibras óticas que estão instaladas na nossa extensão e se há uma vibração diferente, por exemplo no muro ou em qualquer barreira, ela consegue detectar em que momento que essa vibração aconteceu e ela indica precisamente o ponto onde aconteceu e a gente consegue chegar lá. Toda vez que a gente é acionado porque ou alguém viu uma intrusão ou nosso sistema percebeu a intrusão, a gente consegue chegar em até cinco minutos no local e evitar que aquele furto aconteça
Para Alex Santana, da Fenametro, a situação piorou com a terceirização da segurança.
“Essa situação é consequência direta da política da direção do metrô e do governo do estado de Tarcísio de Freitas, que aposta em privatizações, terceirizações e redução de quadro, sucateando o serviço público, fragilizando a segurança operacional e colocando em risco passageiros, trabalhadores e toda a operação”.
RELAÇÃO DE CASOS:
7/1 – 18h próximo de Penha (vídeo indivíduo na grade)
9/1 – 17h trecho de Penha (queda de rede, comunicação etc – ficou assim até dia 13/1) – conta como três ocorrências notáveis
10/1 – 14h próximo da Estação Carrão;
12/1 – 11h próximo da Estação Vila Matilde;
13/1 – 5:30h (30min após conserto, novo furto entre Penha e Carrão e queda do sistema de novo) – CONTAM DUAS OCORRÊNCIAS NOTÁVEIS
14/1 – entre 6 e 7h, novo furto próximo da Estação Carrão;
17/1 – 19h – Tatuapé a Itaquera sem circulação – roubo entre Carrão e Penha; – O CASO MAIS GRAVE ATÉ AGORA
18/1 – 4h40 – com a manutenção ainda na via, entraram pra roubar – segurança foi acionada e fugiram;
18/1 – 20h, entre Penha e Carrão, novo furto, encontraram faca e cabos soltos;
19/1 – 5h25 – entre Penha e Carrão, novo furto;
19/1 – 13h50, entre Penha e Carrão, nova tentativa de furto, indivíduo capturado;
20/1 – 12h30h- indivíduo mexendo em cabos próximo à estação Artur Alvim
Os casos na linha 3 se concentram principalmente nos trechos descobertos, na zona Leste, que formam 12 km dos cerca de 23 km de toda a extensão.
FOTOS DOS EQUIPAMENTOS DA BARREIRA ELETRÔNICA




TRANSCRIÇÕES NA ÍNTEGRA:
ALEX SANTANA FENAMETRO
Essa sequência de furtos escancara a falta grave de funcionários do metrô. Faltam agentes de segurança para viaturas e abordagens, operadores para drones e monitoramento de CFTV da via, equipes suficientes de manutenção para reduzir vulnerabilidade do sistema e trabalhadores nas estações para garantir o atendimento enquanto as ocorrências são geridas. Essa situação é consequência direta da política da direção do metrô e do governo do estado de Tarcísio de Freitas, que aposta em privatizações, terceirizações e redução de quadro, sucateando o serviço público, fragilizando a segurança operacional e colocando em risco passageiros, trabalhadores e toda a operação. Ao invés de abertura de concurso público, a empresa insiste em contratos precarizados de vigilância e PMs em horas extras, que não atendem nem as demandas operacionais internas nem as ocorrências criminosas. E agora, com essa situação, o metrô mandou seguranças contrariarem os próprios procedimentos e fazerem rondas com patinete eletrônico na rua, o que já gerou acidentes. A companhia precisa de investimentos tanto para contratações, melhores condições e tecnologia, aperfeiçoamento da infraestrutura do cabeamento e parceria com a polícia civil para investigar essa situação.
FÁBIO SIQUEIRA NETTO – DIR.OPERAÇÕES METRÔ
ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte recebeu uma série de relatos sobre roubos e furtos de cabos e equipamentos no metrô de São Paulo, principalmente agora entre a primeira quinzena agora desse mês, também nessa segunda quinzena deste mês de janeiro, foram relatos praticamente quase quase todos os dias de tentativas ou mesmo furtos e roubos consumados. A pior situação que a gente recebeu é do trecho leste da linha 3 vermelha. Em reuniões periódicas, ontem, nesta quarta-feira, dia 21, o tema também foi abordado pela direção do metrô e bate um papo aqui com a gente o diretor de operações do metrô de São Paulo, Fábio Siqueira Netto, que vai comentar com a gente essas ocorrências, o que está sendo feito, o que a população também pode fazer para ajudar a evitar. Fábio, realmente nesse mês de janeiro em comparação a outras ocasiões, vocês notaram aumento das ocorrências na linha 3 vermelha ou nas demais linhas também do metrô?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Primeiro boa tarde, você e todos os seus espectadores, seus ouvintes, a resposta é sim, de fato no mês de janeiro a gente percebeu um acréscimo dessas ocorrências, fugindo de uma curva conhecida de números mas a gente tem tomado todas as providências para minimizar que essas ocorrências continuem acontecendo.
ADAMO BAZANI: Esse acréscimo foi mais ou menos de quantas ocorrências, quantos por cento, já tem algum levantamento, mesmo que seja parcial?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: A gente tem essa percepção, a gente tem um histórico de um ano de 17 ocorrências nesse período, todas elas não causaram impacto na operação comercial, apenas essa última recente, que acho que o foco e provocou esse bate-papo com a gente, mas assim, a gente tem uma atuação muito efetiva quando a gente fala de ocorrências de furtos de cabo. Só para você ter uma ideia, mais de 50% das tentativas de furtos elas são frustradas pelas nossas ações, das nossas seguranças, nossos sistemas que monitoram, e pequena parcela delas é que de fato se transforma em algum tipo de transtorno, tanto é que foi apenas essa do sábado que vocês presenciaram.
ADAMO BAZANI: Certo, o senhor falou em ocorrências, isso só no trecho leste da linha 3 ou em toda a rede?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Não. É o alvo dessas pessoas que fazem furto e é bom a gente distinguir que é o que acontece em nosso ambiente não é um roubo, porque o roubo seria alguma coisa um pouco mais agressiva, são casos de tentativas de furtos, mas esses números se referem de fato ao trecho da linha 3 leste, principalmente aquela área onde a nossa via fica no nível da rua, que de certa forma favorece um pouco a intrusão nessa região. Também acho que é interessante a gente falar que nós estamos dizendo um trecho de 12 quilômetros de via, e são 12 quilômetros sendo que se a gente considerar que os dois lados podem ser usados para intrusão, nós estamos falando de um perímetro total de 24 quilômetros de extensão de via onde essas situações acontecem, nunca se repetiram nos mesmos locais, mas elas aconteceram nesses 24 quilômetros de perímetros de via desde a estação Tatuapé até a estação Itaquera.
ADAMO BAZANI: Aproximadamente a linha 3 vermelha na extensão tem quantos quilômetros? Contando não ida e volta, não os dois lados, contando só um tiro digamos assim.
FÁBIO SIQUEIRA NETO: A linha 3 de Barra Funda a Itaquera tem entre 22 e 23 quilômetros na extensão total e esse trecho de céu aberto é metade da linha.
ADAMO BAZANI: 2025, 17 ocorrências foi a média ou é o total?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Foram 17 ocorrências entre 2025 até janeiro de 2026, até este momento que nós estamos conversando, foram 17 ocorrências naquela região que nós estamos falando que é da estação Tatuapé a estação Itaquera.
ADAMO BAZANI: A média é mais ou menos de quantas ocorrências? Sei que pode variar um pouquinho mas só para a gente ter uma noção desse aumento, a média normalmente é de quanto?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: A gente às vezes tem um caso por mês, dois casos por mês, mas de novo, de tentativas de furtos que muitas vezes são frustradas pela nossa ação, mas nós tivemos recentemente, agora nessas duas últimas semanas, um aumento, cerca de quatro, cinco ocorrências, sendo que uma delas foi essa que causou esse transtorno para gente na linha 3.
ADAMO BAZANI: Como prevenir? A gente sabe que sim, existem equipes de segurança do metrô, a gente sabe que há um monitoramento tanto por agentes de segurança tanto por videomonitoramento, enfim, toda uma tecnologia também que ajuda nesse monitoramento, mas os casos estão acontecendo e houve esse aumento. Já se sabe, mesmo que de uma maneira prematura ou parcial, o porquê de ter aumentado de maneira expressiva justamente esse mês e o que fazer para remediar esse aumento e reforçar as ações para evitar novas?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Acho que o que é importante assim, a questão de furtos de cabo é um problema que já tem na cidade há muitos anos e quando isso começou a ficar um pouco mais intenso, antes até da pandemia, a gente fez investimentos muito pesados para poder segregar a nossa via e dificultar esse tipo de acesso. Então só para você ter uma ideia, nos últimos cinco anos nós fizemos toda uma instalação de muros novos daquela região Tatuapé até Itaquera na divisão com a CPTM e elevamos o muro na interface com a Radial Leste, isso tudo praticamente, como falei são 24 quilômetros em que a gente levantou esses muros para dificultar o acesso. Fora isso também a gente tem essa questão das câmeras, a tecnologia como você falou. Nós temos também drones que fazem sobrevoos em todo esse trecho, nós temos três drones que sobrevoam essa região com frequência com câmeras de sensibilidade térmica para perceber uma invasão, então existe uma série de ações que são feitas com relação ao furto, dá até para a gente distribuir essas ações em dimensões. Como a tipificação do crime era uma tipificação bem simples, as pessoas logo voltavam para as ruas. No ano passado nós trabalhamos fortemente com todas as operadoras de metrô por meio da ANPTrilhos, que é a nossa agência nacional de empresas que transportam pessoas sobre trilhos e a gente conseguiu mudar no código penal a tipificação desse crime de furto ou roubo de cabos. Então hoje uma pessoa que for flagrada, que for detida, ela tem uma pena que pode variar de 2 a 15 anos de prisão, então nós não atuamos só na tecnologia, não atuamos só no processo, atuamos também no ambiente legal nesse tempo todo, mas evidentemente, da mesma forma que encontram-se novas formas de se furtar, a gente também caminha para novas formas de evitar, então o que a gente está trabalhando agora para melhorar ainda mais a segurança é uma espécie de barreira eletrônica nessa extensão toda, nesses 24 quilômetros, para que a gente possa 24 horas por dia, sete dias por semana, conseguir identificar qualquer tipo de intrusão que aconteça no nosso sistema.
ADAMO BAZANI: Essa barreira eletrônica funcionaria como?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Existem várias tecnologias que podem implementar isso, não existe uma única isolada, consegue fazer até por fibras óticas que estão instaladas na nossa extensão e se há uma vibração diferente, por exemplo no muro ou em qualquer barreira, ela consegue detectar em que momento que essa vibração aconteceu e ela indica precisamente o ponto onde aconteceu e a gente consegue chegar lá. Toda vez que a gente é acionado porque ou alguém viu uma intrusão ou nosso sistema percebeu a intrusão, a gente consegue chegar em até cinco minutos no local e evitar que aquele furto aconteça. Nós temos vários casos, mais da metade dos casos de tentativa de furtos, eles são frustrados com a ajuda dos agentes de segurança que chegam no local muito rapidamente, evitando que o dano aconteça.
ADAMO BAZANI: Esses contratos de segurança, o senhor acha que podem ser melhorados? Porque uma parte é de segurança do próprio metrô e outra parte é de segurança privada, segurança terceirizada. Há possibilidade de criar aditivos a esses contratos, enfim, também melhorar o que já tem em relação a contratual?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Melhorar você consegue melhorar em todas as dimensões, não só nessa parte, mas o que a gente vê principalmente hoje é que não é uma questão mais de empenhar esforço humano no monitoramento ou no combate, porque esse esforço humano, de novo, estamos falando de 24 quilômetros de perímetro, imagina a quantidade de pessoas que nós precisaríamos aplicar para poder monitorar 24 horas por dia, sete horas por semana, 24 quilômetros de extensão, então essa é uma linha que nos dias de hoje, na forma como está hoje, o acesso ou a vontade dos indivíduos de entrar no nosso sistema, não dá para pensar em recursos dedicados humanos, a gente precisa realmente lançar mão daquilo que tem de tecnologia que nos proporciona uma efetividade, uma rapidez nessa detecção e aí sim, com esse sistema detectando a gente desloca estrategicamente as pessoas para aquele ponto para evitar que o cabo seja furtado.
ADAMO BAZANI: E a integração com forças policiais, quer dizer, não só evitar que a pessoa já esteja dentro da rede mas evitar que ele se aproxime. Troca de informações, inteligência investigativa, como é esse contato com a PM e com a Polícia Civil?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Excelente pergunta. É um contato que acontece constantemente, vamos pegar o exemplo mais recente. Em decorrência dessa questão que aconteceu recentemente, a gente já está trabalhando com a Polícia Civil num processo de inteligência para atuar em cima dos receptadores que estão na região. No lado da Polícia Militar, a gente também fechou um acordo e ela vai posicionar estrategicamente algumas viaturas principalmente nesse trecho da Zona Leste, que são os trechos mais sensíveis aos furtos, para que eles nos apoiem também nesse processo de segurança dos cabos.
ADAMO BAZANI: Para a gente finalizar nosso bate-papo também, a gente sabe que existem quadrilhas. O senhor falou da receptação, tudo começa mesmo por quem compra, se não tiver quem compre não tem quem vai roubar. A gente sabe que existem quadrilhas especializadas nisso, algumas quadrilhas são inclusive de atuação nacional, ao mesmo tempo que o que acontece no metrô de São Paulo acontece na CPTM, acontece nas linhas concessionárias de trem metropolitano, teve até alguns casos de trólebus que tiveram equipamentos roubados de rede aérea, e acontece em metrôs e trens de outras cidades e outros estados, SuperVia no Rio de Janeiro, na Metroplan acontece, em BH acontece com a CBTU e em tantos outros locais. Tem uma troca de experiências, de diálogo, entre os metrôs, entre os governos ou está faltando mais isso?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Existe essa troca de informações, é o exemplo que citei para você da ANPTrilhos, é um dos mais claros disso. Quando a gente fez esse movimento para poder tipificar o crime de furto de cabos com uma severidade maior do que existia, isso foi um trabalho feito por N mãos, com todas as operadoras do Brasil indo em Brasília e de alguma maneira se organizando para que isso acontecesse, isso é um exemplo recente de como a gente troca informação, de como a gente está alinhado nessa questão. No que diz respeito da inteligência, o que o metrô consegue fazer e está dentro do papel do metrô fazer é fornecer todas as informações para o pessoal da polícia, da segurança, da inteligência, e aí sim dentro dessa parte o pessoal da polícia sempre tem prestado um grande suporte, feito um grande trabalho nesse sentido para nós, mas a gente de fato compete poder compartilhar essas informações com as autoridades públicas.
ADAMO BAZANI: Inclusive informações de tecnologia, o senhor falou da barreira tecnológica, alguma tecnologia que a CBTU pode estar usando. Aliás isso é algo mais brasileiro ou, por exemplo, a experiência que o senhor tem, essa troca de figurinha que o senhor faz também, o senhor e os outros diretores do metrô, fora do Brasil isso acontece?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: Acontece, a gente sabe que tem históricos, não sei te avaliar se nas mesmas proporções que a gente enfrenta aqui, isso talvez precisaria pedir um estudo um pouco mais aprofundado para fora do Brasil, mas a gente sabe que acontece. Vou dar um exemplo, recentemente nós tivemos em Barcelona, na Espanha, e eles tiveram que cercar todo o pátio de manobra deles justamente para evitar intrusão de pessoas, não só para questão do cabo, mas para outras questões também, então isso não é uma exclusividade do Brasil mas em termos de intensidade talvez seja diferente de um lugar para o outro. Acho que é importante também destacar, mesmo que exista a responsabilidade do poder público, da segurança pública, de ir atrás e a gente colabora com eles, o próprio metrô tem o seu sistema de inteligência que consegue também muitas vezes identificar o ponto onde essa receptação está acontecendo, e junto com o poder de polícia ir lá e fazer a apreensão ou dos cabos ou dos indivíduos, ou ou inclusive fechamento do local como já aconteceu no passado, então esse realmente é um processo que precisa caminhar com muitas mãos, com muita integração de informação, para que a gente possa ter resultados bem efetivos com relação ao furto de cabos.
ADAMO BAZANI: Fábio Siqueira Neto, mais alguma coisa que o senhor queira acrescentar para o ouvinte e leitor do Diário do Transporte e do Podcast do Transporte?
FÁBIO SIQUEIRA NETO: O que eu quero acrescentar é que o nosso passageiro, o seu ouvinte, ele pode ter a segurança que a gente está sempre aqui muito preocupado em fazer o melhor e prestar o melhor serviço para ele. Tudo aquilo que já foi feito, o que está sendo feito, e o que será feito é para que a gente possa sempre oferecer o melhor serviço para o cidadão paulista.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaboraram Vinícius de Oliveira, Yuri Sena e Arthur Ferrari


