Publicado em: 17 de março de 2026

Como mostrou o Diário do Transporte, depois de mais quatro anos de atraso, prefeitura assinou por quase R$ 1 bilhão com empresa de tecnologia
ADAMO BAZANI
O Secretário Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, da gestão do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, autorizou o repasse de R$ 37,3 milhões para a continuidade da implantação e manutenção do SMGO (Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional) da rede de ônibus municipais sob responsabilidade da SPTrans (São Paulo Transporte).
A autorização foi publicada nesta terça-feira, 17 de março de 2026.
O SMGO engloba programas de computador, GPS de maior precisão instalado nos ônibus, câmeras nos veículos e informações em tempo real para orientar os motoristas.
O sistema deveria ter início de implantação em 2019, quando foram assinados os contratos com as viações, mas houve atrasos de mais de quatro anos, com definição da empresa vencedora somente em 2024.
Relembre:
De acordo com a publicação oficial desta terça-feira (17), o valor de R$ 37,3 milhões (R$ 37.379.565,00) será para “aquisição de licenças, implantação e manutenção” deste sistema que é considerado essencial para fiscalização e acompanhamento das linhas de ônibus municipais.
Ainda conforme o despacho de Caldeira, o repasse será dividido entre:
– Implantação do Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional – Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica (SMGO) no valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);
– -Manutenção e Operação do Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional (SMGO) – Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica – no valor de R$ 27.379.565,00 (vinte e sete milhões, trezentos e setenta e nove mil quinhentos e sessenta e cinco reais)
Como havia mostrado o Diário do Transporte, este sistema deveria ter sido implantado há quase cinco anos, logo depois da assinatura dos contratos com as companhias de ônibus em 2019, mas a licitação para escolha da empresa de tecnologia só foi definida no fim de abril de 2024, quando foi considerada vencedora prela prefeitura de São Paulo, o Consórcio Clever Devices.
O valor do contrato é de quase R$ 1 bilhão (R$ 908 milhões).
Relembre:
As empresas de tecnologia “Optibus Brasil Sistemas e Soluções em Transporte Ltda” e “Volaris Brasil Tecnologia Ltda (Cittati)” chegaram a mover ação contra o resultado da licitação que teve o Consórcio Clever Devices como vencedor.
Ambas companhias alegam irregularidades na licitação, como restrição à competitividade que poderia possibilitar um possível direcionamento.
Para a Optibus e para a Volaris (Cittati), no processo, a exigência na licitação de amostras de dados e comprovações técnicas ocorreu “de forma incompatível com a legislação e jurisprudência, tendo por consequência a redução da competitividade”.
Como também noticiou o Diário do Transporte, em segunda instância, a 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, do dia 02 de maio de 2024, negou as alegações e manteve a contratação.
Relembre:
HISTÓRICO
A SPTrans adjudicou e homologou a implantação e gerenciamento do SMGO ao Consórcio Clever Devices conforme publicação no Diário Oficial do dia 29 de abril.
Com essa ação, a Clever foi a escolhida para assumir contrato no valor de quase 1 bilhão de reais (R$ 908.154.584,35) com vigência de 10 anos, até maio de 2034.
Das duas empresas homologadas e credenciadas, a Clever Devices e a Etra, apenas a primeira compareceu à sessão pública, com proposta no valor de R$ 950 milhões (R$ 949.535.663,75), quase R$ 1 bilhão.
Outras duas empresas, que foram desabilitadas por não terem a certificação, nem homologação, apresentaram propostas de valores bem díspares. A Teltex Tecnologia S/A em recuperação judicial apresentou o valor de R$ 500 milhões, e posteriormente retirou a proposta, saindo da disputa. E a Quality Service Apoio Administrativo, com apenas R$ 20 milhões.
Após ter sido lançado em dezembro de 2023, o edital para escolher esta tecnologia, com estimativa de custo de R$ 333 milhões, foi suspenso em janeiro deste ano, após representação junto ao TCM – Tribunal de Contas do Município assinada pelo advogado Guillermo Santana Andrade Glassman.
Glassman assinou a representação para cumprir um requisito legal, mas o documento é subscrito pelas empresas Optibus, Cittatii (Volaris) e TACOM.
Na resposta ao TCM, a que o Diário do Transporte teve acesso, a gerenciadora do transporte da capital reage aos argumento utilizados pelo advogado, afirmando que as três empresas que subscrevem o documento “pretendem que seja modificado o critério de contratação estabelecido preconizado no Edital de Concessão do Sistema de Transporte (Editais das Concorrências SMT.GAB n.º 01/2015, 02/2015 e 03/2015), e requerem ainda que “tal exigência deve ser substituída pela Cerificação do Organismo Certificador Designado, alegando que seu pleito se sustentaria numa suposta ampliação da concorrência”. (Relembre)
O texto encaminhado ao TCM responde uma a uma as alegações de cada empresa subscritora.
Quanto à desatualização do Edital, que foi um dos pontos destacados pelo advogado Glasmann, a SPTrans afirma que a “representação não trouxe nenhuma demonstração sobre a obsolescência do Edital, e não identificou nenhum fato ou razão pela qual os requisitos estariam desatualizados”.
O documento perfila respostas para todos os apontamentos, concluindo que atender aos pedidos da representação “violaria o interesse público”, uma vez que as empresas subscritoras requerem que o Edital “seja adequado aos seus interesses, e não à legislação ou ao interesse público”.
“Tais empresas almejam que seu interesse comercial se sobreponha ao interesse de milhões de pessoas, com a Administração as isentando de apresentar uma solução que cumpra a finalidade pretendida e adequando o Edital à conveniência do particular”, diz a SPTrans.
Finalizando o texto, a empresa municipal justifica que a suspensão foi realizada a bem do interesse público. “Já a suspensão pretendida pela representação atende ao interesse exclusivo de algumas empresas temerosas de perder participação no mercado”.
Diante disso, conclui o documento-resposta, “é medida de direito o imediato arquivamento da presente representação”.
Após isso, a SPTrans retomou o processo licitatório para o sistema de monitoramento e gestão operacional (SMGO), marcando a sessão pública para 14 de março.
No dia 14 de março, o Diário Oficial trouxe a notificação do TCM à SPTrans de que o certame não reúne condições de prosseguimento, “em vista das irregularidades constatadas”. Em despacho do Conselheiro Relator Ricardo Torres, a empresa da prefeitura de São Paulo recebeu a recomendação para que avaliasse a pertinência da suspensão da sessão.
A SPTrans adiou então a data para 05 de abril, remarcando finalmente a concorrência para o dia 14 de abril, quando a Clever foi a única licitante a apresentar proposta.
Como havia mostrado o Diário do Transporte, este sistema deveria ter sido implantado há quase cinco anos, logo depois da assinatura dos contratos com as companhias de ônibus em 2019, mas a licitação para escolha da empresa de tecnologia só foi definida no fim de abril de 2024, quando foi considerada vencedora prela prefeitura de São Paulo, o Consórcio Clever Devices.
O valor do contrato é de quase R$ 1 bilhão (R$ 908 milhões).
Relembre:
As empresas de tecnologia “Optibus Brasil Sistemas e Soluções em Transporte Ltda” e “Volaris Brasil Tecnologia Ltda (Cittati)” chegaram a mover ação contra o resultado da licitação que teve o Consórcio Clever Devices como vencedor.
Ambas companhias alegam irregularidades na licitação, como restrição à competitividade que poderia possibilitar um possível direcionamento.
Para a Optibus e para a Volaris (Cittati), no processo, a exigência na licitação de amostras de dados e comprovações técnicas ocorreu “de forma incompatível com a legislação e jurisprudência, tendo por consequência a redução da competitividade”.
Como também noticiou o Diário do Transporte, em segunda instância, a 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo, do dia 02 de maio de 2024, negou as alegações e manteve a contratação.
Relembre:
Em 17 de março de 2026, o Secretário Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira, da gestão do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, autorizou o repasse de R$ 37,3 milhões para a continuidade da implantação e manutenção do SMGO (Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional) da rede de ônibus municipais sob responsabilidade da SPTrans (São Paulo Transporte).
O SMGO engloba programas de computador, GPS de maior precisão instalado nos ônibus, câmeras nos veículos e informações em tempo real para orientar os motoristas.
De acordo com a publicação oficial no dia, o valor de R$ 37,3 milhões (R$ 37.379.565,00) será para “aquisição de licenças, implantação e manutenção” deste sistema que é considerado essencial para fiscalização e acompanhamento das linhas de ônibus municipais.
Ainda conforme o despacho de Caldeira, o repasse será dividido entre:
– Implantação do Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional – Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica (SMGO) no valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);
– -Manutenção e Operação do Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional (SMGO) – Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica – no valor de R$ 27.379.565,00 (vinte e sete milhões, trezentos e setenta e nove mil quinhentos e sessenta e cinco reais)
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


