Publicado em: 27 de março de 2026

Governador falou com o editor do Diário do Transporte, Adamo Bazani, e disse que este tipo de combustível será estratégico para a economia do estado e geração de empregos
ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA / YURI SENA
Além da usina de produção de biometano em Guapó, município da região metropolitana de Goiânia, a capital também terá uma estrutura de produção do combustível que será voltado para o transporte coletivo, mas também para outras aplicações, como industriais e transporte de carga. A revelação foi feita pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Em entrevista a jornalistas especializados em transportes, entre os quais o criador e editor-chefe do Diário do Transporte, que esteve nesta sexta-feira, 27 de março de 2026, em evento de inauguração das obras e revitalização do terminal Padre Pelagio, que integra o eixo Leste-Oeste, antigo eixo Anhanguera e Iuxão, do BRT da região metropolitana. Como já mostrou a reportagem, o biometano será uma das apostas do governo do Estado, mas não somente para o transporte coletivo. O objetivo, segundo Caiado, é fazer o combustível estratégico para geração de empregos e economia do Estado.
Isso ocorreu após estudos que verificaram que o segmento agropecuário, que gera muitos resíduos, poderia ser estratégico nesse tipo de investimento.
Ronaldo Caiado também disse que houve grandes dificuldades para a reformulação do sistema e que havia um jogo de empurra-empurra. O governador não negou o fato de que as reformulações nos transportes também trarão ganhos políticos de imagem em uma eventual disputa presidencial.
Acompanhe a entrevista na íntegra:
ADAMO BAZANI: Governador, só um balanço dos investimentos até agora. Primeiro elétrico e agora gás, e quais são as perspectivas, próximos veículos a entregar, o que esperar daqui para frente?
RONALDO CAIADO: Primeiro elétrico, depois gás. Realmente, quando nós começamos o governo, nós começamos investindo muito em ônibus elétricos. Depois, com as ações também desenvolvidas junto aos aterros e junto às usinas de cana no estado de Goiás, nós vimos que aquele incentivo que era dado poderia gerar esta alternativa, que é a mais correta para o estado de Goiás, que é o biometano. A partir daí, vocês viram que nós tivemos uma virada de chave. Ou seja, nós tivemos uma priorização do biometano diante do potencial e da capacidade do estado de Goiás na produção desse combustível, que é um combustível 100% que absorve CO2, não contamina, descarboniza a nossa atmosfera. E hoje nós estamos recebendo aqui os primeiros modelos de um ônibus que tem uma característica própria. Ele não é adaptado. É um ônibus que foi feito com um motor próprio para ser movido pelo biometano. Então, isso dá a mesma desenvoltura que um carro a diesel e, ao mesmo tempo, com toda condição de poder descarbonizar cada vez mais a atmosfera. E um fato relevante, que esse também tem sido muito focado por mim no governo. Ao invés de nós importarmos tecnologia, nós estamos usando o potencial que Goiás tem na produção de energia para que ele seja o fator alimentador de todo o transporte pesado no nosso estado de Goiás. É aí que nós vamos querer chegar. Ou seja, é a utilização do biometano, amanhã sendo alavancado a tal ponto de não ser apenas o transporte coletivo, urbano ou metropolitano, mas sim o transporte de carga no estado de Goiás.
ADAMO BAZANI: Quantas vagas de emprego essa operação da produção do biometano pode gerar para o transporte coletivo?
RONALDO CAIADO: Olha, você vê, hoje nós já temos várias usinas que já estão se adequando a esta produção. Isso é difícil de definir a quantidade, já que é um processo que entrou numa fase de cada vez mais expansão. Nós estamos construindo também um gasoduto que vem de uma cidade próxima aqui, de Guapó, que tem um grande aterro, que também está produzindo biometano. Nós temos as usinas de álcool e açúcar que também estão produzindo o biometano. Então, umas vão chegar por caminhão, este específico já vai chegar aqui pelo gasoduto. Em Goiânia, vim aqui na companhia do prefeito Sandro Mabel, dizendo também que ele já está em tratativas para desenvolver aqui a produção no aterro de Goiânia de biometano.
REPÓRTER: Governador, a gente sabe que boa parte dos anos são movidos a diesel. Com esse problema todo no Oriente Médio, o governo do estado pretende em algum momento isentar o ICMS do diesel para baratear o custo do transporte?
RONALDO CAIADO: Olha, esse problema do aumento tem dado um superávit enorme para o governo federal. E a arrecadação do governo federal aumentou enormemente. A arrecadação da Petrobras também, a renda, o lucro da Petrobras também. Então, ele ainda implantou o imposto de exportação. Então, ele está ganhando com o preço alto do petróleo. Não é justo que ele queira apenas drenar os poucos recursos que já existem nos estados e nos municípios. Então, o que se vê hoje é que o governo precisa neste momento saber também que os dividendos da Petrobras, dos municípios que recebem do pré-sal, e que nós no Centro-Oeste não estamos nessa cota. Apesar de que eu estava lá e legislei para que tivesse, só que essa matéria ainda está a ser pautada no Supremo Tribunal Federal. Então, em resumo, o governo federal está ganhando o imposto de renda, está ganhando na CID, está ganhando em todas as áreas, também na divisão de royalties da Petrobras, com aumento, e ele tem, sem dúvida alguma, tem condições tranquilo de arcar com essa diminuição de R$ 1,02 por litro de combustível.
REPÓRTER: O sistema de transporte que está sendo implantado aqui é suficiente para a sua projeção nacional, governador?
RONALDO CAIADO: Pelo menos ela passa a ser um modelo a ser visto e também a ser consultado. Porque aquilo que aqui foi implantado nesses últimos sete anos é algo que não tem em nenhum lugar próximo da sofisticação, da inovação, da facilitação para a vida das pessoas, com total tecnologia, desde que ele entra em um terminal, em uma estação, como também naquilo que nós assumimos junto aos prefeitos e o governo do Estado de Goiás, que é essa tarifa de R$ 4,30 que já perdura por sete anos e três meses. Mostrando que, junto a isso, nós reformamos todas as nossas estações, nós vamos ver agora uma das maiores aqui do nosso Estado de Goiás, todos os nossos terminais e também de ponto de ônibus e, com isso, também mostrando a nossa capacidade de investir em ônibus novos, todos com ar refrigerado e, ao mesmo tempo, com combustível que realmente trabalha no sentido descarbonizado.
REPÓRTER: O Governador vai ficar mais conhecido nacionalmente por conta desse trabalho?
RONALDO CAIADO: Olha, no momento em que eles tiveram a oportunidade de conhecer essa realidade, eu tenho certeza que outros estados também vão ver como é que se pratica um transporte com respeito à população. As pessoas hoje deslocam com alegria, com respeito de ter um ônibus com toda uma estrutura do ar condicionado, a capacidade de recarregar o seu telefone, uma suspensão à ar que não provoca nenhum problema na coluna de ninguém que está viajando no ônibus. Ao mesmo tempo, você vê os vidros todos com o controle da luminosidade, enfim, sem ruído e as pessoas sentam com a segurança plena que tem aqui em Goiás. As pessoas têm coragem de vir para os terminais e ao mesmo tempo poder chegar em casa com conforto.
ADAMO BAZANI: Qual foi a maior dificuldade para implantar essas mudanças encontradas até agora?
RONALDO CAIADO: Foram enormes, até porque esse problema do transporte metropolitano de Goiânia sempre foi tido como um assunto impossível de ser resolvido. Quando eu cheguei no meu governo eles falavam, não mexa com isso não, isso não tem solução. Então, a imprensa uma hora botava a culpa nas empresas de transporte, outra hora colocava a culpa nas prefeituras, outra hora colocava a culpa no Estado. Então, todo mundo ali lavava as mãos e a sociedade aqui penava cada vez mais com ônibus velhos, todas as estações sem condições de serem utilizadas, os banheiros sem condições também de serem usados. Tudo aquilo destruído, quebrado, um verdadeiro muquifo que eram essas nossas estações e a partir daí nós assumimos essa discussão do processo. Está aqui ao meu lado o meu secretário Adriano que teve uma presença importantíssima e dissemos uma coisa só, vamos parar de briga, eu não quero, eu quero resolver o problema. Vamos sentar aqui com as empresas, vamos sentar aqui com os municípios maiores, vamos sentar e compor aqui uma transformação na legislação no Estado de Goiás, sabendo da abrangência que tem dos 17 municípios que configuram a região metropolitana e vamos fatiar tudo isso. O Estado de Goiás, lógico, ele arca com uma parcela maior de tudo. O Estado de Goiás arca com 50% de todo esse gasto da tarifa, agora ainda assumindo a nossa tarifa do estudante, nós agora temos mais de 50% do ônus da tarifa técnica e os outros municípios de Goiânia, Aparecida, Trindade e Senador Canedo, em percentuais menores do que a nossa.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte
Yuri Sena, para o Diário do Transporte


