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Governo Federal deve zerar PIS-Cofins do combustível de aviação. Mesmo assim, “migração” para os ônibus deve ser intensificada. Hora de as viações investirem – VEJA DICAS


Preço do querosene dos aviões saltou 54%. Isenção seria limitada a corresponderia a menos de 1/3 da elevação dos custos porque causa do reajuste da Petrobras

ADAMO BAZANI

O Governo Federal sinalizou mais enfaticamente nesta quinta-feira, 02 de abril de 2026, que pretende zerar o PIS-Cofins do combustível de aviação, assim como fez com o diesel dos ônibus e caminhões.

Em coletiva, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, disse que a MP (Medida Provisória) da subvenção da importação do diesel do transporte rodoviário, junto com os governadores, também deve incluir o incentivo fiscal ao setor aéreo.

“Tem uma boa possibilidade de, na próxima semana, nós termos condições também de, junto com a MP (Medida Provisória) que vai sair da subvenção adicional para importação de diesel, que a gente possa também colocar algo relacionado com o setor aéreo” – disse.

O Ministério dos Portos e Aeroportos enviou uma série de sugestões de medidas para o Ministério da Fazenda, por meio da SNAC – Secretaria Nacional de Aviação Civil. Além do PIS-Cofins, reduzir o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) das empresas aéreas e o IR (Imposto de Renda) sobre o leasing de aviação estão entre as sugestões. Outra medida sugerida é a criação de uma linha de financiamento para a compra de combustível de aviação.

Para as empresas de ônibus, apesar da elevação do óleo diesel, o quadro pode ser uma oportunidade, uma vez que a isenção do PIS-Cofins do combustível da aviação não deve fazer “ nem cócegas”  nos custos. O criador e editor-chefe do Diário do Transporte ouviu diretamente operadores que no passado já absorveram demanda do avião e traz dicas (VEJA MAIS ABAIXO)

A medida de isenção do PIS-Cofins deve ser tomada depois do impacto da alta de 54,6% do preço médio do querosene os aviões, anunciada pela Petrobras na quarta-feira (1º). São 13 praças de distribuição, cujos valores variam por questões logísticas e de demanda. O maior reajuste foi na Praça de Ipojuca (CE), com elevação no preço de 56,3%, passando de R$ 3,46 o litro para R$ 5,40. O menor aumento percentualmente foi pesado também, mas o preço do litro já estava elevado, passando de R$ 3,70 para R$ 5,70, alta de 52% na Praça de Canoas.

  • Belém (PA): de R$ 3,5 para R$ 5,5
  • São Luís (MA): de R$ 3,4 para R$ 5,8
  • Fortaleza (CE): de R$ 3,5 para R$ 5,5
  • Ipojuca (PE), na modalidade de venda ETM: de R$ 3,5 para R$ 5,4
  • Ipojuca (PE), na modalidade de venda LPA: de R$ 3,5 para R$ 5,5
  • Betim (MG), na modalidade de venda LPA: de R$ 3,6 para R$ 5,6
  • Betim (MG), na modalidade de venda LPT: de R$ 3,6 para R$ 5,6
  • Duque de Caxias (RJ): de R$ 3,6 para R$ 5,5
  • Paulínia (SP), na modalidade de venda EXA: de R$ 3,6 para R$ 5,6
  • Paulínia (SP), na modalidade de venda LPA: de R$ 3,6 para R$ 5,6
  • Guarulhos (SP), na modalidade de venda LPA: de R$ 3,6 para R$ 5,6
  • Guarulhos (SP), na modalidade de venda LCT: de R$ 3,6 para R$ 5,6
  • Araucária (PR): de R$ 3,6 para R$ 5,6
  • Canoas (RS): de R$ 3,7 para R$ 5,7

Segundo a CNN e a Globonews, as três maiores companhias aéreas do Brasil, a GOL, Latam e Azul; gastam em média R$ 700 milhões por mês somente com combustível.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), em nota, calcula que o reajuste médio da Petrobrás vai elevar em R$ 354 milhões os custos do querosene queimado nos aviões, fazendo com que, somente para esta combustão, os gastos das três maiores passe de R$ 1 bilhão por mês.

Os custos com combustíveis podem chegar a 45% de tudo o que as aéreas têm todos os meses, passando até mesmo folha de pagamento de salários. Com os reajustes, esse percentual pode se aproximar de 60%.

Entretanto, apesar de bem-vinda, a isenção do PIS-Confis, que deve se limitar a 60 dias, só reduziria os custos em R$ 20 milhões, no máximo.

O setor está apreensivo. Toda essa elevação dos custos pode aumentar o valor das passagens e afugentar os usuários.

OPORTUNIDADE PARA OS ÔNIBUS? VEJA DICAS DO DIÁRIO DO TRANSPORTE

Ao mesmo tempo em que também está às voltas com a elevação do preço do diesel, o segmento de ônibus rodoviários de média e longa distância está atendo ao movimento com a aviação.

O ano de 2026 terá ao menos nove feriados nacionais prolongados, fora comemorações estaduais ou de grandes cidades e regiões metropolitanas.

Não bastasse o turismo de lazer, que pode ser adiado ou cancelado por muitas famílias, há os deslocamentos de negócios, trabalho e encomendas.

Colocar a mão no bolso agora, avaliam fontes de mercado ouvidas pelo Diário do Transporte, pode ser um risco, mas também uma oportunidade para quem pode antecipar ao menos uma parte dos investimentos previstos.

O editor-chefe e criador do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou com operadores que já tiveram a experiência de absorver demanda da aviação, principalmente no contexto da pandemia de covd-19, que dão dicas.

Entender onde opera e os potenciais de atratividade: Um dos aspectos tidos como necessários pelo mercado é entender se a malha de linhas operadas por cada empresa de ônibus tem ou não potencial de atrair parte da demanda de avião.

Tipos de linhas: Linhas mais diretas entre capitais tendem a possuir mais esta vocação que linhas mais capilares (que fazem muitas paradas e que vão para muito longe de centros urbanos).

Não somente preço: Outro ponto é entender a expectativa da demanda “nova”. Preço será fundamental, mas para grande parte deste público, mesmo escapando das passagens aéreas mais caras, pode ser possível suportar um preço maior dos bilhetes rodoviários em troca de maior conforto e rapidez.

Treinar equipe: Atendimento também faz a diferença. Por mais que haja a degradação do padrão de qualidade do setor aéreo, ainda assim, os trabalhadores do setor tendem a ser mais polidos e esclarecidos no lidar com os passageiros.  Treinar motoristas, agentes de rodoviária, fiscais é essencial e mostrar a estes profissionais que tais treinamentos e contatos com um “novo mundo” vão contribuir para o crescimento pessoal e profissional.

Pontos de embarque e desembarque alternativos: Muitas vezes a frota é boa, o atendimento é bom, mas a rodoviária … Algo que pode fugir do controle das viações, pode ser oportunidade. Respeitando as legislações e limitações, parcerias com shoppings, pátios e estacionamentos para pontos de apoio e de embarque e desembarque, com uma estrutura limpa, sem “muvuca”, mais organizada e até mais próxima de regiões centrais pode atrair demanda para ficar.

Conectividade: A demanda da aviação tende a ser mais conectada. Canais online de vendas de passagens, clubes de fidelidade, pagamentos eletrônicos em carteiras digitais podem ser fundamentais. Assim como dentro do ônibus. Veículos com wi-fi que nunca funcionam (muitas vezes foge do controle por causa de áreas de sombra) ou tomadas USB para celulares e notebooks sem funcionar (isso sim, é controle total da viação) podem queimar o filme de uma empresa. Muitos executivos de empresas que em uma hora viajam de avião, podem topar horas de ônibus se puderem já ir trabalhando e adiantando as reuniões.

Frota de cair o queixo: Tudo isso acima é importante. Mas nada adianta se a frota não for limpa, bem conservada e, sim, quando possível, luxuosa. Por isso que o Diário do Transporte coloca este item como “último das dicas”, mas o mais importante. O passageiro do avião ganha na velocidade, mas perde no conforto. Se uma frota é de “cair o queixo”, com um ônibus dotado de camas, geladeiras, kits multimídias, poltronas individuais, sanitários para homens e mulheres, ar requintado e tudo mais barato que as aeronaves, o passageiro vai entender que pode ser melhor ficar seis ou oito horas numa estrada chegando descansado ou com o trabalho adiantado que uma hora moído no ar.

O importante é entender: o jogo não é atrair esta demanda (com os preços das viagens aéreas ela virá). A jogada é manter esta demanda depois que tudo passar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



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