Publicado em: 16 de dezembro de 2025

Em ventania da última semana, 2,3 milhões de pessoas ficaram sem energia. Empresa fala em investimentos. Meta de frota de coletivos elétricos não foi alcançada
ADAMO BAZANI
Em entrevista coletiva em conjunto na tarde desta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, Governo Federal, Governo de São Paulo e Prefeitura da capital paulista anunciaram que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) deve abrir processo de caducidade para romper o contrato com a ENEL no Estado.
O pedido foi feito pelas três esferas de governo.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fizeram o anúncio em três em São Paulo, na tarde desta terça-feira (16).
“É fundamental que a gente sinalize que não há politização nessa questão. Se o prefeito quiser chorar, se o governador de São Paulo quiser chorar, não tem problema. Se estiver certo, vamos renovar. Se estiver errado, mostra o que está errado, dá um despacho lá, tem coragem de fazer, enterra e acabou. Não vamos pedir a favor de ninguém, mas não vamos politizar nem deixar dubiedade para o setor privado, que nós precisamos tanto atrair investimentos”, disse o ministro após o encontro com Nunes e Tarcísio, ao lado do prefeito e do governador.
“Não há outra alternativa senão a medida mais grave que existe, que é a decretação de caducidade. Nós estamos mandando elementos para o Ministério de Minas e Energia. Vamos mandar isso também para a agência reguladora”, disse o governador Tarcísio
“Ministro, quem está chorando é a população. Enquanto você está zombando, a população chora, a população sofre. É inaceitável que já há anos essa empresa aqui na cidade de São Paulo e nos demais 23 municípios faça com que milhões de pessoas sofram tanto”, rebateu o gestor municipal. “A dubiedade é do comportamento de um ministro que teria obrigação de defender a população e fica preocupado em defender uma antecipação de renovação de contrato que vai vencer em 2028”, – disse Nunes
Na última semana, após fortes rajadas de vento, 2,3 milhões de imóveis na Grande São Paulo ficaram sem energia e, em alguns casos, o restabelecimento demorou mais de cinco dias.
Em 2023, em novembro, após um temporal, milhões de pessoas também ficaram sem energia com longa demora para restabelecer.
Em 2024, houve o mesmo problema.
O Procon multou a ENEL em R$ 14,2 milhões pelos problemas da semana passada e desde 2020, já são mais R$ 374 milhões em multas da Aneel.
Entre os problemas mais comuns apontados estão falhas no atendimento, interrupções no fornecimento e ausência de informações adequadas aos usuários.
Não bastassem os problemas de fornecimento, a prefeitura de São Paulo atribuiu a ENEL o principal fator do atraso na eletrificação de frotas de ônibus.
O Diário do Transporte chegou a mostrar centenas de ônibus elétricos parados porque não havia infraestrutura para recarga das baterias.
As metas de frota não foram alcançadas e tiveram de ser revistas pela gestão Ricardo Nunes.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apresenta nesta quarta-feira, 17 de dezembro de 2025, mais 140 ônibus elétricos a bateria para a cidade.
Com isso, a cidade passa a ter cerca de 1,2 mil coletivos a eletricidade, contando com 189 trólebus, menos da metade da meta para até dezembro de 2024.
Agora, a nova meta, para a gestão 2025-2028 é a inclusão de mais 2,2 mil coletivos, mas não somente elétricos, considerando outras tecnologias alternativas ao diesel, como Gás Natural/biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos).
O principal motivo para o não cumprimento da meta, segundo a prefeitura, é que a ENEL não adequou a rede de distribuição, elevando a potência de baixa para média ou alta tensão nos bairros. Sem esse ajuste, se 50 ônibus elétricos ou mais carregarem as baterias ao mesmo, pode cair o fornecimento de energia para as casas das pessoas, hospitais, igrejas e comércios.
O evento será pela manhã na Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu, na zona Oeste da capital paulista.
Serão veículos de diferentes empresas operadoras e marcas, como BYD, Eletra, Marcopolo e Mercedes-Benz (em ordem alfabética).
Desde 17 de outubro de 2022, as viações não podem mais comprar ônibus 0 km a diesel. Como houve dificuldade de renovação com elétricos, a frota atual foi envelhecendo e a gerenciadora da prefeitura, SPTrans (São Paulo Transporte) elevou a tolerância da idade máxima de cada ônibus de 10 anos para 13 anos.
Mas parte destes problemas está se revertendo.
Proprietária da fabricante que forneceu a maior parte dos ônibus elétricos em circulação hoje em São Paulo, a diretora-presidente da Eletra Industrial, Milena Braga Romano, diz que o ritmo de eletrificação deve avançar agora na cidade de São Paulo. Somente a empresa tem mais de 600 encomendas para a capital paulista.
Milena disse acreditar que por causa de São Paulo, até o fim de 2026, o Brasil terá a maior frota de ônibus elétricos da América Latina, ultrapassando Chile e Colômbia.
Relembre:
A ENEL, por sua vez, se defende e fala em investimentos.
Segundo a concessionária, que tem contrato até 2028, em São Paulo, os valores são recordes para modernização da rede elétrica desde que assumiu a concessão, em 2018. De 2025 a 2027, foram R$ 10,4 bilhões, de acordo ainda com a ENEL.
A companhia italiana informou ainda que intensificou manutenções preventivas e duplicado o número de podas de árvores em contato com a rede, chegando a mais de 600 mil podas realizadas por ano desde 2024.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


