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Janela de Abertura da ANTT entra na reta final e expõe risco operacional para empresas despreparadas


Prazo para pagamento da GRU termina em 6 de abril e especialista Ilo Löbel da Luz alerta: falhas burocráticas podem inviabilizar pedidos e comprometer entrada em novos mercados

ALEXANDRE PELEGI

O cronograma da chamada “Janela de Abertura” da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) chega ao seu momento mais sensível. As transportadoras interessadas em acessar novos mercados interestaduais têm até a próxima segunda-feira, 6 de abril de 2026, para efetuar o pagamento da Guia de Recolhimento da União (GRU) — etapa que, embora operacional, tornou-se decisiva para o sucesso ou fracasso dos pedidos.

Para o advogado e consultor no setor de Transporte Rodoviário de Passageiros, especialista em regulação, Ilo Löbel da Luz, o risco não está na complexidade técnica, mas na negligência de detalhes aparentemente simples.

Existe uma falsa percepção de que o mais difícil é estruturar o pedido de mercado. Na prática, o que elimina empresas é o detalhe operacional. A falta do pagamento da GRU, ou a ausência do comprovante no sistema, leva à reprovação automática, sem qualquer possibilidade de reversão por intempestividade”, afirma.

Segundo ele, trata-se de um ponto crítico porque não admite flexibilização regulatória. “A ANTT tem sido rigorosa nesse aspecto. Não há margem para argumentação posterior. Se perdeu o prazo ou não comprovou corretamente, o pedido simplesmente deixa de existir para efeitos regulatórios.”

“Dia D”: quando o mercado será redesenhado

Superada a etapa da GRU, o setor volta suas atenções para o dia 24 de abril de 2026, data prevista para a divulgação das inscrições aprovadas pela ANTT. Será o momento em que o desenho do mercado começará, de fato, a se materializar.

Esse é o verdadeiro divisor de águas. É quando o mercado deixa de ser uma expectativa e passa a ser uma fotografia concreta de quem conseguiu entrar e em quais condições”, explica Ilo.

A partir daí, segundo o especialista, inicia-se uma fase estratégica que exige análise fria e decisões rápidas.

“As empresas precisarão agir como operadores econômicos racionais. Não basta comemorar a aprovação. Será necessário avaliar onde houve sobreposição, onde haverá disputa e, principalmente, se vale a pena entrar em determinados leilões.”

Ele reforça que nem todo mercado conquistado representa viabilidade real. “Ganhar um trecho não significa que ele é sustentável. Muitas vezes, a análise pós-resultado leva à conclusão de que a melhor decisão é não seguir adiante ou rever o plano de expansão.”

Estratégia, risco e possíveis desistências

Com a publicação dos resultados, três frentes passam a orientar a tomada de decisão das empresas: disputar mercados concorridos, avaliar a sustentabilidade dos trechos obtidos diretamente e, em alguns casos, desistir de operações inicialmente planejadas.

Para Ilo, esse momento exige maturidade empresarial.

“O erro clássico é confundir acesso ao mercado com sucesso no mercado. A autorização é apenas uma oportunidade. A viabilidade depende de demanda, custo operacional, concorrência e estrutura da empresa.”

Ele acrescenta que a etapa de leilões, quando houver conflito de interesses, pode alterar significativamente o cenário.

“Entrar em um leilão sem estratégia pode comprometer toda a operação futura. É preciso entender até onde vale investir e qual é o limite econômico daquela linha.”

Aprovação não significa operação

Apesar da expectativa gerada pela divulgação dos resultados, Ilo faz um alerta direto ao setor: a aprovação pela ANTT não autoriza automaticamente o início das operações.

“Existe um equívoco recorrente no mercado. Muitos operadores tratam a aprovação como o fim do processo, quando na verdade ela é só o começo. A operação exige uma preparação técnica e fiscal rigorosa.”

Ele destaca três etapas fundamentais e inegociáveis para que a empresa consiga efetivamente colocar os ônibus em circulação.

A primeira delas é a configuração completa da linha no sistema SIGMA. “Não basta ter o trecho autorizado. É necessário desenhar toda a operação: seções, pontos de parada, origem, destino e integração. Sem isso, a linha não existe operacionalmente.”

A segunda é a regularidade das Inscrições Estaduais (IE). “O transporte interestadual exige conformidade fiscal em todos os estados envolvidos. Se a empresa tiver pendência em qualquer unidade da federação, a emissão de bilhetes e documentos fiscais fica travada.”

Por fim, o terceiro ponto – há o protocolo do Termo de Autorização (TAR). “Esse é o ato formal que consolida a autorização. Sem o TAR devidamente requerido e emitido, não há segurança jurídica para operar.

Eficiência começa antes da estrada

Para Ilo Löbel da Luz, o sucesso na Janela de Abertura não será definido apenas pela conquista de mercados, mas pela capacidade de transformar autorizações em operações efetivas.

A eficiência operacional de amanhã depende da diligência técnica de hoje. Não adianta conquistar mercados e descobrir depois que não consegue operar por falhas cadastrais ou fiscais.”

Ele conclui com um alerta direto ao setor:

“As empresas que tratam o processo com rigor técnico vão sair na frente. As que negligenciarem detalhes básicos correm o risco de ficar fora do mercado antes mesmo de começar.”

E emenda a pergunta final:

“Sua empresa já está com todos os processos alinhados para o pós-24 de abril?”

Em tempo: Ilo Löbel da Luz é advogado, especialista em regulação e ANTT.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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