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Linha 17-Ouro inicia operação com trens automatizados; entenda tecnologia que dispensa condutores dentro das cabines de comando


Funções como aceleração, frenagem e abertura de portas são executadas por sistemas digitais

ARTHUR FERRARI

Inaugurada nesta terça-feira (31) pelo Governo de São Paulo, a Linha 17-Ouro do Metrô começou a operar com foco em automação e monitoramento contínuo. O novo ramal foi concebido para funcionar sem condutor, utilizando o modelo UTO (Unattended Train Operation), no qual funções como aceleração, frenagem e abertura de portas são executadas automaticamente por sistemas digitais.

A operação é baseada no sistema de sinalização CBTC (Communications-Based Train Control), que mantém comunicação constante entre trens e via. Diferentemente dos métodos convencionais, a tecnologia adota blocos móveis, permitindo calcular em tempo real a posição e a distância segura entre as composições. Com isso, há redução nos intervalos e aumento da capacidade, mantendo padrões operacionais elevados.

Os trens são formados por cinco carros interligados, com passagem livre entre eles, e contam com ar-condicionado, iluminação em LED, câmeras de vigilância e equipamentos de combate a incêndio. As composições também possuem baterias embarcadas, capazes de garantir deslocamento em caso de falha no fornecimento de energia.

“O monotrilho, sendo elevado como é, é uma solução para grandes meios urbanos onde a gente já tem condensação muito grande”, explica Tulio Pires, engenheiro civil que atuou na construção da Linha 17-Ouro. “Os trens também são muito diferentes aos que temos hoje. Toda a tecnologia dele, incluindo o funcionamento das baterias Aurora recarregáveis, todo o gerenciamento é feito de dentro do CCO.”

A frota será composta por 14 trens, com capacidade para até 616 passageiros cada. Parte das composições já está no Pátio Água Espraiada, onde passam por comissionamento, etapa que envolve testes de segurança e validação dos sistemas. As demais unidades serão incorporadas conforme a evolução da demanda e dos ajustes operacionais. O investimento total no sistema foi de R$ 989 milhões.

Neste início, a operação ocorre em fase transitória, com acompanhamento técnico constante. Os trens circulam no modelo shuttle, com intervalos entre 7 e 14 minutos, no trecho entre o Aeroporto de Congonhas e a Estação Morumbi. Durante esse período, funcionários acompanham as viagens enquanto são realizadas verificações da confiabilidade do sistema.

O monotrilho foi implantado ao longo do eixo da avenida Jornalista Roberto Marinho como alternativa para reduzir impactos urbanos e otimizar a infraestrutura. Por ser movido a energia elétrica, o sistema contribui para a redução de emissões, com estimativa anual de diminuição de 25.937 toneladas de poluentes.

As estações contam com portas de plataforma, elevadores, escadas rolantes, pisos táteis e sanitários adaptados. Também há integração com ciclovias, bicicletário na Estação Morumbi e espaços para embarque e desembarque de veículos, além de conexão com linhas de ônibus.

Com 6,7 quilômetros de extensão e oito estações, a Linha 17-Ouro liga o Aeroporto de Congonhas às linhas 9-Esmeralda e 5-Lilás. Na fase inicial, sete paradas estão abertas: Morumbi, Chucri Zaidan, Vila Cordeiro, Campo Belo, Vereador José Diniz, Brooklin Paulista e Aeroporto de Congonhas. A estação Washington Luís será entregue posteriormente.

Segundo o governador Tarcísio de Freitas, a conexão entre modais amplia o alcance do sistema metroferroviário. “A gente pode falar que a partir do momento que a gente liga o aeroporto de Congonhas à linha 17, a gente pode dizer que tá ligando o aeroporto de Congonhas ao aeroporto de Guarulhos. A gente tem agora os dois aeroportos conectados por trens”, disse.

A previsão é que a operação plena, com funcionamento das 4h40 à 0h, seja implementada gradualmente até outubro, quando a linha deverá atender cerca de 100 mil passageiros por dia.

O Governo de São Paulo também anunciou a expansão do ramal, com mais 4,6 quilômetros e quatro novas estações: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis, ampliando a cobertura do sistema sobre trilhos na capital paulista.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte



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