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Londres inicia retirada de trens a diesel da estação de St Pancras, um dos principais nós ferroviários do Reino Unido


Mudança em terminal estratégico reduz emissões em área coberta e antecipa metas oficiais do governo britânico para descarbonização da ferrovia

ALEXANDRE PELEGI

Para muitos brasileiros, especialmente os fãs de Harry Potter, a plataforma 9¾ é um dos símbolos mais conhecidos do universo ferroviário de Londres. O que nem todos sabem é que ela está localizada justamente na London St Pancras — um dos principais nós da rede ferroviária do Reino Unido e da Europa. É dessa estação, que conecta serviços nacionais, regionais e internacionais, que parte agora uma mudança concreta na matriz energética do transporte sobre trilhos: a retirada progressiva de trens movidos exclusivamente a diesel.

Os novos trens, fabricados pela Hitachi Rail, passam a substituir composições antigas que ainda utilizavam motores a diesel, especialmente em serviços regionais que chegam ao terminal. A previsão é que, até o fim de 2026, nenhum trem a diesel opere dentro da estação.

Um nó central da ferrovia britânica e europeia

St Pancras ocupa uma posição singular no sistema ferroviário do Reino Unido. Além de ser um dos principais terminais de Londres, a estação é o ponto de chegada e partida de serviços ferroviários de longa distância; abriga o terminal do Eurostar, conectando Londres diretamente a Paris, Bruxelas e outras cidades europeias; e funciona como elo entre linhas nacionais e internacionais, integrando diferentes padrões operacionais e energéticos.

Por essa centralidade, qualquer mudança operacional em St Pancras tem impacto simbólico e prático em toda a rede ferroviária, servindo como referência para outros terminais urbanos.

Diesel fora de um terminal de alta relevância urbana

Por ser uma estação majoritariamente coberta e de altíssimo fluxo, o uso de trens a diesel em St Pancras sempre foi alvo de críticas, principalmente pelos efeitos da concentração de gases poluentes, ruído e desconforto para passageiros e trabalhadores.

A retirada do diesel em um terminal dessa importância sinaliza que esse tipo de tração deixa de ser aceitável nos principais centros ferroviários, reforçando uma mudança de paradigma na matriz energética do setor.

A nova frota foi projetada para operar de forma flexível: elétrica nos trechos com infraestrutura disponível e com tecnologias de transição fora deles. Isso permite reduzir drasticamente o consumo de diesel justamente nos pontos mais sensíveis da rede, como grandes estações urbanas.

Essa estratégia vem sendo adotada pelo Reino Unido para acelerar a redução de emissões sem aguardar a eletrificação integral de toda a malha.

Medida segue diretrizes oficiais do Governo do Reino Unido

A mudança em St Pancras está alinhada às políticas do Department for Transport (DfT), responsável pela estratégia nacional de transportes.

No Transport Decarbonisation Plan, o governo britânico define a ferrovia como eixo prioritário da descarbonização, destacando a eliminação progressiva do diesel como objetivo central.

“A ferrovia deve liderar a descarbonização do transporte, por meio da eletrificação da rede e da retirada gradual de trens movidos exclusivamente a diesel”, estabelece o plano oficial.

Meta oficial: fim dos trens a diesel até 2040

O Rail Environment Policy Statement, outro documento oficial, estabelece que o governo pretende eliminar trens movidos apenas a diesel da rede ferroviária até 2040, utilizando principalmente a eletrificação e, de forma complementar, tecnologias de baixa emissão.

“O Governo pretende remover trens movidos exclusivamente a diesel até 2040, recorrendo à eletrificação e, quando apropriado, a soluções alternativas de baixa emissão”, afirma o texto.

Um sinal estratégico para toda a rede ferroviária

Ao iniciar a retirada do diesel em um dos terminais mais relevantes do sistema ferroviário europeu, o Reino Unido envia um sinal claro sobre o futuro da matriz energética do setor. A decisão mostra que a transição começa pelos pontos mais visíveis, movimentados e sensíveis da rede, com impacto direto na experiência do usuário e na qualidade ambiental urbana.

St Pancras, mais do que uma estação, funciona como vitrine do que o governo britânico projeta para o futuro da ferrovia: menos diesel, mais eletrificação e soluções de transição claramente delimitadas no tempo.

Não é magia, é engenharia

Se no imaginário popular a plataforma 9¾ é o ponto de partida para um trem movido a magia, na St Pancras real o recado é outro: não é feitiço, é política pública, engenharia e mudança de combustível. Ao retirar o diesel de um de seus terminais mais emblemáticos, o Reino Unido deixa claro que, na ferrovia do mundo real, o futuro não depende de varinhas, mas de decisões técnicas, investimentos consistentes e de uma matriz energética que finalmente começa a virar a página — sem precisar atravessar nenhuma parede.

BOX – Por que St Pancras é estratégica

  • Principal terminal ferroviário internacional de Londres
  • Conexão direta com a Europa continental via Eurostar
  • Integra serviços nacionais, regionais e internacionais
  • Estação majoritariamente coberta, com alto impacto ambiental do diesel
  • Referência simbólica e operacional para a rede ferroviária britânica

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



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